Os curiosos usos modernos da língua – Parte I

Trabalho como professor de inglês numa escola de idiomas da cidade onde moro e devo confessar que a quantidade de surpresas com as quais me deparo ao longo do dia a dia do trabalho compensa qualquer tipo de cansaço que possa me acometer. Me formei num curso de licenciatura e reconheço a importância crucial das discussões teóricas acerca da educação – mesmo –, mas a empiria é algo sem igual. Como é que Paulo Freire, por exemplo, pôde se tornar um estudioso da educação tão estupendo senão através do encarar cotidiano da sala de aula, seus problemas e suas vicissitudes?

Leia mais

A história nos detalhes – Parte IV

Para finalizar a série de textos que escrevi sobre a história nos detalhes, gostaria de falar brevemente sobre um dos textos que me inspiraram a escrever sobre os detalhes, um texto de Carlo Ginzburg intitulado “Sinais: raízes de um paradigma indiciário”, que foi publicado pela Companhia das Letras na coletânea de ensaios Mitos, emblemas, sinais – Morfologia e História.

Leia mais

A história nos detalhes – Parte III

Dando continuidade às colunas escritas nos dois meses que passaram, quero me deter um pouco sobre um curioso personagem do romance O sol também se levanta, do escritor norte-americano Ernest Hemingway. Publicado em 1926, o romance em questão se tornou uma obra emblemática para o que foi chamada de “geração perdida” pela escritora Gertrude Stein, entre outros motivos, porque expunha temas e questões que eram partilhadas por um conjunto de indivíduos cuja estada na Europa sob a sombra da guerra havia moldado profundamente seus espíritos. O personagem a que me refiro é Jake Barnes, o protagonista do romance, um ex-soldado que devido à guerra se tornou impotente.

Leia mais

A história nos detalhes – Parte II

No mês passado escrevi minha coluna sobre a história nos detalhes a partir de alguns elementos das histórias de John Steinbeck. Como foi possível observar, mesmo informações aparentemente menores possuem grande potencial significativo quando analisadas dentro de um quadro maior.

É provável que se analisássemos os detalhes pelos detalhes restringiríamos de forma brusca – para não dizer frustrante – a possibilidade de apreender significações ou problemas para serem discutidos. Por conta desse fato é que a análise de minúcias precisa vir acoplada a apreensões mais amplas e, nesse sentido, mais capazes de englobar o sistema de referência e circunstâncias nas quais elas foram originalmente concebidas.

Leia mais

A história nos detalhes – Parte I

Vocês já devem saber que eu desenvolvi minha pesquisa de mestrado sobre as obras de Steinbeck publicadas nos anos 30. Vocês devem saber também que eu tenho muito apreço pela obra desse escritor e pelo senso de responsabilidade ao qual ele não buscou se furtar ao longo de sua carreira – embora esse senso seja motivo de controvérsias em alguns momentos. Diante disso é que apresento o texto da minha coluna de hoje: investigar um detalhe que considero muito emblemático acerca da obra steinbeckiana dos anos 30.

Leia mais

A mentira ou como meu priminho me fez entender o que é verossimilhança

Há algum tempo, ouvindo um primo meu contar uma história a respeito de seu irmão mais velho, tive uma epifania com relação a um dos conceitos relativos à ficção que considero mais essenciais e mais difíceis de se explicar: o da verossimilhança.

Deixe de lado, por um momento, as inestimáveis lições aristotélicas sobre o conceito e seus desdobramentos. Acompanhe a história e veja se, como eu, você também entende a simplicidade indireta com que ele explorou as complexas circunvoluções desse conceito, e como acabou sendo enredado por elas mesmas.

Leia mais

Balzaquices e maríatribes ou As entranhas históricas dos personagens

Há algum tempo que eu vinha pensando em falar sobre esses dois livros e as incontáveis reviravoltas da história que se interpõem entre eles. A ideia surgiu como uma espécie de convite por parte do próprio autor de um dos livros em questão, Javier Marías, que cita a obra O coronel Chabert, de Balzac, na sua própria: Os enamoramentos.

Leia mais

Minha obsessão com clássicos

Tenho como uma obsessão pessoal entender a natureza do clássico. Escrevo isso não (necessariamente) como um paciente que faz uma confissão patológica no divã ou um contraventor que quer justificar, no momento do flagrante, decisões tomadas e atos levados a cabo. Não.

Leia mais

Histórias e Estórias – Vácuo, embalado a celofane

Essa coluna tem sido orientada pela pretensão de, apesar de seus vagos esforços notáveis de síntese, mostrar a matriz histórica das obras literárias, i.e., reconhecer que nas partícula literárias mais elementares existem cargas de historicidade. Tais cargas aparecem sob as mais inusitadas e insólitas roupagens e apresentações e dentro das mais intrincadas e tresloucadas tramas, afinal, seu diálogo com a dialética de sua origem divide espaço com os artifícios e prerrogativas da ficção, a qual, por si só, tem uma tradição gigantesca a precedê-la e, não raro, assombrá-la. Leia mais

Histórias e Estórias – Da ingenuidade – Parte III

Após Montaigne e Rousseau (sobre os quais escrevi nas colunas passadas), essa coluna pretende deter-se um pouco sobre algumas das colocações de Umberto Eco quando esse fala sobre a cultura de massa, não necessariamente que esse texto se volte à cultura de massa como um objeto, mas sobre o curioso título que Eco resolveu dar ao seu livro que discute a cultura de massa: Apocalípticos e integrados. Leia mais

Histórias e Estórias – Da ingenuidade – Parte II

Continuando com meus posts sobre a ingenuidade – que começaram mês passado com a defesa de Rousseau – proponho pensarmos um pouco sobre os escritos de Montaigne, não necessariamente o cerne de suas várias facetas, mas uma frase em especial que, aliás, é uma das que mais se destaca, mesmo perante todas as ramificações de suas investigações filosóficas: “A virtude como volúpia”. Leia mais

Histórias e Estórias – Da ingenuidade – Parte I

Esses dias me lembrei de uma vez em que ouvi alguém comentando que deixou de ler Rousseau porque o achava muito ingênuo. Como não tinha lido nada do filósofo além de fragmentos d’O contrato social, e só tinha ouvido discussões muito en passant sobre suas posições, ideias e concepções, acabei ficando quieto e até, se me lembro bem, cheguei a pensar que a ingenuidade era um motivo bem plausível para se abandonar um livro ou desistir de se aprofundar em algo. Mas será que é mesmo? E antes disso, o que faz um autor ou uma obra serem ingênuos? Leia mais