Verão Infinito #11 – Semana 11

por Felippe Cordeiro e Simone Volbrecht

Anteriormente no Verão Infinito… todas as semanas.

A derradeira semana do Verão Infinito não é para os fortes, não é para os adiantados, tampouco para os atrasados. Não é para ninguém. Confuso? Não. Como bem apontou a Camila von Holdefer1 na Semana 7: “O que significa, hoje, iniciar uma leitura coletiva de um livro com fama de difícil, uma leitura coletiva que não usa a autoironia como escudo contra a insegurança? Uma leitura coletiva que não finge tédio e não aponta o que há de cínico no romance?”

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  1. Resenha da Camila está em seu blog

Verão Infinito #10 – Semana 10

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Ok, não tem mais jeito. Está acabando. É o fim.

Essa semana se divide entre nossos dois pseudoprotagonistas, cada um em situação bizarra própria de não conseguir se comunicar com quem está em volta.

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Verão Infinito #9 – Semana 9

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Olá, sobreviventes!

Faltam duas semanas para o final do Verão Infinito e um pouco mais para o final do verão real. É o momento perfeito para perceber que

1) esse tijolo está chegando ao fim e você sobreviveu a ele; e

2) você poderia estar na praia, aproveitando o verão, tomando cerveja, curtindo o carnaval ou algo semelhante, mas estava lendo este livro. Você poderia estar trepando, mas tinha um cronograma de leitura a cumprir. Então é bom que DFW não estrague o final, não é mesmo? Leia mais

Verão Infinito #8 – Semana 8

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Tem essa guria – chamemo-la S. Ela está no metrô quando se depara com um rapaz – chamemo-lo M – que desafia algumas leis da física a fim de apoiar e conseguir ler o calhamaço que tem em mãos. Se a S é negado o prazer de investigar qual seria o título do romance – este não consta na capa, mas, em letras garrafais brancas contra o fundo laranja, no corte da cabeça e do pé do volume – ao menos ela tem a oportunidade de dizer ao moço o quanto gosta daquele livro, o que faz de imediato. M, ao travar contato com moça tão simpática, se dá conta de que o esforço não foi em vão – ele planejava deixar o exemplar físico numa estante enquanto prosseguia na leitura no kindle. S lhe fala de um clube de leitura virtual que se iniciará em breve e – conversa vai, conversa vem – essas duas pessoas descobrem que têm um amigo em comum: este que vos fala. Leia mais

Verão Infinito #7 – Semana 7

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549-638.

As coisas andam depressa.

É improvável que alguém que tenha chegado até aqui vá abandonar o livro em seguida.

Receio de desperdiçar o esforço?

Não.

Digamos que você tenha embarcado em Graça infinita e se sentido meio perdido nos primeiros instantes. Normal. O começo da viagem pode ser meio desagradável. Pode ser aterrador. Mas aí as paisagens começam a ficar conhecidas — não, todavia, de um jeito monótono. Os lugares que você vê pelas janelinhas não são previsíveis ou cansativos. Não têm relação com os cenários que você enxergou a vida toda. O que mudou? Você não está se sentindo tão desconfortável. Só isso. Você concordou em se deixar levar porque conseguiu calcular os riscos e enxergar o objetivo. Você não está mais assustado. Você começou a curtir a viagem. Você perdeu o medo. Você não está mais olhando apavorado ao redor, tentando adivinhar aonde diabos tudo isso vai levar. Você não tem mais vontade de saltar e sair correndo. É daqui para a última parada. E você intui mais ou menos qual vai ser a última parada. O que, acredite, é bom. Leia mais

Verão Infinito #6 – Semana 6

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Acredito que, até o momento, ninguém te disse que Graça infinita é um livro fácil. Difícil aí é ver, então, o que é um livro fácil. Talvez nenhuma obra literária possa ser considerada realmente fácil. Apenas aprendemos a ler um código de um determinado modo. Uma série de escritores tenta seguir esse código e conseguimos nos entender. Ao menos até certo ponto. Esse código (que pode ser chamado de língua, afinal de contas) tem seus limites bem acertados entre nós, ou melhor, entre aqueles de nós que se sentem no poder para acertar esses limites.

Infinite Jest, digo, o livro em inglês mesmo, foge dessa regra. Ele nos engana. Parece ser fácil, mas não por seguir um esqueminha, aquele esquema que nos faz entender O pequeno príncipe, por exemplo. A língua, o inglês mesmo, parece quase não literário de início. Estamos lendo apenas relatos muito, muito rebuscados de algumas pessoas em um futuro nada distante, que nem pode ser chamado de futuro direito. As ideias mesmo de anterioridade e posterioridade que a língua em geral nos dá parecem estar ali no texto, parece que vamos entender as coisas uma após a outra, como numa reação em cadeia. Hal Incandenza faz algo que deriva em outra coisa, e assim por diante. Mas não, Infinite Jest não funciona bem assim. Leia mais

Verão Infinito #5 – Semana 5

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Talvez seja hora de pararmos um pouco e pensarmos no que estamos fazendo. Por que estamos lendo Graça Infinita da maneira como estamos lendo? Por que nos reunimos aqui com dúzias de outros leitores, paramos a cada duas páginas pra consultarmos referências em enciclopédias virtuais organizadas por fãs, discutimos de madrugada pelo Whatsapp a genialidade da nota 304, tiramos fotos engraçadinhas da capa e curtimos as que os outros sobem no Instagram? Por que ninguém parece capaz de simplesmente ler a porra do livro de capa a capa, fechá-lo e guardá-lo na estante, como fazemos com tantos outros livros? Leia mais

Verão Infinito #4 – Semana 4

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Nós precisamos falar sobre Kafka. Kafka, Franz Kafka, aquele que viveu em Praga e era ao mesmo tempo alemão, tcheco, judeu e nenhuma dessas coisas. Aquele que certa manhã acordou de sonhos intranquilos e descobriu que havia se transformado em um inseto monstruoso. Não, pera, esse é um dos seus personagens. Ou não?

Toda a literatura de Kafka é construída em espelhamentos entre ele, autor, você, leitor, e seus personagens. Conforme ele avança na sua carreira e em seus temas, os personagens passam a cada ver mais não serem ninguém e serem o próprio Franz Kafka: Gregor Samsa se torna Joseph K. que se torna K. Leia mais

Verão Infinito #3 – Semana 3

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Parece que agora as coisas estão finalmente tomando seu lugar. O que não deixa de ser estranho, já que estamos nos aproximando da pagina 300 e só agora podemos definir uma espécie de HORIZONTE DE EVENTOS discernível para a trama de Graça Infinita. E essa foi uma semana de trama, com certeza. Como já deu provavelmente para notar, as informações relativas à história do livro se encontram dispersas, escondidas em parágrafos gigantescos em meio a outras milhares de informações, nomes, siglas, gírias. É preciso se embrenhar nesses parágrafos, tentar silenciar um pouco o ruído pra tentar chegar nas informações relevantes. Mas como saber quais são as informações relevantes? Como diferenciar aquilo que importa do que pode ser deixado de lado? Seria mesmo trama o que há de mais relevante no livro? Como vocês já devem ter notado, nada em Graca Infinita é por acaso, e esse tipo de estrutura reflete uma gama tão grande de preocupações de DFW que pode ser facilmente classificado como um tema: como diferenciar ruído de informação, o que fazer com o material coletado, como lidar com esse material bruto da realidade. O bloco de dados está ai, cabe a nós leitores darmos forma a ele. Isso diz respeito a uma compreensão de realidade em que o mundo é um agregado caótico e disforme, totalmente sem sentido. O único jeito de viver numa realidade assim constituída é tentar inventar formas que de alguma maneira organizem esse caos, criem sentidos para que nossa existência seja suportável e nos faça acordar todo dia de manhã: estruturas, comunidades, explicações, teorias, narrativas. A tristeza da coisa toda é a) saber que essas coisas são todas temporárias e inventadas, pois o universo não tem sentido, e b) que não foram criadas pela gente, já estavam prontas quando a gente nasceu. Talvez o grande teto seja se deparar com o caos constitutivo do mundo e notar que a única coisa efetivamente imutável é a nossa necessidade de criar estruturas para lidar com ele, o que é de certa forma meio desesperador, até porque não importa efetivamente QUAL a explicação ou estrutura, mas sim como a gente a usa e qual o seu resultado. The meaning is the use, diria o austríaco. Leia mais

Verão Infinito #2 – Semana 2

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Parabéns. Se você está lendo este texto, espero eu que seja porque já chegou na página 186 do Tijolo-Laranja-Mais-Belo-Do-Mundo. Quase 200 páginas vencidas e você já pode se orgulhar daquele status de 16% de livro lido na sua rede social literária favorita. Como bem disse a Simone no texto zero desta nobre maratona, “sofrimento cria caráter”.

Como tenho uma quedinha por assuntos políticos, aproveito para abrir este texto lembrando de um fato que pode ter passado despercebido para muitos leitores, principalmente porque a tal referência está escondidinha no meio de um travessão perdido no meio de um calhamaço de explicação de Michael Pemulis a respeito do seu lucrativo negócio urinário na Academia de Tênis Enfield. Leia mais

Verão Infinito #1 – Semana 1

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Uma semana voou e vocês nem sentiram 90 páginas, fala sério. “Mas, Felippe, foram mais de 100 se contarmos todas as notas de rodapé.”

Cri, cri.

Nessa primeira semana de Verão Infinito – e hoje começa realmente o verão no Brasil – muita gente conheceu pela primeira vez alguns personagens de Graça Infinita e certos temas que serão explorados ao longo da narrativa. Leia mais

Verão Infinito #0 – Uma intro

Hoje começa o Verão Infinito do Posfácio. Sim, começa hoje. Damos a largada e avisamos. Muitos estão com o livro há mais tempo, outros acabaram de receber. O importante agora é começar a maratona.

Todos a postos? Livro em riste, óculos e olhos focados, trabalhos de supino em dia para carregar tamanho calhamaço?

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