Osamu Tezuka – O pai do manga moderno‏

em 19 de abril de 2009

Provavelmente o nome Tezuka, pode não ter um grande significado para o pessoal que não curte mangás. E é até fácil de entender, porque a maior parte das obras, desse que é considerado a maior nome dos quadrinhos japoneses, não é contemporâneas a mesma época em que os esse tipo de arte tomou o mundo de assalto levando a cultura pop japonesa para todos os países. Mas falar de Osamu Tezuka é uma honra para mim, pois posso contaminar mais e mais pessoas com o trabalho de um gênio em escrita e desenho, que muitas vezes arrancou lágrimas minhas durante uma leitura que deveria ser sem grande importância. Não vou prometer uma matéria desprovida de sentimentalismo da minha parte, mas tentarei contar nas próximas linhas um brevê relato sobre a vida e as obras do criador de um estilo.

Vida como desenhistatezuka_pknight_500

Tezuka não foi o criador dos mangás, porém foi quem popularizou o estilo com seu desenho de traços finos e sinceros, com imagens simples e claras que muitas vezes nos remetem a enquadramentos cinematográficos, levados sempre para o humor a emoção. Trabalhou com temas variados, mas sempre colocando os sentimentos e as emoções de formas bem marcantes além de tender para uma ocidentalização em alguns momentos contando histórias medievais ou de tesouros perdidos.

Em 1946, com 17 anos, Tekuza tem sua estréia como desenhista profissional com a tira Ma-chan no Nikki (O Diário de Ma-chan) publicada no jornal Shokokumin Shimbun de Osaka. Porém só um ano depois é que seu talento seria revelado ao Japão com o seu primeiro mangá Shin Takarajima (Nova Ilha do Tesouro), que na verdade era a adaptação de um livro escrito por Sakai Shichima e que foi solicitado pelo mesmo quando se conheceram na Universidade de Osaka, onde Tezuka havia iniciado o curso de medicina. Depois de realizar alguns trabalhos em Osaka, mudou-se para Tóquio onde acreditava ser mais fácil para publicar suas próprias obras, mas teve seus sonhos frustrados até o ano de 1950, quando um amigo lhe ofereceu uma chance.

kimbaÉ nesse momento em 1950 que Tezuka começa seu grande momento. Nesse ano ele desenha o que seria sua primeira grande obra: Jungle Taitei (Kimba, o Leão Branco) e a partir daí é visto como um diferencial e uma marca a ser levada ao mundo. Logo após desenha Tetsuwan Atom (conhecido também como Astro Boy), que foi sua obra mais famosa, dando a possibilidade de que realizasse o grande sonho de criar uma animação parecida com as feitas por Walt Disney. Em 1962 criou seu próprio estúdio com o nome de Tezuka Osamu Production posteriormente chamado de Mushi Production, onde criou a série de desenhos de Astro Boy que foi uma das primeiras séries animadas da televisão japonesa e que abriu porta para os atuais animes.

A vida de Tezuka foi dedicada ao mundo dos mangás, onde ele fez grandes amigos como o francês Moebius e o brasileiro Maurício de Sousa. Mas foi internado com dores no abdômen, vindo a falecer de câncer no estomago em 1989 aos setenta anos.

Obras de Tezukatezuka_buddha_01

Ma-chan no Nikki (O Diário de Ma-chan) – 1946 – Tirinha desenhada para um jornal de Osaka;
Shin Takarajima (Nova Ilha do Tesouro) – 1947 – Baseado no livro de Sakai Shichima, conta a história de um rapaz que vai atrás de um tesouro perdido;
Jungle Taitei (Kimba, o Leão Branco) – 1950 à 1954 – História de um leão de pelo branco chamado Leo que tenta suceder seu pai morto por um caçador na selva;
Tetsuwan Atom (Astro Boy) – 1952 à 1968 – Conta as aventuras vividas por Astro, que é um robô feito a imagem de um jovem que filho de cientista morto em um acidente. Com grande poderes e um coração bom, Astro salva a vida de humanos e máquinas.
Ribbon no Kishi (A Princesa e o Cavaleiro) – 1953 à 1956 – Primeiro manga shojo, conta as desventuras de uma princesa que precisa fingir ser homem para poder ocupar o trono da Terra de Prata.
Hi no Tori (Phoenix) – 1956 à 1989 –Inacabada de Tezuka que fala sobre o homem em sua procura pela imortalidade.
Black Jack – 1973 à 1983 – A história de Black Jack, um talentoso cirurgião que cobra enormes quantias para realizar cirurgias, usando técnicas sobrenaturais para combater doenças.
Buddha (Buda) – 1974 à 1984 – Simplesmente a visão de Tezuka sobre a vida de Sidarta Gautama, que não chega a ser um relato fiel.
Adolf ni Tsugu (Os três Adolfs) – 1983 à 85 – História que se passa pouco antes da segunda guerra mundial e conta a história de três Adolf, sendo um deles um judeu, o outro um alemão e por ultimo o próprio Adolf Hitler.

070918_astroboy

3 comentários para “Osamu Tezuka – O pai do manga moderno‏

  1. Maurício de Sousa amigo dele bacana ^^
    Que morte triste =(
    Gostei do artigo, fiquei sabendo mais dele.
    Nunca assisti Astro Boy, é legal?

  2. O único defeito de Osamu Tezuka foi ser amigo de Maurício de Souza. Se ele soubesse do método de trabalho deste…

    Pois Osamu Tezuka segue a mesma escola de Miyazaki: seu estúdio não é uma fábrica de empregados, é para formar gente competitiva e competente. Nunca vi surgir um Isao Takahata com o magnífico Grave of Fireflies animado, desses “estúdios Maurício de Souza”.

    Sei que ele só faz as estórias do Horácio, mas não há qualquer crédito nas outras estórias sobre os autores atuais. Sempre aquele carimbo de assinatura dele.

    Até Marvel e DC são mais honestos: eu sei que X de extinção foi feita por Grant Morrison, que Alan Moore fez piada Mortal, etc..

    Tive amigos que trabalharam para esse senhor. Não havia a capacidade criativa individual, apenas a “empresa” Maurício de Souza. Que “coincidentemente” é uma pessoa, não é?

  3. Tezuka, assim como Miyazaki, é um nome a ser conhecido e respeitado por artistas que têm as artes dos quadrinhos e animação, especialmente japoneses, como referência em seu trabalho.

    Há muito o que se aprender com ambos e tantos outros autores, pois eles trabalham na linha “intimista”, apesar de mostrarem “visualmente” ações em termos externos.

    Astro Boy, por exemplo, está em busca do “Kokoro” que significa, nada mais, nada menos, que “coração” em japonês. À partir disso, pode-se ter ideia do quão “profundo” eles são em suas obras.

    Recomendadíssimo! ;3

    Ps.: estou FURTA-COR com o comentário de “Primula” sobre Maurício de Souza. Sendo isso um fato, só posso dizer que lamento MUITO em, mais uma vez, verificar o poder do “Capitalismo” sobre o “Espírito” das pessoas.
    Até quando vamos viver isso, não faço ideia… U.U

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.