Na cola de Jack, o Estripador

em 20 de agosto de 2013

“Como diria Jack, vamos por partes…”

Esses dias, por razão de uma pesquisa realizada no trabalho, me lembrei dessa piadinha mórbida. Buscava uma reportagem na Folha de São Paulo de 1988, escrita por Leão Serva, sobre um roteiro turístico que tinha como atração principal os caminhos de Jack, o Estripador.

Senti até um calafrio ao ler a matéria inteira: turistas vão a Londres visitar as ruelas e becos mais inóspitos do bairro de East End só para ver os lugares por onde passou o serial killer mais famoso, quiçá, da história.

Pois até então eu sempre suspeitei que Jack não existira de verdade, mas que era apenas uma dessas lendas urbanas que uns contam por aí. Santa ingenuidade, Batman!

Segundo o artigo da Folha, o psycho killer, que nunca foi pego, assassinou e dilacerou 5 mulheres nas ruas de East End no ano de 1888. Todas eram prostitutas. O pseudônimo foi dado por ele mesmo, que assinava as cartas que enviava aos seus perseguidores como “Jack, o Estripador”. Reza a lenda que uma dessas cartas, enviada ao chefe do comitê da segurança regional de East End, foi com um “anexo” post mortem: o fígado de uma de suas vítimas. Na carta ele teria escrito: “Estou lhe enviando metade do fígado que tirei de uma mulher e guardei para você. A outra metade eu fritei e comi. Estava muito bom.” Um Hannibal Lecter do século XIX.

Intrigada com o tal passeio fui procurar na internet se ele ainda existe. Descobri que não só existe como é uma atração hiper-requisitada em Londres, feita por vários grupos de turismo. O mais ortodoxo que encontrei, o “Jack the Ripper Tour – take a journey into terror”, tem limite de pessoas (34) e cobra £9 o passeio (R$ 32). E ainda é preciso reservar com uma certa antecedência, porque lota.

Segundo seu site institucional, o tour acontece todos os dias às 19h, tem 2 horas de duração e algumas atrações principais, como a ida à barbearia de um dos suspeitos do crime, visita ao pub em que a primeira vítima esteve horas antes de seu assassinato e a uma porta na qual acharam, algum dia, a única pista do Estripador. Ao fim do passeio você pode tomar um pint num dos pubs de East End, tal como as vítimas de Jack faziam. Atraente, não?

Acho que prefiro ficar com o livro policial de Patricia Cornwell (Retrato de um Assassino – Jack, o Estripador: caso encerrado, Cia das Letras) que me parece mais fantasiosa. E, além de tudo, tem a melhor dedicatória de todas: “To Scotland Yard’s John Grieve: you would have caught him.

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