A MTV fica

em 12 de junho de 2013

Na MTV, eu nunca andava sozinha. Minhas ideias nunca andavam sozinhas. E elas podiam ser cuspidas a qualquer momento – sempre haveria alguém para acatar e tentar. Tentar era a palavra. E foi esse tentar que, em mais de 20 anos, formou profissionais completos em todas as áreas. Eu era uma jornalista que tentava pegar na câmera, editar um vídeo, cobrir um evento maluco ou acompanhar um artista durante um dia todo fazendo três papéis ao mesmo tempo – vídeo, foto e texto em tempo real, em um momento onde o iPhone era um notebook velho, uma câmera amadora, um cabo e um modem 3G.

Isso só para contar o lado de lá. De dentro daquelas paredes antigas que já abrigaram a TV Tupi. O elevador que quebrava constantemente e os andares de gente maluca correndo de um lado para o outro. Naqueles andares, já vi de Alexandre Frota a Mark Zuckerberg. A MTV foi minha escola e a escola de muitos outros que se deram bem na vida. Isso segue para quem assistia. Lá, era permitido usar a roupa que quisesse, era permitido falar. Era permitido ser criativo, ouvir música.

Foi a MTV que trouxe para o Brasil aquela música “suja” feita na gringa, aquele som que nossos pais nunca nos apresentariam. Foi ela também que revelou EMICIDAS, Criolos e até Restarts. E se você está dizendo agora “Restart é uma bosta”, é porque em algum momento você assistiu ao clipe dos Travessos na MTV e tem mais de 20 anos. Porque esse era o grande lance dessa emissora – ela nunca envelheceu. Se você tem entre 12 e 17 anos, provavelmente tenha visto o Acesso só para cantar “Te levo comigo…”. Sim, a gente descobriu o Restart. Mais do que isso, a MTV descobriu momentos comportamentais importantíssimos para diferentes gerações.

Quando ela pecou? Quando achou que aqueles que eram jovens nos anos 90 queriam voltar a ver televisão. Que sairiam de seus empregos coxinhas para sentar no sofá com toda sua indumentária e rever os hits que marcaram época. Ela pecou no dia em que subestimou os que agora são adolescentes.

E agora os rumores fora e dentro da TV apontam cada vez mais para seu fim. É um final triste. Mas não chega a ser um final. Ela formou gerações, marcou histórias. Não pode ser um final. Ela fica. Fica marcada com os rostinhos que mandou para outras emissoras, com os produtores, jornalistas e empreendedores que formou.

A MTV não vai. Ela vira história.

OBS: Quando a TV fez 20 anos, nossa equipe criou um site lindo que conta cada passo dessa trajetória. Clique e confira.

 

8 comentários para “A MTV fica

  1. Nossa a MTV praticamente me formou musicalmente eu babava assistindo aqueles clipes daquelas bandas mais alternativas outras nem tanto, bandas indie rock e pop, foi muito bom ter assistido a MTV sem ela a música não teria penetrado na minha vida de uma forma tão intensa e tão boa e olha que comecei a assisti a MTV quando ela foi para parabólica no final de 2008 até 2011 quando a MTV musicalmente falando já não era tão boa em música. Foi muito bom ter sido apresentado a tanta música boa e ruim também. Quando ela saiu da parabólica nem fez tanta falta assim (eu não tinha tv a cabo) eu já tava grandinho em música e poderia me virar sozinho eu mesmo procurar as bandas e os clipes que queria ver, a cada dia bandas diferentes e vários estilos do mundo todo mas sem a MTV minha vida provavelmente teria sido um pouco diferente e mais chata pois eu não conheceria a MÚSICA.

  2. Ah que lindo! <3
    Ok nunca trabalhei na mtv.. Mas já fui em alguns programas.. e a MTV é/era o melhor lugar para se estar, para se divertir… Fiz muitas amizades que eu vou levar para o resto da minha vida!!!

  3. a Mtv criou uma geração de apaixonados por musica boa com suas paradas diárias seus programa de fofocas seus reality seus acusticos e unpluggeds seus programas revolucionários apresentadores talentosos e sempre roubados por outras emissoras jeito simples qualitativa a Mtv impressiona ate enchendo linguiça nos seus intervalos cheios de vinhetas q ate dão medo as vzs Mtv sempre vai existir espero q ela nao morra nao mesmo se tornando a cabo

  4. Pode ser o “fim de uma era” mas não o fim da MTV Brasil.

    Uma fase está acabando e uma nova está começando. a MTV Brasil não vai acabar, ela apenas vai mudar a sua forma de chegar até as pessoas. É ruim e bom ao mesmo tempo. É ruim pelo fato daquele prédio da Alfonso Bovero 52 ter acobertado os melhores 22 anos da emissora, das pessoas que passaram por lá e de muita coisa boa (e até mesmo ruim) que aconteceu lá e isso está na memória de cada funcionário que trabalhou neste endereço. É bom pelo fato de que planta uma esperança de termos uma Music Television nova, mais musical, mais jovem…..enfim, melhorar o que ja estava bom e olha, é apenas uma esperança de que isso venha acontecer.

    Também espero que as pessoas que fizeram a MTV e vão fazer ela até o seu fechamento do sistema aberto de tv possam ser reaproveitados na nova fase, sei que muita gente boa, talentosa e criativa circularam e circulam pelos corredores e escadas daquele prédio no Sumaré. Para nascer algo, algo sempre morre.

    A frase “Eu quero a minha MTV” continua vivo.

    Saudações a todos.
    James Eduardo.

  5. O que muita gente esquece é que um canal necessita de dinheiro para funcionar, o problema é que mídia mudou (industria fonográfica), às gravadoras não tinham mais como gerar renda para MTV, por sua vez a MTV não soube como explorar a nova mídia ( mp3, real network, apple (itunes), etc … ), os grandes shows de hoje, nos dias atuaís os artistas dependem …

    muito mais das produtoras de shows e espetáculos que das gravadoras, algo muito óbvio de percepção.
    Provavelmente as velhas cabeças da administração não anteviram isto !
    Um exemplo é a real network, ela possuí cerca de 140 milhões de clientes,
    já a industria fonográfica em pleno declínio,
    Lamentável todos nós perdermos um canal voltado a cultura.

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