Bruna Moraes: musa em flor

 A música me acorda de um sono profundo e me insiste, até que saia.

 

O último sábado de agosto (23) reservou uma surpresa e tanto para o público do teatro Eva Herz da Livraria Cultura (RJ) que, assim como eu, pouco ou nada conheciam sobre o trabalho de Bruna Moraes.

Estava lá, convidado pela assessoria para o show de apresentação da cantora às plateias cariocas; quando a menina começou a cantar minha primeira reação foi de incredulidade: “ela não pode ter só 19 anos”. Sim, Bruna Moraes tem apenas 19 anos e um vozeirão que assusta muita gente grande da cena musical brasileira.

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Música: Old but gold

Paul McCartney lançou um novo clipe semana passada. Queenie Eye é faixa de seu último CD, New, o primeiro de inéditas em seis anos, e tem feito sucesso por sua pretensiosa despretensão em ter como coadjuvantes estrelas como Johnny Depp, Sean Penn, Jude Law, Meryl Streep, Jeremy Irons, Tom Ford, além de Kate Moss dançando sobre o piano e outras celebridades. É tanta gente boa que identificar todas numa única visualização torna-se impossível. Quer tentar?

Esse fabuloso mise-en-scène (que também tem um super making of, que você pode ver aqui), contudo, pode eclipsar um pouco da qualidade musical de Queenie Eye, que embora não tenha o formato arrasador de sucessos como Live and Let Die ou Band on the Run, ambos da época dos Wings, certamente se coloca alguns degraus acima de muita musiquinha pré-cozida feita por artistas novos, com a pele ainda viscosa e curvas definidas. Leia mais

Do que eu falo quando eu falo de Clarice Falcão

Dia desses, me perguntaram o que eu via na Clarice Falcão. Sinceramente, não entendi muito bem a pergunta. Se me tivessem perguntado o que eu via em Garota exemplar, por exemplo, eu retrucaria perguntando se eles realmente estavam a fim de spoilers – para quem não sabe, fugi deles na minha resenha como o Cascão fugiria de um dia de chuva.

Minha resposta envolve fazer uma pequena playlist no final do texto. Uma playlist que serviria muito bem para Garota exemplar. Portanto, por mais que eu não cite explicitamente nenhuma razão para esta ser uma boa playlist para Garota exemplar, admito que, se você for esperto, essa listinha pode dar boas dicas (isto é, spoilers) sobre um dos romances que mais curti ler este ano.

Qualquer coisa, é só parar de ler antes de a lista começar. Fica o aviso. ^^

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Rock in Rio, disco novo e outras coisas

Eu ia escrever sobre o clipe novo do Vanguart, que foi gravado em Paranapiacaba e ficou lindo. Mas lembrei que eu devia ainda explicar para vocês que Naldo e Anitta não têm relação alguma com o Fora do Eixo (que eu saiba), mas, cá entre nós, são totalmente Fora do Eixo, não?

Foi quando fui assistir (trabalhar, que seja) ao show do Galldino, violinista do Teatro Mágico, com participação do Rodrigo Del Arc e do próprio Fernando Anitelli. Eu estava ali apenas gravando algumas músicas e, de repente, me emocionei. Resolvi que esta seria a próxima pauta! O que eu não sabia, era que aquilo era só o começo de uma semana totalmente maluca! Leia mais

Para quem um dia foi tiete

Eu prometi e voltei rapidinho. A vida é maluca mesmo. Já fui a tanto show, peça de teatro, espetáculo de dança e até ópera! Mas, vou dizer, nunquinha havia ido a um musical (vergonhosamente). Aqueles que unem tudo – dança, interpretação e muita música. Então, resolvi estar na plateia do “Tudo por um Popstar”, que ficou em cartaz por sete meses no Rio e estreou no Teatro Folha no último fim de semana.

O resultado foi positivo. Senti como se eu tivesse 15 anos novamente. A peça, baseada no livro de Talita Rebouças, conta a história de três amigas que fazem de tudo para conhecer seus ídolos – os Slava Body Disco Disco Boys. Senti que eu era a tia da turma da galera até seus 17 anos, que preenchia a plateia com alguns pais acompanhantes. Leia mais

O Cícero voltou! E trouxe Marcelo Camelo e Silva com ele

Não sou uma boa amiga. Eu sei disso. Prometo aparecer na semana seguinte e deixo todo mundo do Posfácio em falta. Estou tentando melhorar, tá? Estive no Rio, vi o Papa e agora serei alguém melhor. Mas, enquanto isso não acontece, vou contando as histórias de quem respira música, mesmo sem tocar uma nota.

Foi em 2011. Ah! Aquele ano seria especial. Meu amigo, Daniel Corrêa, disse: “ouve esse tal de Cícero. Acho que tu vai curtir”. No primeiro disco, o autógrafo: “Carol, desculpe não ter conseguido tomar uma cerveja com você. Espero que possamos nos esbarrar na estrada”. Esbarramos feio, demos um puta tropeço. E caímos nesta história. Leia mais

As bandas

Na sexta-feira do dia 12 fui ao Auditório do Ibirapuera assistir ao show do cantor Di Melo, o Imorrível, com a banda dos amigos Charlie e os Marretas e, devo dizer, foi sensacional.

Pra quem não sabe, Di Melo é um pernambucano, autor de um único disco, homônimo, de 1975, que tem como hit a fantástica “Kilariô” (“raiou o dia eu vi chuvê em minha horta…”). Já Charlie e os Marretas é uma banda paulistana composta por alguns jovens apreciadores do bom funk – não só o de James Brown, dirão no seu site oficial, como também aquele proveniente de New Orleans, da África e do Brasil. Leia mais

Show de Gilberto Gil: Política, protestos e som

Após uma viagem intensa e longa de seis horas para chegar em Paraty, o primeiro dia de FLIP começou para nós com o show de Gilberto Gil – o artista a se apresentar no debut da festa literária onze anos atrás.

Programado para as 21h30, o cantor e compositor baiano subiu ao palco após a apresentação musical de Luiz Perequê e pronunciamentos da idealizadora da Flip, Liz Calder, e do Prefeito de Paraty, Cazé, salientando a importância da festa para a formação de leitores na cidade. Leia mais

A MTV fica

Na MTV, eu nunca andava sozinha. Minhas ideias nunca andavam sozinhas. E elas podiam ser cuspidas a qualquer momento – sempre haveria alguém para acatar e tentar. Tentar era a palavra. E foi esse tentar que, em mais de 20 anos, formou profissionais completos em todas as áreas. Eu era uma jornalista que tentava pegar na câmera, editar um vídeo, cobrir um evento maluco ou acompanhar um artista durante um dia todo fazendo três papéis ao mesmo tempo – vídeo, foto e texto em tempo real, em um momento onde o iPhone era um notebook velho, uma câmera amadora, um cabo e um modem 3G.

Isso só para contar o lado de lá. De dentro daquelas paredes antigas que já abrigaram a TV Tupi. O elevador que quebrava constantemente e os andares de gente maluca correndo de um lado para o outro. Naqueles andares, já vi de Alexandre Frota a Mark Zuckerberg. A MTV foi minha escola e a escola de muitos outros que se deram bem na vida. Isso segue para quem assistia. Lá, era permitido usar a roupa que quisesse, era permitido falar. Era permitido ser criativo, ouvir música.

Foi a MTV que trouxe para o Brasil aquela música “suja” feita na gringa, aquele som que nossos pais nunca nos apresentariam. Foi ela também que revelou EMICIDAS, Criolos e até Restarts. E se você está dizendo agora “Restart é uma bosta”, é porque em algum momento você assistiu ao clipe dos Travessos na MTV e tem mais de 20 anos. Porque esse era o grande lance dessa emissora – ela nunca envelheceu. Se você tem entre 12 e 17 anos, provavelmente tenha visto o Acesso só para cantar “Te levo comigo…”. Sim, a gente descobriu o Restart. Mais do que isso, a MTV descobriu momentos comportamentais importantíssimos para diferentes gerações.

Quando ela pecou? Quando achou que aqueles que eram jovens nos anos 90 queriam voltar a ver televisão. Que sairiam de seus empregos coxinhas para sentar no sofá com toda sua indumentária e rever os hits que marcaram época. Ela pecou no dia em que subestimou os que agora são adolescentes.

E agora os rumores fora e dentro da TV apontam cada vez mais para seu fim. É um final triste. Mas não chega a ser um final. Ela formou gerações, marcou histórias. Não pode ser um final. Ela fica. Fica marcada com os rostinhos que mandou para outras emissoras, com os produtores, jornalistas e empreendedores que formou.

A MTV não vai. Ela vira história.

OBS: Quando a TV fez 20 anos, nossa equipe criou um site lindo que conta cada passo dessa trajetória. Clique e confira.

 

E, no Maranhão, o que é que tem?

Tenho tido uma overdose. Calma, de trabalho. Quando você resolve fazer da sua vida o que você sempre sonhou, acaba caindo num poço de responsabilidades sem fim. E se o que você sempre sonhou envolve produção de eventos, prepare-se para não dormir, comer, ler um bom livro, caminhar no parque ou – contraditório ou não – parar para ouvir música. A partir de agora, meu bem, você cuida para que tudo saia certo… Na vida alheia.

Mas é claro que existe o lado bom. E quando digo isso, não me refiro apenas à consumação que ganho nos lugares (beber de graça não faz mal a ninguém). Existe aquele momento em que toda a burocracia passou, em que seu cronograma foi cumprido, os músicos estão devidamente colocados no palco e, de repente, a música começa. Ali termina seu trabalho e começa a magia. Leia mais

Nem sol, nem frio. É Mormaço

Eu lembro da voz grave do outro lado da linha. “Espera um pouco, o interfone tocou”. Ele volta, imagino que se acomode no sofá e aguarda pelas minhas primeiras palavras. Ele era Marcelo Camelo e eu era uma jornalista/ admiradora/ pessoa-comum-muito-nervosa fazendo uma entrevista inteira a respeito do segundo disco solo – “Toque Dela”. Ouvi, li, estudei… Sabia exatamente o que eu estava falando. Mesmo assim, havia borboletas no estômago – e não, isso não é confortável. (Clique aqui e leia entrevista na íntegra)

É interessante como nós temos a mania de dizer que “o segundo disco é bom, mas o primeiro é muito melhor”. E fazendo aquela entrevista, percebi que o segundo não é pior. É só mais do mesmo. E se você espera do próximo álbum de alguém algo diferente do anterior, que te surpreenda, a dica é buscar outro artista. Leia mais

Mas eu não fui

Eu não fui ao Lollapalooza

Pois é. Sei que é um festival importante, que havia nomes importantes. Mas eu não fui. Falta tempo, dinheiro e paciência. Dormi no chão nos dois últimos festivais que compareci (Rock in Rio e Planeta Terra), então achei que não seria um dinheiro muito bem empregado. E convenhamos que já assisti a praticamente todos os shows que havia por lá – desde os atrasadinhos do Queens of The Stone Age no SWU 2010 até seis espetáculos consecutivos do Criolo logo que ele lançou o “Nó na Orelha”. E, como dizem, figurinha repetida não completa álbum – algo que os festivais estão longe de entender (e quem nunca comprou o álbum do Campeonato Brasileiro também).

Mas a Lola foi! É uma amiga e produtora do Sul que se hospedou por aqui. No fim, acompanhei toda a saga, desde as botas (previsivelmente) cheias de barro – só quem já viu show no Jockey sabe a dor e o prazer de voltar para casa cheio de lama – até a vontade quase incontrolável de estar no pós-Lolla que rolou no Bar Secreto com discotecagem do Kapranos (Franz Ferdinand) – o preço não é lá muito acessível, ela preferiu o sono.

Nas palavras dela, o “Queens não foi tudo que se esperava, o Black Keys foi legal e este foi o terceiro show na vida do Franz Ferdinand – mas sempre muito bom”. Balanço positivo, principalmente para quem veio de longe para o evento. A questão é: não fui ao Lolla, não me empolguei com as atrações do Rock in Rio e não aguardo ansiosamente para saber do restante do ano. Será que estou ficando velha ou o line-up que está?

Eu gostei de ver os Strokes no Planeta Terra, gostaria de ter assistido ao Pearl Jam e até cheguei a soltar minha veia não muito moderna quando soube do Bon Jovi por aqui. Mas a ideia desses eventos não é mostrar o que de mais novo e legal está rolando na música? Será que o mais legal ficou mesmo tão velho? Não é uma pergunta retórica, é somente uma pergunta. Estou realmente refletindo sobre ela e pesquisando, pesquisando, pesquisando.

O Black Keys e o Foals, na minha humilde opinião, foram acertos desta edição. Discorde sem medo. Em relação ao Rock in Rio, estou até agora pedindo a Deus que o Ivan Lins que está escrito lá seja uma banda maluca da Polinésia, ou algo assim, e acho que gostei mesmo foi do sapateado irlandês anunciado na programação. Não é uma crítica propriamente dita, só uma reflexão.

Noto que o trabalho das pessoas – de Van Gogh a Elis Regina – só começa a gerar interesse e, consequentemente, receita, após a morte dos artistas. Isso me intriga, já que sinto na música o culto aos mortos-vivos – aqueles que foram, não são mais, mas sempre estão.

Então, pergunto: tem um bom e novo nome que você gostaria de ver nos próximos festivais? Conta para gente!