Troco fidelidade por poesia

em 26 de setembro de 2013

Vai saber quanto pranto, tapa, lamúria, guerra e separação já foram causados por conta de “um momento, vamos transferir sua ligação”. Seria melhor dizer “eu não te amo mais”. Mais honesto falar “Eu nunca te amei. Só estava com você pelo dinheiro”. Você vê o fim se aproximando e finalmente decide tomar uma atitude, depois de muito pensar nos momentos bons e ruins que viveram juntos. Pega o telefone disposto a acabar tudo, disca pro SAC e de alguma forma sabe que não vai acabar bem. Não pode acabar bem. A ligação transferida, o golpe mais baixo para você ficar, é só a confirmação de que vai dar briga.

Todo mundo tem uma história dessas. Algum passado de cobranças indevidas, sabores errados de pizza, canais estranhos na TV a cabo, falta de sinal no celular ou velocidade torturante de internet. Essas coisas que levam ao fim. Pra começar uma relação, é preciso duas partes. Para terminar, basta a vontade de uma. O problema é a outra concordar com isso.

Em agosto, tomei um pé na bunda da revista Bravo!. Recebi uma carta avisando  que estava tudo acabado. Ela me dava três opções: a) Divisão de bens, em que eu receberia de volta o dinheiro que tinha empregado no futuro próximo da nossa relação; b) Trocar ela por outra revista da Abril à minha escolha; c) Não fazer nada e começar a receber Veja. Como eu não sei seguir sozinha e não queria seguir com a revista indicada, optei pela opção b. Liguei no SAC e não ouvi a frase sobre transferência de ligação. Em cinco minutos tinham entendido minha escolha. Fiquei feliz por ter terminado uma relação com a Bravo! e começado uma com a Info de maneira tão tranquila. De quebra, ainda receberia Veja de graça.

Chegou setembro e eu preparei a minha vida para minhas novas companheiras, arrumei espaço na cama, no revisteiro, no banheiro. Chegou Veja, ainda faltava Info. Chegou mais uma Veja e nada de Info. Estranho. Algo estava errado. Liguei no SAC e aquela frase foi dita. Por que tem que ser assim? Abri a garrafa de vinho, deixei a casa à meia-luz e coloquei músicas depressivas no tocador de Ipod, os três passos da dor.

A gente se sente desamparado nessas horas. Tudo que eu queria era receber os reviews de aplicativos do mês. Não era pra brigar, não queria gritar, não pretendia jogar as malas da revista pela janela e dizer para ela nunca mais voltar, chocando todos os vizinhos. Então, quando você é obrigado a ficar com alguém e não aceita os defeitos dele, só resta uma alternativa: mudá-lo.

Com alguns retoques, um aparada aqui, uma repicada ali, a gente poderia manter esse relacionamento. Pensei nos meus amores. A primeira coisa que veio: poesia. Era isso. Abri a revista e recortei todas as frases de impacto que pude encontrar e tentei criar relação entre elas. Qualquer coisa que fizesse sentido. O resultado virou até um tumblr:

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Quem ama muda. Quem ama vê poesia. Veja poesia

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