Cidades – Sangue, poder e medo

em 1 de fevereiro de 2009

Ter uma boa personagem não é tudo no mundo das histórias em quadrinhos. Não adianta muito ter de quem falar e não ter um bom lugar para situá-lo. As cidades, aldeias e povoados, vêm sendo os melhores lugares para colocar as personagens, já que colocá-los simplesmente como cidadãos do mundo cria “n” impossibilidades, como não poderem estar em mais de um lugar ao mesmo tempo para salvar determinadas pessoas. Então esse vai ser o assunto da vez, vou falar sobre as cidades mais legais que compõe a geografia das HQs. Claro que não vou me limitar as cidades mais conhecidas, então nem pense em ler uma descrição completa de Gotham ou de Metrópoles, até porque já existem outros artigos dedicando suas linhas a elas. Meu alvo da vez vão ser as aglomerações urbanas bizarras ou aquelas que têm algo de podre para contar.

Dessa vez posso encher o artigo de spoilers, até mesmo porque não vai fazer muita diferença saber que uma cidade vai ser devastada se não souber por quem e nem por que.

OBS: as cidades não estão dispostas em modelo de ranking e os comentários mais pessoais estão dentro de parênteses.

Sin City – Literalmente a cidade do pecado, Sin City é a cidade mais poética que eu encontrei. Sim, eu disse poética! Por quê? Como uma cidade que tem um centro velho dominado por prostitutas que criaram suas próprias leis não seria poética? Isso sem falarmos do bispo corrupto, ou do fazendeiro canibal, ou do filho amarelo e fedorento do governador. Não sei exatamente o que o Frank Miller queria quando idealizou Basin City (nome verdadeiro de Sin City), mas o resultado é uma cidade cheia das contradições que podemos ver no nosso dia a dia, claro que elas são hiperbolizadas (neologismo é uma arte!) para que a histórias a sua volta fluam com mais sabor. No fundo a Sin City, aquela dos bares de música countre, jogos de poder, bairros dominados, bairros acabados, não deixa um espaço para uma cidade normal. É simplesmente impossível imaginar uma cidade urbana dessa forma, onde todos têm algo negro em seu passado. Basin City é tão negra quanto a tinta que Miller usa para dar vida ao seus moradores.

Snowtown – Eu nunca acreditei em purgatório, mas passei a revisar meu conceito sobre o assunto quando li Fell e nela vi a imagem do que os cristãos chamam de lugar para redenção. Snowtown é composta da pior escoria que o mundo já viu, a situação é tão ruim que não dá para definir ao certo quem ou o que mora lá. Ela é basicamente formada pelos imigrantes de duas guerras: 2º guerra e Vietnã, somados a loucos homicidas e viciados. Sei que até ai não é grande coisa, mas imagine quando os loucos homicidas passam a acreditar nas crenças vietnamitas, e é nesse momento que temos um assassino a solta, procurando por grávidas e seu único intuito é roubar seus fetos para fazer de amuletos (não se preocupe, eu também fiquei com nojo dessa parte). Mas nem tudo é perigoso em Snowtown, basta que você saiba com sobreviver em meio aos monstros em pele de homem que rodeiam as ruas. Existe uma marca que pode salvar vidas, um S cortado ao meio por um X, compõe o que podemos de chamar de “marca de nascimento” da cidade, não é nenhum tipo de garantia, mas sempre é bom ter seus amuletos contra os monstros. Snowtown é a reunião de tudo que existe de mais podre dentro da alma humana, mas não passa muito longe de lugares que sabemos ser reais.

Londres – Sei que essa cidade existe também fora dos quadrinhos, mas a Londres sobre a qual me refiro é um pouco diferente dessa que podemos visitar a qualquer momento. A referida cidade é uma visão do genial Allan Moore sobre a nossa “real” Londres num futuro fascista pós 25 de novembro. Em muitos aspectos a Londres de Moore, lembra a Alemanha nazista, porque o estado tem um poder totalitário e controla os meios de comunicação, além de ter uma polícia secreta pronta para caçar, julgar e punir qualquer um que coloque o poder do em teste. O clima que percebemos quando estamos lendo é de uma certa apatia em relação a população, sãos poucos os que não concordam com o sistema e muito os que se sentem confortáveis em viver com toques de recolher e ameaças de prisões sem motivo, é como se o autor quisesse nos dizer que as pessoas muitas vezes se sente confortáveis em ser dominadas. Mas como toda boa cidade, Londres também tem seu herói mascarado que tem a função de revolucionário. A Londres Moreana (mais neologismo) é uma visão do que poderia ter acontecido se o fascismo houvesse falado mais alto que a democracia.

Num futuro próximo pretendo trazer mais um pouco do mundo dos quadrinhos para vocês, leitores do Blog. Quem sabe não faça um “raio-x “de algum personagem. Até a próxima.

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