Kalil e Calligaris: moda e psicanálise na Tarrafa Literária

em 1 de outubro de 2013

Posts Relacionados

A Tarrafa Literária nunca viu um Teatro Guarany tão lotado quanto naquele sábado à noite. O sucesso se deu, em grande parte, pelos convidados da mesa 7: a jornalista de moda Glória Kalil e o psicanalista Contardo Calligaris. Desconfio que a mediação, de Matthew Shirts, também tenha tido uma parcela de culpa nessa lotação.

O que moda tem a ver com psicanálise? Cheguei à conclusão de que muita coisa. Mas não foi uma pergunta à qual os autores se ativeram. Cada um contou mais a respeito da própria trajetória, dos livros escritos e até dos seriados de TV em produção…

Glória, que tem um carreira muito versátil e consolidada, explicou que teve muita sorte durante sua trajetória e alguma perspicácia: “O cavalo passou, eu saltei nele!”. Formada em sociologia e autora de cinco livros e do site de moda mais antigo, segundo ela, do país, Glória disse ter virado uma “serial chic”. Afinal, pautou todo o seu trabalho neste conceito que não diz respeito, necessariamente, à roupa que usamos mas, também, ao comportamento e à civilidade que cada um expressa.

Calligaris, por sua vez, começou contando como chegou no Brasil. Italiano, alfabetizado em inglês, estudou na França com ninguém menos que Roland Barthes e veio parar nos trópicos por amor. Mentira, na verdade veio lecionar, mas acabou se apaixonando e aqui ficou. Quando lhe foi perguntado se considerava-se um estrangeiro, respondeu: “sim, em todos os lugares”.

O psicanalista contou um pouco da série de TV que a HBO produziu com um de seus personagens, Carlo Antonini, protagonista dos seus romances “O Conto de Amor” e “A Mulher de Vermelho e Branco”. O seriado “Psi” terá como trama a vida do psicanalista fora do consultório e vai ao ar no primeiro semestre de 2014.

Calligaris e Kalil dialogaram bastante quando a pergunta: “dá pra ser pobre e chic?” foi colocada. Ambos disseram que não só é possível, porque a ideia de chic não se restringe somente às externalidades, mas que a etiqueta e as boas maneiras surgiram para os pobres, de alguma maneira. Os “bons costumes” que hoje definem uma pessoa chic são modernos, disseram, dado que nasceram em um século no qual a nobreza já não tinha mais a prerrogativa de fazer o que bem entendesse: “As boas maneiras e a elegância fundam a possibilidade de igualdade entre as pessoas”, concluiu o psicanalista.

Depois, acordaram que a roupa é uma das maiores expressões identitárias das pessoas. “Cada roupa que uma pessoa veste significa alguma coisa”, disse Glória. “Você, por exemplo”, referindo-se ao mediador, “está com essa jaqueta de couro desgastada e uma blusa cor de rosa porque quer se mostrar uma pessoa despojada, confortável e com alguma jovialidade”. Arrancou alguns risos da plateia e um “Uau, você é boa nisso mesmo!” de Matthew Shirts.

Levando a premissa em consideração, um espectador perguntou aos palestrantes “se um psicopata se veste como tal”.

“Quem me dera!”, respondeu Calligaris, “ia facilitar muito o meu trabalho!”.

 

Glória Kalil e Contardo Calligaris discutem identidade e etiqueta na Tarrafa

Glória Kalil e Contardo Calligaris discutem identidade e etiqueta na Tarrafa Literária

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.