Da arte de esquecer

em 6 de janeiro de 2014

Esqueça o fim do ano. Esqueça os sonhos e as decepções. Esqueça o livro genial que você escreverá no ano que chega. Esqueça o “sim” que você pode receber daquela editora. Ou o “não” que chegará daquela outra. Esqueça a resenha que nunca veio. Ou aquela que nocauteou o seu projeto. Esqueça a ideia revolucionária que você (e mais ninguém da área editorial) terá. Esqueça as ideias usuais que você (e outras milhares de pessoas) tem todos os dias.

A retrospectiva pessoal sempre pode ser cruel. Cheia de altos e baixos. Deste ano posso comemorar altos “nível Everest”, como estrear e manter minha coluna no Posfácio e iniciar um trabalho especial de edição para o Fronteiras do Pensamento. Beberei uma taça de champanhe por eles. E baixos “barracos e barraqueiros” que, certamente, me perseguirão como se eu fosse Ebenezer Scrooge. Um beijo para esses. Fiquem bem.

No fim das contas, o ano pode ter sido como um livro bom ou um livro ruim. Pode ter sido ótima leitura, ficar guardado na memória, provocar sentimentos bons. Mas pode ter sido péssima leitura, gerando arrependimento e sensação de tempo desperdiçado. No resultado, vale a experiência e a certeza de que muitos outros livros virão.

Aproveite o novo ano para desengavetar muitos projetos. E engavetar outros tantos. Nem sempre continuar tentando é o que importa. Mas permanecer alerta e simples. Simples como o ato de escolher um livro para a sua próxima leitura. Que ela seja boa!

Feliz 2014, Posfácio!

Na Página 28 de O sonâmbulo amador, de José Luiz Passos:

“Quando entro em algum canto e sinto um cheiro forte, esta fica sendo a minha impressão. E muito embora isso seja raro, às vezes acontece de eu sentir, sem motivo algum, o odor daquele ambiente mesmo estando em outro lugar, o que sempre me vem de supetão. Foi o que se passou ali. Quando Minie abriu a porta e veio aquele perfume adocicado, lembrei das primeiras vezes em que estivemos juntos. O fato é que, pensando naquilo, sorri e não disse mais nada. Fiquei parado.

Oba, há quanto tempo. Por aqui logo esta noite, que honra, ela falou.” 

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