Os Detetives Selvagens (Roberto Bolaño)

em 26 de janeiro de 2010

Informações

  • Autor: Roberto Bolaño
  • Tradutor:
  • Editora: Companhia das Letras
  • Páginas: 624
  • Ano de Lançamento: 2006
  • Preço Sugerido: R$52,40

A busca por uma poetisa desaparecida move novos poetas, os real-visceralistas, a buscá-la por toda parte, tentando, dessa forma, construir um novo capítulo na história da poesia mexicana e mundial. Dentro desse imenso universo-investigativo somos levados pela narrativa de García Madero, o mais novo real-visceralistas, que não sabe bem onde sua poesia o levará.

Entretanto o jovem García nada mais é do que um introdutor da história. Nesse exemplar de Bolaño, podemos nos deparar com diversos tipos de narrativa, e diversos pontos de vista, por incrível que pareça, não é necessário seguir uma ordem exata dos fatos na parte II do livro, nesse momento o leitor deve assumir o papel de detetive e descobrir quais pistas são as melhores para seguir.

Quem leu Cortázar (O Jogo da Amarelinha) talvez se identifique de maneira positiva alguns traços semelhantes como os exilados intelectuais que formam um clube (O Clube da Serpente). Nessa nova geração, um novo conflito de personagens que tentam respirar a arte, mas desesperados por algo que surja e os engula para dentro de uma realidade abstrata. Assim como novo livro de Cortázar temos diversas citações a escritores que os novos poetas consideram indispensáveis, muitos deles, para não dizer a grande maioria, obscuros para aqueles que não estudam poesia (mea culpa). Contudo, isso não se torna um empecilho e sim um algo a mais, que aumenta o prazer pela leitura e nos deixa sedentos para conhecer cada um dos autores citados.

Para seguir essas pistas deixadas por diversos diários e relatos, marcando local e data do acontecimento, é que desvendamos pouco a pouco as personalidades dos detetives selvagens Arturo Belano e Ulisses Lima. A principio aparentam ser meros coadjuvantes, logo em seguida vemos a sua incessante busca para descobrir onde está Cesárea Tinajero, tornar-se uma biografia deles mesmos. O grande trunfo desse romance é que ele exemplifica, de maneira sutil, que biografias não são histórias sobre uma pessoa, mas sim um conjunto de fragmentos de diversas histórias e vivências que juntas formam o retrato de uma pessoa. Toda essa forma de aglutinação faz com que o tempo não aparente passar para as personagens, mas a narrativa transpõe anos de suas vidas.

E não apenas isso, os relatos e as personagens marcantes ficam em nossa memória e de maneira subconsciente brotam em nossa mente durante alguns relatos para descobrirmos, dentro da nossa própria investigação, que os personagens secundários, antes deixados de lado, se tornam peça indispensável na espinha dorsal dramática de toda a narrativa.

Apesar de ser um romance, soa como poesia a cada página que viramos, porque somos apresentados a poetas que não vivem soltando rimas pelas ruas e, sim, por pessoas que vivem de sexo, conhecimento, boêmia e curiosidade, a verdadeira poesia cotidiana dentro do clima citadino.

O traço de uma geração que almeja o vanguardismo negando a existência, intelectual e superior, de diversos poetas consagrados e tentando trilhar seu caminho através de inovações e investigações sobre a história da poesia, seu futuro e os frutos que irão gerar, não nas próximas gerações, mas nessa que caminha pelas ruas prestes a explodir e ecoar novas formas e pensamentos.

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