Clássicos da Literatura em Quadrinhos: A volta ao mundo em 80 dias

em 16 de fevereiro de 2012
Jules.Verne

Informações

  • Autor: Julio Verne
  • Tradutor: Alexandre Boide
  • Editora: L&PM
  • Páginas: 60
  • Ano de Lançamento: 2012
  • Preço Sugerido: R$25,00

A volta ao mundo em 80 dias é certamente um dos mais conhecidos clássicos da literatura mundial. Ao lado de 20.000 léguas submarinas e Viagem ao centro da Terra, é uma das mais famosas obras do escritor francês Júlio Verne, cuja vasta produção compreende os temas mais diversos e que, curiosamente, foi inicialmente pensada como forma de angariar o interesse dos estudantes pela geografia.

A história se passa em 1872, ocasião em que um grande roubo ocorreu em Londres – 55 mil libras misteriosamente subtraídas do Bank Notes – e o ladrão encontra-se foragido. A polícia procura por pistas que possam levar ao culpado quando descobre que uma curiosa aposta fora feita no clube de gentlemen Reform Club: um sujeito chamado Phileas Fogg acabara de colocar na mesa 20 mil libras, dizendo que as pagaria aos demais senhores que com ele estavam caso não fosse capaz de dar a volta ao mundo em oitenta dias. O jeito afetado do Sr. Fogg, aliado a seu aspecto demasiadamente confiante lhe valeram as suspeitas da polícia, que põe em seu encalço o investigador Fix, cuja tarefa é descobrir as manobras do crime e executar o mandado de prisão que possui.

O Sr. Fogg, juntamente com seu ajudante Jean Passepartout, parte da Inglaterra em direção a Suez, no Egito, donde seguirá adiante em direção ao leste. O investigador Fix os segue atentamente, e se vê de mãos amarradas pela burocracia criminal, já que o mandado de prisão que possuía só valia para a Inglaterra. Assim ele se vê obrigado a seguir na jornada, tentando acelerar as autoridades locais por outro mandado e tentando atrasar ao máximo a viagem de Phileas Fogg para poder levá-lo sob custódia.

Júlio Verne nos leva a contemplar o mundo através da sua visão admirada e reverente em relação aos frutos da revolução industrial. Ainda que o desfile de paisagens e a visão positivada das novas tecnologias deixem de lado uma abordagem crítica dos desdobramentos cruéis que lhe sobrevieram, é compreensível a empolgação do autor pelas novidades. O trem, por exemplo, era uma das expressões máximas da modernidade e do potencial que as tecnologias prometiam. A possibilidade de viajar (quase) o mundo todo a bordo de máquinas, como o trem e o navio, era de fato algo assombrosa e investida de um fetiche de novidade sem precedentes na história da humanidade.

Adaptações existem à sombra das produções originais e têm um tortuoso caminho a seguirem nesse sentido (tentei desenvolver melhor essa ideia nesse texto aqui), mas essa adaptação, que ficou a cargo de Chrys Millien (assim como os desenhos e as cores), sustentou-se nessa corda bamba satisfatoriamente. O texto preserva aquele estilo informativo de Júlio Verne, mantém também a pompa da Inglaterra vitoriana nos desenhos e se utiliza bem da riqueza que a viagem proporciona, afinal, tem-se a oportunidade de desenhar desde o Egito até a Índia, do Japão até os Estados Unidos.

Diante de uma história tão querida por tantos leitores, Millien se desdobra bem, sustentando a aventura que Júlio Verne tanto cultivou, mas exagerando na caricatura de Passepartout, que me pareceu risonho demais. O estilo fanfarrão dele existe, mas pela limitação que a adaptação impõe ao texto, ela ficou soando um pouco recorrente demais. Isso, entretanto, é somente um detalhe que está longe de comprometer a obra e os recortes e pequeninas mudanças que Millien leva a cabo.

Os desenhos de Millien aproveitam bem as possibilidades oferecidas pela aventura e abunda de detalhes que reconstroem os cenários pelos quais passaram Phileas Fogg e seu ajudante sem se tornar por demais rebuscado. Ele cede boa parte de sua inventividade para deixar que a história fale por si, sua expressividade está mesmo nas gravuras, talhadas com esmero.

Ainda que sessenta páginas pareçam pouco espaço para conter as inúmeras passagens do livro de Júlio Verne, o trabalho de Millien dá conta disso, fazendo com que essa HQ se constitua não só como uma ótima adaptação, mas também como uma bela porta de entrada para a obra de Júlio Verne.

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