O Silmarillion (J.R.R. Tolkien)

em 19 de março de 2011

Organizado por Christopher Tolkien, este livro foi publicado quatro anos após a morte do escritor, e contem os textos que serviram de base para que Tolkien escrevesse seu Magnum Opus, ‘O Senhor dos Anéis’. Apesar de ser intitulado ‘O Silmarillion’, no livro não está contido apenas o Quenta Silmarillion, mas também outras histórias relacionadas, direta e indiretamente, às Silmarils.

O Ainulindalë é a primeira dessas histórias, e relata como se deu o surgimento e a criação do mundo: através de uma música magnífica composta pelos Ainur, seres sagrados surgidos a partir da mente de Eru (Deus). Essa primeira narrativa é bem curta, e a ela se segue o Valaquenta, que traz o relato dos Valar, os Ainur que decidiram ir para Arda (Terra) e concretizar a criação de Eru. Os Valar dão início à obra do Único, porém a maldade se manifesta em Melkor, e ele começa a trabalhar contra os Poderes, tornando-se o Inimigo.Aqui tem início o Quenta Silmarillion, a História das Silmarils.

Surgiram então os primeiros Filhos de Ilúvatar (elfos) e os Valar os levaram para viver em Aman, a Terra Imortal. Na Terra-Média, permaneceram ainda alguns elfos, chamados moriquendi, porém nessa terra as sombras se arrastavam, e o poderio de Melkor crescia em Angband. Ainda não havia nem Sol e nem Lua, e o mundo era constantemente iluminado pelas estrelas, exceto em Aman. Neste local, os Valar criaram duas Árvores que iluminavam a prosperidade daquela terra. Uma reluzia um brilho dourado, e era chamada de Laurelin; a outra era prateada, e tinha por nome Telperion. Tendo-as por matéria prima, Fëanor criou três gemas de extraordinária beleza, as Silmarils.

Porém, as mentiras e artífices de Melkor atingem a Terra Imortal, e seu veneno se espalha entre os elfos. E ele destrói as Árvores. Os Valar pedem então que Fëanor dê as Silmarils para que eles possam revive-las, porém ele se recusa, e rebela-se contra os Poderes. A notícia de que Melkor roubara também suas gemas o deixa ainda mais irado, e ele acaba por abandonar Aman, e junto também partem todos os de sua estirpe, os Noldor.

A duras penas, chegam eles à Terra-Média, os da Casa de Fëanor pensando em recuperar seu tesouro, e os demais querendo apenas continuar sua vida em paz. Entretanto, Morgoth (Melkor) ali vivia, e crescia em poder e maldade. Logo, a paz se demonstra efêmera, e os elfos se vêem forçados a entrar na guerra e se defender do Inimigo, ou então seriam escravizados e subjugados.

Até essa terceira narrativa é notável o caráter descritivo utilizado pelo autor, que fornece uma miríade de detalhes e informações. Esse recurso proporciona ao leitor a sensação de realmente presenciar a cena, o que, diga-se de passagem, é algo extraordinário, visto que esse ambiente não existe e foi totalmente criado por Tolkien.

Antes de iniciar a leitura do livro, já havia ouvido falar muito na história de Beren e Lúthien, que era descrita como sendo a melhor história de amor já inventada e muito comovente. Infelizmente, não passei por essa comoção ao ler essa história, o que foi uma grande decepção. De fato, é uma bela história, mas o modo como ela foi apresentada me pareceu muito sucinto e não me agradou tanto quanto as histórias de Aragorn e Arwen e de Aldarion e Erendis.

Há ainda, além do Quenta Silmarillion, duas narrativas indiretamente relacionadas a ele: o Akallabêth, sobre a queda de Númenor; e outra acerca Dos anéis de poder e Da Terceira Era. Sendo que essas duas narrativas são de caráter histórico e informativo, visando esclarecer alguns pontos de outras obras do escritor.

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Sobre o autor: Rafael Cruz é estudante da 2ª série do Ensino Médio, bibliófilo, futuro professor de história, aspirante a escritor e twitteiro. Pode ser encontrado no Memorial de um leitor.

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