De Banville a Wallace

John Banville vem para a Flip deste ano e por isso decidi (por que não?) conhecer um pouco mais de seus livros. E decidi começar por O mar, não apenas por ter sido o vencedor do Man Booker Prize de 2005 (e grande mérito deve ter um livro que tenha batido Não me abandone jamais), mas por esse título simples que parece esconder alguma importante metáfora. A história, obviamente, não é sobre o mar, mas sobre a relação de um homem com o seu passado, mas me distraí logo nas primeiras páginas esperando que ele falasse mais sobre as ondas.

Não sei por que comecei a colecionar metáforas. Que há algo especial sobre as ondas é algo que, imagino, não escapa a ninguém. Elas são como um desses fenômenos ao mesmo tempo complexos e triviais, como a chuva ou o gelo, coisas de que quase sempre ignoramos o lado complexo, feito de uma complicada combinação de efeitos de vento, gravidade, temperatura, etc, para nos ocuparmos apenas com a parte trivial, composta da certeza de que sempre existiram e sempre continuarão a existir. Coleciono apenas metáforas assim, de coisas tão óbvias que acabem fugindo à atenção.

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De Atwood a Clarke

Ainda não terminei de ler O conto da aia, da escritora canadense Margaret Atwood, mas há uma cena, mais ou menos na metade do livro, que me deixou pensando sobre a maneira como a ficção científica (ou ficção especulativa, como a escritora prefere) funciona. Mas antes de falar disso, preciso explicar um pouco sobre a história do livro. O cenário é do tipo distópico, ou seja, algumas circunstâncias favorecendo, a sociedade acabou abrindo mão de alguns direitos fundamentais (segundo os padrões de hoje) e antes que fosse possível uma reação organizada, os Estados Unidos já haviam se tornado uma teocracia cristã. Nesse novo Estado, as pessoas são dividas em castas, e há um rígido conjunto de regras a serem seguidas, que, como costuma acontecer em sociedades hierarquizadas, são aplicadas sempre com mais severidade à medida que se desce a pirâmide social.
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Itinerários literários: De Vila-Matas ao rei Marcos da Cornualha

Entre as muitas entrevistas da Flip deste ano, houve um momento em que o escritor espanhol Enrique Vila-Matas subiu ao palco, sozinho, para apresentar uma conferência. Leu três textos, o primeiro deles dedicado ao amigo italiano, e também escritor, Antonio Tabucchi. Para mim, uma das memórias mais marcantes do evento.

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