Te leio, te furo

em 25 de fevereiro de 2015

Esqueça.

Sim, esqueça.

O que você aprendeu com Sibila Trelawney e suas borras de café nas aulas vespertinas de Hogwarts, a dedução aguçada de Sherlock para descobrir como um sujeito se barbeia à luz da lua. Simplesmente esqueça a cartomante de Assis ou Lispector. A quiromancia tradicional de séculos. Esqueça o terapeuta de 250 reais por sessão. Você não é Tony Soprano.Uma barata não será tua guia espiritual. E esqueça porque não vou aconselhá-lo a olhar para dentro de si para encontrar a si mesmo e o que fazer com o seu futuro. Muito menos encarar olhos nos olhos no espelho e descobrir que eles não têm fim.

A solução é bem mais fácil. Em primeiro lugar: more ou visite São Paulo. Desça a famigerada Augusta paulistana durante o dia. Passe por bares, restaurantes naturais, cinemas de ruas e por quarteirões com nomes célebres de agora desconhecidos.

Encontre uma galeria com lojas de roupas transadas – estampadas e com duplo sentido, lanchonetes veganas, suplementos para esportistas e uma loja de tatuagem. Essa loja de tattoo (usando uma gíria para ser antenado) também abriga os famosos furadores. Faça um piercing. Qualquer que seja, na orelha, no septo, na gengiva ou na sobrancelha e ouça o que ele, o profissional do furo, tem a te dizer.

A orelha, a sua no caso, será o portal para sua alma e essência. Para sua personalidade tão bem escondida. Não seu ascendente, sua lua em gêmeos tampouco seu signo chinês. Ele contará a você suas motivações e dissecará sua personalidade tal qual um médico legista faria com um defunto de óbito desconhecido. Não se espante ao se espantar com os detalhes sórdidos sobre sua vida sexual, as posições, preferências e apetite. Fique perplexo e demonstre seu desconforto.

Pronto. Nem doeu tanto assim.

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