Cinco minutinhos na internet

Não leva nem cinco minutos para ler uma coluna como esta. Não importa se demorei uma hora ou duas semanas para escrevê-la.

Que o tempo é relativo, Einstein já provou. Dizem que ele costumava brincar afirmando que um minuto ao lado de uma bela mulher passa muito mais rápido do que um minuto segurando uma panela quente.

A melhor tirinha do mundo – não importa se escrita pela Laerte – não demora mais do que trinta segundos para ser lida. Às vezes, você até lê e relê por uns cinco minutinhos, mas logo aparece um gif de gatinhos imperdível. Leia mais

Um drama em quadrinhos

Bechdel. Caro leitor, essa não é a primeira vez que você vê esse sobrenome no Posfácio. Ela já tinha aparecido em uma “resenha” 1 minha para Jogos Vorazes. Foi nela em que falei sobre o teste Bechdel, que conheci no canal do YouTube “Feminist Frequency” – uma avaliação acerca da representatividade feminina em filmes: se houver pelo menos duas mulheres (que tenham nomes) que conversam entre si sobre outro assunto que não um homem, o filme passa no teste. 2

O teste Bechdel foi inspirado por uma das tirinhas da série Dykes to watch out for 3, publicada de 1987 a 2008 por Alison Bechdel em numerosos jornais. A quadrinista é mais famosa, no entanto, por Fun Home, eleito livro do ano pela revista Time – segundo a orelha, “a única HQ a receber a distinção”. Leia mais

  1. Defina “resenha”.
  2. É incrível a quantidade de filmes que não passa nesse teste simples. Se incluirmos o elemento “tempo” na conversa (digamos, trinta segundos de conversa sem falar do protagonista masculino, o único com o qual a plateia costuma se importar), o teste é alçado a “praticamente impossível”.
  3. Em tradução livre: “Sapatas para se prestar atenção” (ou “para se ficar de olho”). Inédita no Brasil.

Preencha as lacunas com o besouro de sua preferência

Besouro, libélula e outros insetos estampam a capa de Campo em branco. E tudo o que eu sabia sobre a hq se resumia a isso, praticamente – and that’s how I rule. (“Besouro” é uma palavra importante; reserve-a para o final desse texto.) Contudo, mesmo sem saber grandes coisas da história, eu tinha alguns parâmetros de expectativa: toda leitura é uma comparação com as anteriores; nunca resetamos o cérebro ou zeramos totalmente nossas concepções prévias ao iniciarmos um novo livro. Leia mais

Bullying: this too shall pass

Minha paixão por quadrinhos é relativamente recente. Sim, adorava gibis quando era criança, mas larguei mão disso quando passei a frequentar as bibliotecas das escolas em que estudei. Sim, também tentei pagar de nerd estilo Seth Cohen, sem muito sucesso – a única coisa que aproveitei dessa tentativa de me aproximar de um personagem de seriado foi a descoberta da Itiban Comics Shop, uma das lojas de quadrinhos mais conceituadas do país. Mas só comecei a pirar mesmo com quadrinhos quando surgiu o selo Quadrinhos na Cia (QnC), da prestigiada Companhia das Letras, como já tinha confessado para a coluna de um dos meus tradutores favoritos, Érico Assis. Leia mais

Fagin, o Judeu (Will Eisner)

O antissemitismo é uma espécie de fantasma terrível: por um lado é uma herança que a Europa (e, num sentido mais lato, as civilizações de gênese europeia de modo geral) aprendeu a rejeitar, mas que ainda não sabe exatamente como lidar – já que volta e meia surgem indivíduos e grupos neonazistas, revisionistas e outros cuja mera existência é preocupante, como os partidos políticos ‘Hungria Melhor’ e ‘Amanhecer Dourado’, respectivamente na Hungria e na Grécia; por outro, tornou-se um termo que é usado de modo descuidado pela extrema direita de Israel, que etiqueta todos os seus opositores (entre os quais figuram quase todos os movimentos árabes, o escritor alemão Günter Grass e até mesmo muitos membros da esquerda israelense) como ‘antissemitas’. Leia mais

Adeus, Chamigo Brasileiro – uma história da Guerra do Paraguai (André Toral)

A Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado a acontecer na América do Sul. Durou seis anos (de 1864 a 1870) e envolveu os países que, atualmente, são os membros permanentes do Mercosul: Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai (cuja posição no momento é delicada, é verdade). Resultou em milhares de mortos, endividamento dos países participantes e definiu o mapa da região. Leia mais

A Mão Invisível (Terry Laban, Ilya e Andre Parks)

Teorias conspiratórias são uma constante no universo da ficção (e, por vezes, na vida real também): quantas vezes não se aventa a hipótese de que o livre-arbítrio seja uma mentira e que nossas vidas são governadas por poderes e organizações secretas?

Na HQ A Mão Invisível, com roteiro de Terry Laban, desenhos de Ilya e arte final de AndreParks, publicada pela Vertigo – linha da DC Comics e traduzida por Paulo Mancini – a problemática é exatamente essa. Um grupo de multimilionários (que empresta seu nome ao quadrinho; nome, aliás, que deriva do termo cunhado por Adam Smith em A Economia das Nações) é quem está por trás de tudo, controlando o mundo e a vida de seus habitantes através da economia.

Nada disso é lá muito original, verdade. Mas as coisas começam a tornar-se interessantes nas especificidades: o protagonista, Mike Webb, é um estudante de economia norte-americano de raízes na Europa Oriental. Fala cinco línguas e tem um currículo excelente. Acredita piamente no livre comércio. Tudo isso se combina para garantir-lhe, em suas próprias palavras, um excelente futuro. Leia mais

Especial Alan Moore: V de Vingança

Alan Moore é daqueles autores que se tornaram cult seja pelas histórias sensacionais que escreve, seja pelas excentricidades que o cercam e pelas quais é lembrado. Praticamente tudo o que ele põe as mãos acaba virando algo memorável, e não é diferente com V de Vingança.

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Especial Alan Moore: A Liga Extradordinária

Considerando que até o filme já tem quase 10 anos, vou assumir que, como eu, todo mundo já leu A Liga Extraordinária dezessete vezes e meia. Assim sendo, vou tentar ser relevante (uh oh) e compartilhar algumas ideias sobre o lugar da obra no mundo dos Quadrinhos, da Cultura Pop e Tudo Mais. Não espere uma sinopse ou análises ou qualquer aprofundamento nos temas e/ou na história em si. Também não espere muita coerência; eu não sou blogueiro, muito menos jornalista. Eu nem trabalho aqui. Eu definitivamente podia ter sido mais focado e econômico, e classificaria os parágrafos abaixo como algo entre um artigo normal com tangentes demais ou um texto em fluxo de consciência com pontuação demais. Você decide. Tais são os luxos da democracia. (Embora o Meia Palavra não seja exatamente uma democracia; o Pips me ameaçou com um cabide enferrujado pra eu escrever isso. Você pode estar se perguntando “como um cabide enferrujado pode ser tão ameaçador?” A resposta é óbvia: ele cortou em seis pedaços e colocou entre os dedos pra fazer garras de Wolverine.) Leia mais

Persépolis (Marjane Satrapi)

Marjane Satrapi nasceu no Irã no ano de 1969, e cresceu na monarquia do Xá, um governo ditatorial e opressor. Com 10 anos de idade, entre 1979 e 1980, sofreu as mudanças drásticas do regime, que passou a ser liderado por grupos islâmicos fanáticos. Ainda na adolescência, viu o seu país entrar em guerra contra o Iraque. Persépolis, graphic novel  da autora, é a autobiografia que nos conta seu trajeto em meio a política e pensamentos interiores até a sua vida adulta.

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Jimmy Corrigan, o menino mais esperto do mundo (Chris Ware)

Quando terminei de ler Jimmy Corrigan, o menino mais esperto do mundo, fiquei uns bons momentos imaginando o que é que aqueles que veem os quadrinhos como algo essencialmente infantil diriam. Da mesma forma, pensei o que aqueles que veem os quadrinhos como uma linguagem inferior à literatura iriam dizer. A HQ (ou graphic novel, se preferirem) de Chris Ware desafia ambas as opiniões extremistas ao mesmo tempo em que nos coloca numa história que foi comparada por vários críticos ao tão falado Ulysses, de James Joyce. Leia mais

Rei Emir Saad, o monstro de Zazarov (André Dahmer)

Um ditador sanguinário, utilizando das desculpas mais diversas para um único resultado final: o massacre de todos aqueles que considera como possíveis opositores. Poderia estar falando de inúmeros países no sudeste asiático, na África, na América Latina e – alguns anos atrás – na Europa Oriental. Mas não. É um personagem fictício: Emir Saad, Rei e tirano do Ziniguistão, criação do cartunista brasileiro André Dahmer – mais conhecido por seu trabalho em Os malvados.

Em Rei Emir Saad, o mostro de Zazarov, publicado pela editora Leya, estão reunidas algumas das tiras sobre o ditador, originalmente lançadas no portal G1. É um livro relativamente curto e rápido para ser lido, mas extremamente divertido. Quer dizer, desde que se lide bem com o humor negro de Dahmer.

Esse humor, aliás, é sua grande marca, e o principal atrativo das historietas do Rei Emir. Em diversas épocas de sua vida o rei manda matar seus adversários das mais diversas maneiras e pelos mais esdrúxulos motivos. Leia mais