Crítica: ‘Amantes Passageiros’, e a fórmula de Almodóvar

em 29 de julho de 2013

Informações

  • Título: Amantes Passageiros (Los amantes pasarejos)
  • Diretor: Pedro Almodóvar
  • Roteiro: Pedro Almodóvar
  • País: Espanha
  • Ano: 2013
  • Elenco: Javier Cámara (Joserra), Raúl Arévalo (Ulloa), Lola Dueñas (Bruna), Hugo Silva (Benito Morón), Antonio de la Torre (Álex Acero), José Luis Torrijo (Sr. Más), José María Yazpik (Infante), Cecilia Roth (Norma Boss), Guillermo Toledo (Ricardo Galán), Carlos Arecers (Fajas), Blacna Suárez (Ruth), Paz Vega (Alba), Penélope Cruz (Jessica), Antonio Banderas (León), Carmen Machi (portera).

Existe gente que é obcecada pela Apple, ou pelo Tarantino, ou por filmes da Disney. Eu sou obcecada com Almodóvar (mentira, sou por todos). O diretor espanhol causa, curiosamente, muito mais fascínio sobre os brasileiros do que sobre os espanhóis e – não de se estranhar – muito mais fascínio sobre mulheres do que sobre homens. Se em seus dramas Almodóvar consegue clímax impressionantes e revelações de seus personagens – como nos belíssimos Fale com Ela e o mais recente A Pele que Habito – em suas comédias ele beira o absurdo, sem jamais deixar de dar atenção à história que está contando.

É isso que ocorre com Os Amantes Passageiros, mais nova comédia do cineasta. Trazendo novamente um elenco de peso, com o qual costuma trabalhar sempre, Almodóvar elabora uma fábula: um grupo de trabalhadores do aeroporto de Madrid – entre eles, Penélope Cruz e Antonio Banderas, com um afetado sotaque andaluz – se distrai e se esquece de tirar o calço de um dos trens de pouso do avião, que vai para dentro da aeronave, impossibilitando uma aterrissagem segura.

Tão logo percebem a cagada dos colegas, o piloto, o co-piloto e o comissário-chefe decidem sedar os passageiros da classe turista – incluindo as comissárias de bordo – para que não entrem em pânico, enquanto sobrevoam a cidade de Toledo em círculos, e não sintam o impacto do pouso.

Até então, nada mais do que uma fábula, não fossem os caricatos personagens, todos eles acomodados na primeira classe, que permane acordada: a velha maníaca (Cecilia Roth), a vidente santa (papel da ótima Lola Dueñas), o empresário fugitivo, o amante arrependido, o casal em lua de mel… E como em todas as suas comédias – ou todos seus filmes, melhor dizendo – há muitos homens gays, que transformam seus papéis em mais do que simples sketches de humor. A interpretação do sempre magnífico Javier Cámara rouba todas as cenas, e até os menos conhecidos se saem muito bem.

Ao mesmo tempo em que mostra as pessoas em seu estado mais animalesco – evocando o maravilhoso O Anjo Exterminador, do conterrâneo Luis Buñuel – Almodóvar não se limita a apenas expor o que há de mais bizarro e maluco na natureza humana, mas também desenvolve as histórias de maneira extraordinária, buscando respostas para os enigmas pessoais de cada um, e nunca deixando de depositar certa fé – embora a ideia pareça engraçada – de que esses dramas serão resolvidos até o final do filme.

Apostando, como já era de se esperar, em cores berrantes, diálogos mordazes, proferidos com rapidez estonteante, e situações burlescas, caricatas e engraçadas – já disse que são absurdas? –, o cineasta não desaponta. Embora os mais críticos possam dizer que é “mais do mesmo Almodóvar”, não há como negar que ele tem um estilo próprio, celebrado e aclamado – e que foi justamente esse estilo cativante, tão almodovariano, que cativou e continua atraindo tantas e tantas pessoas ao longo de sua vasta carreira cinematográfica.

2 comentários para “Crítica: ‘Amantes Passageiros’, e a fórmula de Almodóvar

  1. Tá na minha listinha de must-see da semana. (Atrasada, eu sei. SEMPRE ATRASADA) :3
    Parece bem bom e assim, Penelope Cruz, Antônio Banderas e Almodóvar… não tem como não dar certo.

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