Traduções por vir – Literatura de Língua Inglesa – Parte II

em 18 de novembro de 2011

Dando continuidade a série de artigos Traduções por vir, listo mais algumas obras em língua inglesa que ainda não possuem edições em português, seja como forma de sugerir às editoras, seja como forma de dar indicações de leitura.

Não sou um leitor costumeiro de livros em inglês. As poucas incursões que fiz foram em traduções de outras línguas ou de livros que já possuem edições em português. Vou arrolar alguns livros que já ouvi falar bastante (e que me deixam curiosos) e de livros que, embora se refiram ao universo mais restrito da literatura estadunidense da primeira metade do século XX (por conta da minha pesquisa), certamente constituem-se boas leituras não só no âmbito daquela realidade como no universo literário no geral.

Bombs away: the story of a bomber team (John Steinbeck) – vocês certamente notaram que eu gosto muito desse autor e que leio uma porção de livros dele. Pois bem, esse livro, como sugere o subtítulo, conta a história de um esquadrão de bombardeio durante a Segunda Guerra Mundial. O livro é propagandístico de uma forma que despertou a indignação de Hemingway, que declarou que preferia ter três dedos arrancados a escrever algo como esse. No mais mantém os toques de simplicidade humanística tipicamente steinbeckianos.

Once there was a war (John Steinbeck) – embora tenha se envolvido mais tardiamente com a Segunda Guerra Mundial (inclusive por estar às voltas com um processo também muito dramático: os avassaladores efeitos da Grande Depressão sobre os pequenos proprietários), Steinbeck reportou-se em relação ao conflito como correspondente de guerra. Esse livro é justamente a reunião de artigos que ele escreveu a respeito da guerra, com a peculiaridade de tratarem de situações aparentemente banais, no nível dos sujeitos mesmo, revelando detalhes interessantes e curiosos sobre o cotidiano do sangrento conflito.

The octopus: a story of California (Frank Norris) – esse livro foi lançado em 1901 e seria parte de uma trilogia (que não chegou a ser escrita integralmente), chamada provisoriamente de A epopéia do trigo (The epic of wheat). No livro são retratados os duros conflitos existentes entre os pequenos proprietários e agricultores da Califórnia frente ao avanço da companhia ferroviária Southern Pacific Railroad. O crescimento do capital especulativo e a expansão da exploração extensiva e científica da terra pelas regiões agrícolas do oeste dos Estados Unidos foi um processo deveras dramático em que várias vozes se levantaram para descortinarem a desumanidade com que ele se caracterizou.

The jungle (Upton Sinclair) – há vários livros de Sinclair traduzidos para o português, mas são poucos se comparados a sua prolífica carreira (que conta com quase cem livros publicados). Vencedor de vários prêmios Pulitzer, o autor estadunidense retrata nesse livro as condições desumanas a que são submetidos os trabalhadores de uma fábrica de processamento de carne. A tônica jornalística de característica crueza que marcou boa parte da produção “neo-realista” estadunidense dos anos 30 está presente em The jungle, o autor inclusive declarou que buscava acertar seus leitores no coração, mas acabou pegando-os pelo estômago, tamanha a visceralidade e a crueldade empregadas para descrever o cotidiano desses trabalhadores.

The chronicles of Thomas Covenant, the unbeliever (Stephen Donaldson) – essa é uma sugestão múltipla, pois são três arcos de história que formam as crônicas de Thomas Covenant, os dois primeiros com três livros cada e o terceiro com quatro. Donaldson inscreveu seu nome nos anais da Fantasia através de uma vasta obra que explora a fundo não só seu protagonista como também o universo fantástico em que a história se situa. Thomas Covenant é um escritor leproso que por uma sucessão de eventos acaba se tornando o salvador do mundo alternativo, chamado apenas The Land. Várias listas colocam ao menos algum dos romances das crônicas de Covenant entre as melhores ou mais expressivas obras de Fantasia de todos os tempos.

Esses são somente alguns exemplos de livros que a meu ver seriam boas pedidas de tradução. Citei aqui alguns títulos com os quais tenho mais familiaridade, mas há diversos outros, desses e de outros autores que mereciam também seu traslado ao vernáculo. Basta olhar para listas de melhores livros de Ficção Científica e Fantasia como essa da This Recording ou da NPR, ou de melhores romances em língua inglesa, como essa da Revista Time, ou mesmo essa eleição dos melhores thrillers de todos os tempos também da NPR, para se ter uma idéia de quantos títulos ainda não estão acessíveis para o português. Uma ótima sugestão para posteriores Traduções por vir que explorem esses gêneros em específico, quem sabe…

Fica a dica para quem quiser conferir o que há de bom lá fora sem tradução, para as editoras que porventura se animarem em traduzir tais livros, e para os que queiram pleitear traduções junto a suas editoras.

4 comentários para “Traduções por vir – Literatura de Língua Inglesa – Parte II

  1. Ah, Lucas, não esqueci do London, não. Estou fazendo um levantamento pormenorizado para passar para vocês depois. Queria acrescentar um autor a essa lista: Michael Moorcock, que escreveu vários romances sci-fi.

    • Beleza Bruce, estou aguardando. Certamento faremos mais ‘Traduções por vir’, porque tem muita coisa sobre a qual vale a pena falar. Já li algo sobre o Moorcock, ele tem umas sagas meio épicas, não é isso?

      • Sim, mas ele também tem romances e contos sci-fi, beirando Vonnegut, como, por exemplo, “Behold the Man”, onde um homem viaja para os tempos de Cristo e assume seu lugar.

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