Verão Infinito #0 – Uma intro

em 15 de dezembro de 2014

Hoje começa o Verão Infinito do Posfácio. Sim, começa hoje. Damos a largada e avisamos. Muitos estão com o livro há mais tempo, outros acabaram de receber. O importante agora é começar a maratona.

Todos a postos? Livro em riste, óculos e olhos focados, trabalhos de supino em dia para carregar tamanho calhamaço?

Existem dezenas de motivos para ler Graça Infinita. O primeiro de todos é: este é um tijolo de 1100 páginas e 1,5kg que você irá carregar na praia, nas viagens de fim de ano, no ônibus para o trabalho em janeiro e possivelmente usar como travesseiro em algum momento. A parte que torna isso tudo um bom motivo é apenas que sofrimento cria caráter.

Além da nossa preocupação em tornar todos vocês pessoas melhores, DFW é fantástico. Nós já avisamos vocês sobre isso algumas vezes aqui e aqui, então aqui vou falar apenas do livro.

“Graça Infinita” supostamente seria um filme produzido por James O. Incandenza, falecido durante a maior parte da historia. Este seria um filme tão hilário e tão viciante que ninguém consegue parar de assistir, levando todos os telespectadores à morte (alguém lembrou do livro de comédia em O Nome da Rosa?). Um grupo terrorista do Quebec composto por pessoas em cadeiras de rodas parece bastante interessado em adquirir uma cópia para usar em ações políticas. Isso coloca em perigo a família de Incandenza, cuja viúva e filhos moram em uma escola de tênis. Vizinhos a esta escola temos todo um núcleo de personagens que vivem em um centro de reabilitação e frequentam reuniões dos mais variados centros de apoio (alcoólatras anônimos, narcóticos anônimos, carentes anônimos…).

 

Sim, eu sei. Não faz sentido algum. Lembra ali em cima, quando mencionei que sofrimento cria caráter? Você vai se tornar uma pessoa melhor após as primeiras 300 páginas. Você vai finalmente entender a cronologia (ela existe), conhecer os personagens (são dezenas, e todos detalhados e bizarramente interessantes) e começar a entender as relações entre os diversos núcleos. Mas quando tudo fizer sentido e você estiver apaixonado pela historia, o livro vai acabar, te deixando em desespero. Você vai querer reler. Você vai ficar louco para discutir a história com seus amigos. Você não vai contar nada para eles por medo de spoilers. Você estará viciado em Graça Infinita.

Pausa dramática
(tan tan tan)

Sim, viciado.

Fim da pausa dramática

O tema central do livro, para mim, são vícios. Existe o vício no filme. Existem os mais diversos tipos de vícios em substâncias com descrições gráficas de todos os efeitos e consequências, muito além de qualquer curiosidade que você tenha sentido em qualquer ponto da sua vida. Cada personagem, se você prestar atenção, terá uma obsessão. E existem as overdoses. O livro em si é um excesso e você pode se sentir abusando de todos os limites ao tentar seguir em frente na leitura, mas não vai conseguir largar. Ou vai largar e voltar. Ou será o tipo de lunático que lê mais de uma vez esse maravilhoso tijolo, como alguns de nossos integrantes do Posfácio.

E isso porque a imaginação de DFW é infinita. O humor é incrível e, na maior parte das vezes, involuntário. As situações são tão absurdas que você vai querer saber se elas possuem um limite (já adianto: não possuem). Você não vai encontrar nenhum livro que tenha um personagem tão humano (e ao mesmo tempo tão longe disso) quanto ____ (spoilers, sweetie). Tente lembrar de todos os livros/filmes/séries que abordam famílias disfuncionais. Certamente não chegam próximos do que são capazes os Incandenza. E você vai querer saber o fim, mesmo depois de terminar de ler.

Obviamente não vamos deixar você passar por isso sozinho. Nós seremos o seu grupo de apoio.

Como isso vai funcionar? A leitura será de 90 páginas por semana, começando hoje e com uma pausa para o Natal. A cada segunda-feira teremos um post aqui no Posfácio sobre a leitura da semana anterior. No entanto, não queremos postar resenhas-pílulas para vocês se chatearem e ficarem aborrecidos. Cada pessoa que escrever o texto semanal seguirá seu próprio estilo, poderá ser por tópicos, por personagens, por notas de rodapé, quem sabe até mesmo uma tal resenha. Por isso cremos na discussão prolongada nos comentários e/ou nas redes sociais com as hashtags #posfacio #veraoinfinito #dfw. E vocês são mais do que convidados a participar. O cronograma previsto está a seguir:

Semana 1 – págs. 5 a 94 – 15 a 22 de dezembro (Felippe Cordeiro)
Intervalo para o Natal
Semana 2 – págs. 95 a 185 – 29 de dezembro a 4 de janeiro (Guilherme Magalhães)
Semana 3 – págs.186 a 276 – 5 a 11 de janeiro (André Araujo)
Semana 4 – págs. 277 a 366 – 12 a 18 de janeiro (Isadora Sinay)
Semana 5 – págs. 367 a 457 – 19 a 25 de janeiro (Bruno Mattos)
Semana 6 – págs. 458 a 548 – 26 de janeiro a 1º de fevereiro (Daniel Falkemback)
Semana 7 – págs. 549 a 638 – 2 a 8 de fevereiro (Simone Vollbrecht)
Semana 8 – págs. 639 a 729 – 9 a 15 de fevereiro
Intervalo para o Carnaval
Semana 9 – págs. 730 a 820 – 23 de fevereiro a 1º de março
Semana 10 – págs. 821 a 910 – 2 a 8 de março
Semana 11 – págs. 911 a 1002 – 9 a 15 de março

Existe uma tabela de equivalência para o ebook aqui e estaremos prestando suporte (até mesmo psiquiátrico) pelo email verao@posfacio.com.br.

Durante o Verão todos estão convidados a comentar e, eventualmente, participar dos textos principais a partir da semana 7.

Calma, ainda não acabou não. Temos algumas dicas para vocês não se perderam:

1 – Use dois marca-páginas, um para a leitura do romance e outra somente para as notas de rodapé (as notas de rodapé têm notas de rodapé e antes da página 100 já foram mais de 30 notas);

2 – Post-its, marca-texto, caneta e sublinhados. Razão: muitos personagens, muitos anos a serem decorados, muitas situações que, talvez, fiquem sem explicação. O ideal seria ter dois tipos de marcação a sua escolha;

3 – Preste atenção na cronologia. Principalmente quando ela der as caras.

4 – Quando comentarem algo que contenha spoilers, façam o aviso SPOILER antes do texto e depois /SPOILERS para indicar que terminaram;

5 – Se quiser citar mais de uma pessoa que comentou use @nomedousuário para ele saber.

Bem vindos ao Verão Infinito. E desculpem qualquer falta de sentido nesse texto. Digamos que foi alguma coisa que eu comi.

58 comentários para “Verão Infinito #0 – Uma intro

  1. Putz.. Se eu não estava convencida em embarcar nessa.. com o post de hoje fiquei absurdamente cutucada.
    O que fazer? Onde tem ebook? please
    Não posso ficar pra trás.
    hahahha

    companhiadepapel.blogspot.com
    Camilla Caetano

  2. Já passei da metade do Graça Infinita e concordo: é viciante. Gosto muito de Joyce e não consigo parar de procurar (e encontrar) paralelos entre os romances (Ulysses, no caso). Acho até que vou escrever sobre isso. Até agora o personagem que mais de intriga é o Hal (como lidar com aquele primeiro capítulo?) Você não acha que ele tem uma pitada de Holden Calfield? Algo que faz parecer que ele não está contando tudo, apesar de seus pensamentos serem extremamente detalhados… enfim, pensamentos esparsos. Vou continuar acompanhando o posfácio enquanto leio o Graça. Dessa leitura em conjunto podem sair interpretações muito variadas e interessantes! Vocês deviam propor o mesmo com outros livros (:

    • Nos ajude a identificar os paralelos nas semanas de leitura, Gabriela! 🙂 Eu estava tentando levantar os que ocorrem com Hamlet <3

      E, segundo o nosso editor maravilhoso tem a possibilidade de organizarmos outras leituras coletivas se essa der certo 🙂

      • De acordo com o DFW, Hamlet meio que surgiu sem querer, quando ele releu é que se tocou das referências. Vale ficar atento. E não vamos esquecer que Stephen Dedalus tinha as mais loucas teorias sobre Hamlet e Shakespeare

  3. Tem a melhor abertura que já li. Estou impressionado; sim eu sabia do “poder” dessa história, mas não imaginava tanto

    • Augusto, o pior é que senti tanta veracidade naquele negócio que logo me remeteu a “O demônio do meio-dia”, do Andrew Solomon, e outra história de DFW “A pessoa deprimida”, do livro Breves Entrevistas com Homens Hediondos. Acho que vale uma leitura mais pra frente desses dois para fazer um paralelo, mas só por curiosidade. 😉

      • Não li o Breves Entrevistas porque está esgotado. Mas sem dúvida essa é a melhor descrição de depressão que já li na vida. SENSAÇÃO. CORPORAL. LÚGUBRE.
        Anotei a dica do Andrew Solomon. Valeu, Felippe. Esses links são valiosos.

        • Jura que está esgotado? Está aí uma oportunidade para a Companhia relançar antes de chegar The Pale King!

          O do Solomon vale muito a pena. Sério mesmo. Lá no post da Semana 1 citei isso novamente.

  4. Comecei o livro ontem ( procurando a melhor forma de equilibra-lo) e já fui surpreendido pelas primeiras 50 páginas. Com esse texto fiquei muito mais ansioso pelo o que estar por vim.

  5. (…) gostei muito da iniciativa desta leitura coletiva. estou lendo no inglês, mas acho que consigo acompanha-los. ao menos visitarei o posfácio regularmente. de fato, um livro dos mais intrigantes, inteligentes, viciantes (no melhor dos sentidos – se acaso pudermos assim considerar), com personagens incríveis envolvidos em uma multiplicidade de tramas divertidíssimas. faz rir e se emocionar. uma graça!

  6. Opa, também tô aqui com vocês. Dessas nossas primeiras 99 páginas eu acho que o que mais me fisgou foi essa vertigem voraz da narrativa (perdi por duas vezes o ponto de ônibus/estação de metrô) que me lembrou vonnegut e um tom “mosaical” da trama que me lembra o quase sempre esquecido john dos passos. tenho comentários um pouco mais consistentes pra fazer depois, só não queria perder a farra do começo aqui 😉

  7. Curiosa e casualmente, comprei minha edição ontem à tarde, e ao chegar em casa me deparo com esse texto delicioso. Comecei imediatamente, naturalmente. Só acho que essa história de ter um recesso para o Natal não vai dar muito certo, continuaremos todos viciados, sem querer saber de viagens natais feriados etc. Que o verão se infinite!

  8. Puxa vida, que texto mais animador! Assim é uma pessoa contaminada pelo DFW de verdade! Fui lendo e me lembrando das coisas… O humor, sim! As cenas com o Mário, sim! A física e a matemática, sim! ESCHATON, sim!

    Estou com minitremores de abstinência. Parabéns pela apresentação, SImone!

  9. E eu, que não escrevo em livro, como é que faz/como é que fica/André tô te ligando pra esclarecer dúvidas abç

  10. Tô impressionado com o detalhe das descrições das drogas: moléculas, fabricantes, tudo indo da linguagem de prontuário à gíria em uma sentença; exceto pela maconha, que ele tem tratado com mais carinho. No final das contas, qual era a do DFW com esse mundo?

  11. Ah Bruno, eu tbm não escrevo em livro (nem colo postite) mas abandonei minha religião e meu exemplar já tá ENTUPIDO de postites

  12. Interessante, mas muito superestimado (assim como essa postagem).
    DFW nada mais é que uma versão teen de Thomas Pynchon.

  13. Desde que vi na internet que o livro já estava a caminho das prateleiras, procuro feito louca em todas as livrarias que piso. Encontrei, e a sensação que me deu ao, finalmente, segurá-lo já foi coisa de louco. Fiquei sabendo do livro e de DFW há algumas semanas, e em cada texto que leio sobre ele, sou dirigida a mais e mais textos sobre o autor e sobre as mind trips e mind traps que ele prosificava.
    Estou curtindo os cheiros e lendo cada notinha antes de enfim, começar a ler. Começarei um pouco atrasada, já que hoje já é dia 19, mas acho que acompanho vocês. Eu que não sou louca de ficar por fora de uma infinitude dessas! Rumo a um verão inesquecível, já posso prever. Estou animada feito uma criança!
    Iniciativa maravilhosa. Que comece o verão, e que seja de fato infinito para todos nós.

  14. Pode ser petulância minha, (se assim parecer, peço até desculpas), mas acho que todo esse clima de efusão pré-leitura do livro, de toda a repercussão que ele provocou, um negócio absolutamente destoante com as pretensões estéticas que o DFW deveria ter em mente antes e durante começar a escrever o livro. Fico cada dia mais convencido disso. A impressão que me dava lendo os posts de Galindo no blog da companhia, seus posts marketeiramente abobalhados no twitter e no facebook seriam capazes de fazer qualquer pessoa desprevinida a pensar que o livro é tão DIVERTIDO e BACANUDO feito uma colônica de férias de verão. Não queiro aqui fazer as vezes de um fiscal, mas cabe lembrar que, ao contrário do que nego diz, esse livro foi feito para ser INTOLERANTEMENTE TRISTE, e os exemplos disso, garanto, vão muito além do anedotário . Exemplifico isso com uma cena aparentemente “pulável” na qual somos informados que Anto Doucette, um dos inúmeros membros da academia de tênis, está severemente deprimido, muito em função das exigências acadêmicas, afetivas e ateléticas requeridas àqueles que toparam entrar na ETA,. Como a coisa parece estar bem série, a galera é orbigada a solicitar a presença de Lyle., o air-bag-espitual-da-rapaziada. Ainda assim, e aqui é que está o ponto, isso não coibe seus colegas mais irreverentes de subestimarem debochadamente da crise do moleque, tripudiando de sua “fragilidade” etc e etc,. Nisso, acho que Pemulis?, pergunta a um outro colega, que tinha cabado de sair da sala em que isso acontecia, o porquê daquela algazarra toda, e então o outro diz (cito de cabeça, portanto, adeus estilo, adeus forma, adeus tudo): Ah, mano. É Anton Doucette. Ele anda meio deprẽ nos útlimos dias, mano. Tá foda pra ele. Mas não pra “zueira”. A galera tá aloprando o coitado, mó dó. Sei lá, acho que uma pessoa sofrendo nunca poderia ser entretenimento..”

    • Vou tentar responder sem dar spoilers, mas acho que vai ser difícil. Quem não gosta de spoilers, favor evitar meu comentário!!!

      Trismegistus, eu discordo um pouco que o livro seja feito para ser intolerantemente triste. Ele possui partes bastante pesadas mas que tem um humor involuntário pelo absurdo, como a situação do amordaçado gripado, por exemplo. A cena/situação é horrenda, mas ainda assim é tão absurda que chega a ser engraçada. O pedaço inteiro onde ele descreve porque videofones não deram certo é completamente hilário. A parte em que o Barry Loach passa meses morando na rua e implorando para alguém encostar nele me fez fechar o livro por dez minutos e rir/chorar/rir/chorar/rir quando o Mario apareceu. Isso tudo porque DFW não é só triste, mas sempre coloca um humor torto nas coisas. Tem um texto dele sobre Kafta em que ele lamenta horrores que as pessoas não vejam o humor que está presente nos textos mais pesados, citando: “For me, a signal frustration in trying to read Kafka with college students is that it is next to impossible to get them to see that Kafka is funny … ” (texto aqui http://harpers.org/wp-content/uploads/HarpersMagazine-1998-07-0059612.pdf)

      • Oi, Simone! Obg pelo retorno! ::)

        Então, sobre a cena em que Gately barbariza o sujeitinho responsável por levá-lo pra prisão (de acordo com seu entendimento, sob alegações injustas) me causou mais angústia do que risos., pois achei a coisa mais patética (com ênfase no “pathos” de patético”) do que engraçada. Questão de ângulo, claro.

        • A cena da ascensão e queda da videofonia me impressinou muito mais pelo seu poder profético do que por qualquer outra coisa. A hipótese da “crise social” após a chegada de uma tecnologia interativa com o auxílio da qual os usuários não apenas poderiam se ouvir como também se verem (mutuamente) antecipa em anos o que viveríamos com mais densidade somente agora. É incrível pensar que ele projeta aquilo antes da criação e popularização do PHOTOSHOP, por exemplo.

          • Sobre a saga de Loach, sim, também achei bem picaresca, pode render boas risadas, mas minha reação foi bem diversa. Pra não ser injusto, devo admitir que a cena em que Poor Tony rouba a bolsa de Kate Gombert, e a consequente perseguição que Ruth Van Cleve empreende para detê-lo, me divertiram bastante. Só que nesse mesmo trecho somos informados que Kate chocou-se violentamente contra o poste que estava a sua frente, em decorrência do puxão dado por Poor Tony para arrancar a bolsa de suas mãos. O mendigo fetidamente imundo que vem acudí-la, a impotência física e mental que a impede de afastá-lo (e se livrar daquela tortura olfativa), tudo isso exaustivamente aflitivo, muito mais do que engraçado.

  15. A parte final que é central. Esse auê todo, na minha modesta opinião, num tem nada a ver com o livro., e esse trecho aí sintetiza bem o que eu tô tentando dizer Esse clima de estupefação e tietagem é bem incompátivel pra recepção da coisa. Mas é opinião, solamente., tudo que eu disse é altamente subjetivo e dscutível, sei muito bem disso. Vai ver tem gente que realmente acreidta que o negócio é agradável de ler, recreativo, HILÁRIO, DIVERTIDÃO…. espero que seja, só que pra mim, lamentavelmente, num foi. E não quero com isso hegemonizar minha recepção, pontificar como se deve interagir emocionalemente com o troço e blablabla, mas eu devo dizer que saí do livro todo fodido e acabado. Num me senti afagado nem alegrinho em momento nenhum, pra dizer a verdade. É porrada pra tudo quanto é lado, sem trégua. É um livro DESGgraçado, DESgraçado… DESgraçado.

    ABRAÇOS pra geral!

      • Sobre o texto a respeito do humor de Kafka. Então, Simone, eu tendo a achar que esse ensaio nos fala mais sobre a fragilidade emocional dos americanos do que do pretenso humor presente narrativas de Kafka. Se me lembro bem, sua principal tese é a de que seus conterrâneos foram adestrados com doses cavalares de um tipo de entretenimento que PHOTOSHOPA todos os aspectos da vida que estão direta ou remotamente ligados à idéia de sofrimento e desengano. Por causa disso, ele avalia que as pessoas familiarizadas a esse tipo de show ficaram quase que irreversivelmente ariscas a qualquer história, filme ou literatura que abra a caixa-de-pandora cautelosamente fechada pela indústria da distração-reconfortante. O corolário, conforme, ele teoriza, seria: tudo que não for analgesicamente bacana, será considerada pelos americanos como sisudo e aborrecedor. A tese, mesmo como reflexão sociológica, me parece ser certeira, mas, mesmo assim, eu diria que pouco ou nada contribui para que a gente tenha surtos de gargalhadas “Diante da lei”. Precisaria ler outra vez, porque, de cabeça, eu seria incapaz de lembrar sequer de um exemplo usado pelo DFW pra ilustrar de modo acachapante o talento humorístico de Kafka.

        • Os diálogos entre Hal e Mario são de fato sublimes. Lembro de um em que Hal repreende vigorosamente o otimismo panglossiano de Mario. A benevolência inesgotável do irmão soa pra Hal como aberração, e não como dávida. E acho que é dessa tensão que deriva o lirismo dos momentos em que eles trocam idéias.

  16. ERRATA: relendo esse post, pra além de todas as bobagens que eu disse, eu só gostaria de fazer reparação em uma coisa, putaquepariu: quando falo sobre os post do Galindo. ESQUEÇAMTUDO, pfv. Falei merda, reconheço e tenho o dever de me retratar. A atuação dele como divulgador do livro foi a mais natural e desejável possível. É evidente que ele precisou ressaltar os pontos que, segundo julgou, seriam potencialmente atrativos pro leitor que ainda não conhecesse o DFW. Tosquice minha de classificar de “abobalhados” os aspectos que ele realçou , a forma como ele “vendeu” o livro etc e etc. Falei de impulso, e quebrei a cara, porque fui arrogante e estúpido, simultaneamente. Gostaria muito de ter apagado tudo, só que só depois caiu a ficha de que num dava. Remorso mosntro! Por isso fiz essa correção todo, desculpas e desculpas. ;(

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