“Meu único amor nascido de meu único ódio! Cedo demais o vi sem saber quem era, tarde demais o conheci para saber que não posso mais vê-lo.” Julieta, em Romeu e Julieta de William Shakespeare

De todas as obras literárias adaptadas para os mais diversos meios, nenhuma se compara ao drama Shakespeariano, Romeu e Julieta. Seja nos teatros, nas danças, na tela, (sim, mil vezes na tela), ver o amor nascido do ódio de Montecchios e Capulettos é sempre uma nova experiência ou um novo olhar. Escrita pelo inglês William Shakespeare no século XVI, The Most Excellent and Lamentable Tragedy of Romeo and Juliet – no título original – é seguramente uma das maiores obras da literatura mundial.

Com tantas adaptações para recontar a história dos jovens apaixonados de Verona, destacar-se significa abusar da criatividade. Figurinos, cenários, ambientações, críticas, são todos elementos que, renovados, compõem as versões modernas e inesquecíveis do clássico. No cinema isso virou mais que uma regra, quase uma necessidade. Trilhas sonoras elaboradas, efeitos especiais, mudanças inclusive no enredo estão entre os recursos que nem Shakespeare imaginaria.

Então vamos falar de cinema. Caro leitor, para que você não se canse (afinal, são dezenas, centenas de versões, alusões e inspirações cinematográficas para Romeu e Julieta), destacarei apenas três. Mas saiba: Elas são imperdíveis!

Amor, Sublime Amor (West Side Story – 1961 – Dir. Robert Wise)

Tony e MariaUm musical de Romeu e Julieta. Ou seriam Tony e Maria? O filme norte-americano, dirigido por Robert Wise, foi roterizado por Ernest Lehman a partir de uma peça de 1957 da Broadway. Jets e Sharks são gangues rivais. Os Jets, liderados por Tony (Richard Beymer), representam o lado dos meninos brancos e americanos, enquanto os Sharks, gangue do irmão de Maria (Natalie Wood), representam os imigrantes latinos e marginalizados.

Um filme muito premiado. Mas prêmios ainda não descrevem as qualidades exemplares do filme. As coreografias enchem os olhos dos espectadores, assim como a trilha sonora. A crítica social universaliza o filme, fazendo com que ainda hoje ele seja atual. A trilha sonora cola nos ouvidos como algo que “acho que já ouvi isso antes”. Não é impressão, você já ouviu mesmo!

Duas criosidades interessantes sobre a realização de Amor, Sublime Amor. A primeira é que Elvis e Audrey Hepburn foram cotados na época para os papéis de Tony e Maria. Nem consigo imaginar como teria sido. Outra, é que dizem as fofocas que, para aumentar a hostilidade entre Sharks e Jets, o diretor usava recursos de discórdia. Os Jets recebiam scripts corretos e camarins limpos, enquanto os Sharks tinham material desorganizado, camarins afastados e sujos. Pelo que é visto na tela, deu certo!

Romeu e Julieta (Romeo e Giulietta – 1968 – Dir. Franco Zeffirelli)

Romeo e GiuliettaDessa vez, é tempo de Leonard Whiting (Romeu) e Olivia Hussey (Julieta) viverem os papéis. A adaptação é muito fiel ao texto de Shakespeare, e encanta principalmente por uma direção de arte de primeira. A trilha sonora de Nino Rota foi premiadíssima. Os atores também ganharam Globo de Ouro em categorias de atores revelação.

O apreciativo da obra de Zeffirelli é justamente o esforço feito para que todos os elementos fossem os mais fiéis possíveis ao original, das falas ao figurino: Julieta usa um vestido vermelho com dourado e tranças no cabelo, exatamente como está no nosso inconsciente de como deve se vestir uma donzela. Romeu, o príncipe galanteador, usa veludo nobre e malha, assim como nos sonhos das mocinhas românticas.

Essa versão ganhou o apreço do público justamente pela sensibilidade. A escolha de atores adolescentes (e bonitos!) fez com que o coração dos espectadores batesse ainda mais forte. Para quem gosta de detalhes e curte o perfeccionismo dos cineastas italianos, é um prato cheio!

Romeu + Julieta ( Romeo + Juliet – 1996 – Dir. Baz Luhrmann)

Di Caprio e Claire DanesEsqueça tudo o que você viu na versão italiana de Zeffirelli. Luzes, cores, muita psicodelia e violência. Isso mesmo! A versão de Luhrmann virou uma febre do cinema nos anos 90, mesmo porque o Leozinho Di Caprio como Romeu é sucesso teen na certa. A bela Claire Danes faz juz à querida Julieta, instrospectiva e apaixonada. Cenários e fotografia impagáveis.

Verona aparece numa versão moderna e contemporânea. A violência é um elemento motivador do roteiro, mas nos moldes da atualidade. O excesso de elementos em cena, em sons e cortes frenéticos trazem ao espectador uma sensação mais próxima da guerra entre as duas famílias. As falas? Mantidas no original, por incrível que pareça.

Algumas cenas criadas para essa versão são inesquecíveis. O primeiro encontro de Romeu e Julieta através do aquário marinho, a briga na praia, a morte do casal em meio a uma poluição de luzes… são momentos preciosos a serem guardadas na memória.