Crítica: ‘A Luneta do Tempo’ no Festival do Rio

A Luneta do Tempo é o empreendimento audiovisual biográfico-ficcional-musical-e-metafísico de estreia na direção e no roteiro do cantor Alceu Valença. Biográfico porque seu quase-protagonista é Lampião, vivido por Irandhir Santos; ficcional porque aproveita as brechas para inserir assuntos caros ao autor, como a vida circense; musical porque suas músicas, muitas delas do próprio diretor, são mais do que adornos, mas ferramentas narrativas que costuram toda a história; metafísica porque trabalha com um conceito transcendental e é, sobretudo, uma ode ao espírito vivo do cangaceiro pernambucano.

Há também filosofia nessa fábula, misturando a lei do eterno retorno nietzschiano com o preceito de Karl Marx de que a história repete-se duas vezes, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa: no sertão pernambucano, Lampião, Maria Bonita (Hermila Guedes) e seu bando fogem da caçada da polícia local, liderada por Antero Tenente (Helder Vasconcelos). O embate final entre eles é trágico (e lindamente filmado), deixando resquícios para os tempos futuros e as gerações vindouras em situações muito semelhantes. Leia mais

Crítica: ‘Trash – A Esperança Vem do Lixo’

Assinado pelo inglês Stephen Daldry (Billy Elliot, 2000 e As Horas, 2003), Trash – A Esperança Vem do Lixo foi a megaprodução escolhida para encerrar o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. Com a presença dos atores Wagner Moura, Selton Melo, Rodrigo Santoro, do diretor e de outros convidados, o filme marca uma importante parceria no mercado audiovisual brasileiro, o encontro entre a estrangeira Working Title e a nacional 02 produções, em que Fernando Meirelles (Cidade de Deus, 2001) é um dos sócios.

O filme é baseado no livro homônimo de Andy Mulligan, que não especificava a cidade ambiente. O Rio foi escolhido, de acordo com Stephen e com o roteirista Richard Curtis (Simplesmente Amor, 2003), tanto pelo visual exótico, que choca os olhos pela proximidade das discrepâncias, quanto pela ascensão histórica que permite pela primeira vez que zonas outrora fechadas pelo tráfico sejam desvendadas e exibidas. Justamente por isso, pode-se dizer que um dos trunfos da produção foi sair dos lugares-comuns dos cenários paradisíacos, evitando cenas, por exemplo, em Copacabana, no Cristo Redentor ou no Pão de Açúcar – um erro fácil de cometer, o do encantamento pelos cartões postais da cidade, vide Rio, eu te amo, um péssimo exemplo de filme-cenário.

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O Rio no Festival do Rio

Dentre os mais de 300 filmes exibidos nesse festival, incluindo grandes produções ansiosamente aguardadas, como Garota Exemplar, de David Fincher, e pequenos filmes-cult que fazem barulho, como Dente por Dente, de Kim-ki Duk, o Festival do Rio também reserva considerável espaço para produções que discutem as realidades nacionais, sobretudo documentários.

Nesta crítica dupla, portanto, me atenho a dois filmes que pude assistir na mesma semana, ambos documentários que discutem, à sua maneira e com seus focos específicos, a realidade do Rio de Janeiro. Leia mais

Festival do Rio: the best so far

Os que acompanham nossa cobertura do Festival do Rio devem ter notado que este ano as coisas estão um pouco diferentes. Não se desesperem! Infelizmente, as tradicionais Rapidinhas do Festival não acontecerão, mas como tudo na vida tem um lado ruim e outro bom, a boa notícia é que agora o Posfácio está infiltrado na organização do evento! Explico: esse que voz escreve – e que é o único posfaciano no Rio de Janeiro –, esse ano descolou um freela no staff do Festival1 e, se por esse motivo tenho visto muito menos filmes no circuito, o que é bem triste, em compensação agora tenho informações fresquinhas de bastidores para vocês e coisas bacanas para contar, como ter acompanhado a entrevista de Najwa Najjar, diretora de Olhos de Ladrão, selecionado pela Palestina para disputar uma vaga no Oscar do ano que vem. Leia mais

  1. Obrigado agência Febre pela boa recepção!