herta-muller-b2301Há algum tempo eu e o Tiago escrevemos uma série de posts a respeito do prêmio Nobel. Nela, além de comentarmos sobre o prêmio em si, mencionamos que a escolha da Academia Sueca pela romena-alemã Herta Müller causou não só surpresa, mas também certa decepção.

Ainda não lera nada dela além de um conto e de alguns poemas. Eis que ‘O Compromisso’ – traduzido no Brasil por Lya Luft- mudou um pouco essa opinião.

Em um fluxo de consciência em que existem claros ecos de Woolf, Müller nos apresenta uma operária romena que apóis rejeitar as propostas amorosas de seu superior na fábrica de roupas onde trabalhava é denunciada por colocar bilhetes com propostas de casamento nos bolsos de paletós que seriam exportados para a Itália.

A história a acompanha no bonde, indo para um interrogatório do qual pensa que não voltará. Enquanto isso sua mente costura diversas situações de sua vida: o próprio trajeto, os interrogatórios anteriores, sua vida com seu marido atual, a vida com o ex-marido, as tensões com a família, a amiga que foi fuzilada…

A protagonista é uma mulher cuja vida é marcada pela opressão, não apesa por parte do regime comunista de seu país, mas também por sua família, pelos homens e por sua própria insegurança.

Cheio de idas e vindas o texto requer bastante atenção- eu diria até que certo esmero- por parte do leitor, para que este não confunda demais as situações que irão, inevitavelmente misturar-se.

Como eu disse, ler esse romance mudou um pouco minha opinião a respeito do nobel desse último ano. Não apagou nem a surpresa nem a decepção pelo prêmio não ter sido de nomes que eu considero mais importantes e marcantes, como Amós Oz ou Adonis, mas me fez entender que existem motivos para a escolha de Herta Müller.

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