Enfim, as apostas propriamente ditas!
Tiago:
1. Cees Nooteboom: Ano após ano, eu tenho colocado o nome desse grande escritor holandês aqui, não tanto porque ele é um dos meus autores vivos favoritos, mas porque creio que como pensador e representante da “questão europeia”, talvez esse seja o escritor mais exemplar para a Academia Sueca. Além disso, a guinada mais “retraída” dos últimos anos só contribui para que finalmente concedam o prêmio tantas vezes prometido a esse escritor que configura na lista dos favoritos há mais de dez anos…
2. Claudio Magris: já faz muito tempo que o Prêmio não vai para um italiano, se pensarmos que a Academia privilegia as línguas da Europa central… Além disso, em tempos de cataclismo, voltar às “raízes” (assim como no caso do grego Vassilis Alexakis) pode ser um gesto simbólico para os suecos. A escolha mais óbvia aqui, até o ano passado, seria a de Antonio Tabucchi, mas esse faleceu neste ano. Mas Magris tem tudo que Academia pode querer, com seus romances que fazem ecoar a cultura clássica em cenários contemporâneos, como em Danúbio…
3. Fazil Iskander: se a Academia decidir sair do seu eixo, creio que não será para muito longe – é melhor apontar o problema do vizinho. Além disso, faz realmente um tempo – desde Soljenitsin – que um escritor de expressão russa não entra para o panteão nobelesco. Com a morte de Andrei Voznesensky e Guenadi Aigui nos últimos anos, sobraram, entre os mais cotados, esse grande romancista e contista de origem abkhazia. Além de uma ligação muito forte com essa região/cultura que, não há muito tempo, foi pulverizada por Putin, Iskander possui livros recentes que retratam a situação pós-soviética com toda a tristeza, melancolia e humor que ele tão bem manipula. Junto com Andrei Makanin, certamente é o grande candidato possível em língua russa.
4. Peter Sloterdijk: há uns cinco anos, o diretor da Academia havia prometido que a direção do prêmio mudaria, que haveria a inclusão de outras demonstrações de escrita, não-literárias… e essa promessa nunca se concretizou. Apesar de existir uma antiga tradição em laurear filósofos, ensaístas e historiadores, faz muito tempo mesmo que isso não ocorre. Sloterdijk, por sua popularidade e por muitos dos motivos que temos frisado aqui – sobretudo, por “pensar a Europa” – parece ser a grande opção de destaque dentro desse prisma.
5. Juan Goytisolo: a Espanha vem sofrendo a pedrada da bancarrota da U.E., e com certeza é o país que ameaça levar a todos consigo. No entanto, possui um dos escritores mais lúcidos e mais produtivos ainda vivo, principalmente em relação a uma porção de questões que a assolam, como a imigração árabe, sobretudo, tão genialmente retratada em Paisagem depois da batalha. A verdade, no entanto, é que não faz muito que um autor de língua hispânica recebeu o Nobel, e isso diminui bastante as chances de Goytisolo…
Luciano:
1. Vassilis Aleksakis: Uma das minhas apostas favoritas. Grego exilado na França, soa como um pequeno combo com algumas das coisas que soam mais interessantes para o Nobel desse ano. Relaciona-se com uma “europeidade”, com um dos epicentros da crise (em ambos os casos, por causa da origem) e publica em um idioma mais acessível. Isso sem contar sua literatura bastante interessante: em A língua estrangeira narra a história de um homem que decide aprender um idioma obscuro para lidar com o falecimento do pai.
2. Giorgio Agamben: Minha vez de oferecer um filósofo, e minha vez de oferecer um italiano. Por um lado, é um dos “queridinhos” da academia atualmente. Mas as discussões que levanta são extremamente relevantes e interessantes; de certa forma ele continua Foucault.
3. Fatos Kongoli: Meu candidato zebra, mais ou menos como no ano da Herta Müller. É improvável, mas possível. Albanês, mas menos popular do que Ismail Kadaré. E vale lembrar que, teoricamente, a Albânia relaciona-se com as origens europeias tanto ou mais do que a Grécia, pois (reza a lenda) foi lá onde realmente nasceram as obras de Homero. E, ao mesmo tempo, simbolizaria a um projeto futuro (que pode estar prestes a afundar), em que uma Europa verdadeiramente unificada passe a existir.
4. Eduard Limonov: Gosto muito da ideia do Iskander, mas acho que se um russo é provável, é Limonov. É o último grande dissidente – era da oposição no tempo da URSS e agora, em plena era Putin, é novamente da oposição, como líder de um grupo mais ou menos trotskista. Além disso é um belo exemplar de uma literatura de “exílio” – o que rende muito pano para manga hoje em dia.
5. A. B. Yehoshua: Eu falei que o Kongoli era a minha zebra, mas acho que o Yehoshua ganha (nesse aspecto). Mas pensando agora, Israel nunca sai de foco politicamente e faz tempo que algum escritor de lá recebeu o prêmio. Vale lembrar que ele é um dos defensores das diversas propostas de convivência pacífica no Oriente Médio, sem contar que é de origem sefardita – os judeus “árabes” para boa parte da sociedade israelense. Ainda acho esperar demais da atual postura da Academia Sueca, mas… Quem sabe.

meu palpite é o cees nooteboom, tb. meu poder mutante de não ter lido o nobel do ano tá tingling aqui.
Fico com Cees Nooteboom mais uma vez. Na tangente, a zebra do Luciano é muito boa.
Mas fiquei bem intrigado com o que o Vinicius Jatobá falou que é o ano do Brasil. VAI SABER NÉ.
aposto q ñ vai ser nenhum dos 10 listados.
(sim, eu jogo sujo)
e eu, que não vai ser G R R Martin!
creio q ambos vamos acertar nas nossas constatações óbvias.
que bom que vc se sente satisfeito na própria mediocridade…
difícil é se arriscar…
E sinceramente nem eu nem o Luciano damos um puto se acertamos ou não… o bacana é fazer uma lista de escritores pouco conhecidos aqui no Brasil… se eles não ganham ou não… isso não significa muito, já que lemos esses e todos os outros. Não temos frescuras!
Agora, um cara que expõe a própria covardia querendo travesti-la de esperteza…
Para jogar sujo é preciso muito mais que isso, cara! é preciso fazer uma aposta, de fato…
kkkkkkkk
é sério isso?
kkkkkkkk
vc apostou em 5 e o luciano em 5. ok. a minha aposta foi só uma: ambos vão errar. simples assim. e pelo q eu saiba ainda sou livre p ter opinião própria, independente d quem curta, aprecie, ame, odeie ou chore por ela.
em todo caso ñ seja vacilão, guarde a faca, tudo ñ é aposta, hipótese, vento, nada? p alguém ficar tão ofendidozinho por ter sido contestado por tão pouco? vai q amanhã 1 dos 10 leva e vc ganha o ano. até lá, take it easy, relaxa, calm down baby, q a vida é bela. ñ leve a opinião d ngm tão a sério, inclusive a sua.
e se massageia o seu ego insultar quem vc ñ conhece (e q dá o mesmo valor ao q vc pensa qto vc dá ao resultado de suas apostas) ao invés d levar 1 comentário q era uma brincadeira banal na esportiva, então reveja seus conceitos d escritor d blog, twitter, face & afins pq vai viver #chatiadu
Essa é a sua resposta? Putz… eu tinha esperança de que uma pequena provocação iria te fazer tomar uma posição, mas vejo que me enganei…
Realmente você não sai nunca da defensiva, cara.
Respeitar opinião? Contestar-me? Eu respeito quem tem opinião e quem contesta… Mas creio que você não fez nem uma coisa nem outra…
Como disse, só espera algum argumento ou alguma posição ou alguma coisa de você…
E fique tranquilo: sem ofensas. Como eu disse, não estou preocupado em acertar.
E você tem todo o direito de falar o que quiser. Coisa que nunca questionei. A única condição é que você esteja disposto a ouvir o que não quer também.
Levo todas as opiniões a sério. Só assim se demonstra respeito. De outra forma é só um bando de gente bancando a espertinha…
TODOS TORCEM por Cees Nooteboom. Mas acho que o Juan Goytisolo seria uma grata surpresa. Mesmo. Adorei a aposta, Tiago.
Tenho um livro do Noteboom que o Luciano me deu e ainda nem li…Putz!
dos que vocês falaram só li o Goytisolo mesmo, então vou apostar é nele, porque achei ‘A saga dos Marx’ um livro muito interessante, ousado e belo.
Cada ano são mais maneiras as apostas do Nobel. E Murakami em nenhuma das apostas de vocês, hein? hehe
Eles não querem ir de acordo com as casas de apostas. Seria surpreendente o Murakami ganhar. Linguagem mais pop, um oriental mais ocidentalizado. Não sei, difícil ganhar. Esse frisson deve-se mais a 1Q84.
O Nobel na literatura esqueceu sua importância política e histórica a eleger escritores menores. Imagine o impacto de Camus em 57, Sartre 64, ou até mesmo outros escritores como Faulkner em 49 e Hemingway em 54 abrindo os olhos para o “novo EUA”; Neruda em 71 também foi uma grande escolha, fez seu nome perdura até os dias de hoje pelo mundo inteiro. Agora escolher Muller, Lessing, Llosa ou Jelinek representou a década de 00, a década vazia.
Década da Literatura “bom mocismo, de academia – Até mesmo Coetzee, apesar de estar em outro nível entre estes. É preciso a volta dos escritores loucos, multi-facetados , artísticos, que pisam na civilização, criando raízes próprias.
Pelo visto o último que tivemos assim foi o Harold Pinter, com aquele discurso em forma de metralhadora em forma de digressão política.
Paulo Coelho.
(Ok, chega de trollar.) 😀
Pior que teve uma época que eu acreditei nessa possibilidade. Mas aí eu fui dar uma sacana na recepção do Paulo Coelho lá fora, e não muda muito da que tem aqui. As pessoas curtem ele, compram e lêem muito. Mas como uma espécie de auto-ajuda mesmo – e, apesar de aqui muita gente falar que detesta e tal, muito mais gente gosta. Não é o tipo de recepção que dê o Nobel. Sem contar que ele é ‘popular demais’.
Pô, Luciano, mas o que então justifica a presença dele na ABL além dos números? Achava que lá fora a turma o levasse um pouco mais a sério, admirados pelas meta-referências (cof! plágio. caham!) e divulgação da literatura em geral.
Não faço ideia. Mas acho que pode ser a mesma coisa que justifique o Sarney e o Ivo Pitanguy na mesma Academia.. haha.
Não sei se fico contente com essa justificativa ou triste por ser uma tendência.
William Trevor, Milan Kundera, Bei Dao, Michel Tournier.
Seguindo a tradição do meia palavra de errar as apostas pro Nobel,
esses 10 têm nenhuma chance de levar.
😉
Ou não.
Bem que poderia ser um americano duma vez. Assim param de somar 1 a cada ano, e como a Academia não gosta dos caras e tudo isso.
Meu problema e do Luciano é que sempre torcemos para os fracassados! Em geral, eles acabam sendo mais interessantes que os vencedores… Afinal, no dia seguinte, todo mundo saberá quem é X ou Y…
Só aqui se divulgam quem são Iskander, Goytsolo, Limonov e Kongoli! (rs)
E o mesmo vale para aqueles que venceram no passado. O mais legal não são os nomes que todo mundo conhece: gabriel garcia marquez, thomas man, t.s. eliot, beckett… são todos excelentes escritores (Beckett é um dos meus favoritos), mas, hoje em dia, você encontra todos esses nomes em um aposta escolar… O interesse está naquilo que ninguém mais lê: Laxness, Lagerkvist, Jensen, Benavente, Maeterlink…
Nosso modelo está mais nos finados cineclubs do que no Oscar…
Na torcida pelos russos, sempre! <3
Quais, por exemplo?
Apesar de ser tradutor de holandês, eu não gosto do Cees Nooteboom. Na própria Holanda… ele não tem essa bola toda. É um daqueles raros casos de autor mais famoso no estrangeiro do que em seu país nativo. Mas acho, sim, que ele vai ganhar o Nobel esse ano.
Ah, mas aqui no Brasil temos o Paulo Coelho, odiado e repudiado por aqui, e lá fora um deus sem fim.
É verdade. rs Na minha opinião – e na Holanda em geral – o único holandês (contemporâneo) que realmente poderia ter ganhado o Nobel era Harry Mulisch, mas ele morreu em 2010.
Pessoalmente, acho que seria ótimo se o Nooteboom ganhasse. Teríamos um boom (sem trocadilhos com o nome do autor) de traduções holandesas, além das já programadas, no ano que vem.
Nao necessariamente, Daniel. nem sempre o vencedor do Nobel abre caminhos por aqui. vide o Transtromer que, salvo engano, ainda nao foi traduzidone editado por aqui…
Raquel, eu sei de uma pessoa que traduziu o Tranströmer e já está negociando com uma grande editora (acho que não posso dar muitos detalhes publicamente, via net).
Eu falei isso, do Nooteboom, porque como ele já é mais ou menos conhecido por aqui e temos uns 5 livros (não lembro de cabeça o número exato) dele editados, então, se ele ganhar, acho que vai dar um empurrão legal nas traduções das obras dele, sim.
Mas você está certa: o Gao Xingjian – que não era/é conhecido por estas bandas – ganhou o Nobel em 2000 e, até agora, que eu saiba, só teve uma obra editada no Brasil.
Pô, ano que vem acho que vou pegar um mapa mundi e colocar pins com as fotos dos possíveis candidatos em cada país, amarrar fios ligando um ao outro, estabelecer padrões por língua, nacionalidade, eixo, estilo, encher de post it e tudo o mais, hehe.
Muito massa esses posts, sempre fico esperando eles. Já viraram tradição.
Ontem eu comentei com uma amiga minha que a Salvação viria da área de Humanidades. Retiro o que disse depois de ver as besteiras acima só por causa de uma aposta besta. 😛
na real, essa irritação já tem longa história e pouco tem a ver com a aposta…
Só foi uma oportunidade contingente para dizer algo que há muito estava na minha garganta.
Peço desculpas por isso.
por isso, se quiser esperar a salvação vinda das humanidades, fique a vontade
bruce, te respondi lá no fórum!
abraço!
Escritor chinês Mo Yan vence Nobel da Literatura 2012