Traduções por vir: Literatura Polonesa

em 18 de junho de 2011

Que autores poloneses você conhece? As respostas dificilmente irão além de Witold Gombrowicz, Bruno Schulz, Czesław Miłosz. Henryk Sienkiewicy e Wisława Szymborska. Com toda a certeza são autores importantíssimos mas, no enorme universo literário polonês, isso é muito pouco. Quase nada, quantitativamente falando (qualitativamente, porém, estes estão entre os mais importantes, apesar de existirem uma miríade de outros tão ou mais importantes).

O problema é que, no Brasil, a literatura polonesa é subestimada e pouco traduzida. Witkaci, por exemplo, que é um dos principais dramaturgos do século XX- não apenas na Polônia, mas na Europa de maneira geral, nunca foi lançado em português- e a única de suas peças a ser encenada por aqui foi Matka (Mãe), há mais de 30 anos e em francês.

Pensando nisso, eu elaborei uma pequena lista, em que coloquei alguns dos principais nomes da literatura polonesa que não tem edições brasileiras (muitos, aliás, também não têm edições portuguesas). Ao contrário do que o Tiago fez com os russos, porém, não vou me ater a obras específicas: existem bibliografias inteiras por traduzir, qualquer dos livros desses autores já seria alguma coisa. Vou também me concentrar nos séculos XX e XXI, apesar de nem mesmo os clássicos com Adam Mickiewicz terem sido lançados por aqui.

Tadeusz Borowski- Poeta e contista. Seus trabalhos mais representativos são os volumes de contos Pozegnanie z Marią, Kamienny Świat e Prosze Państwo do gazu (respectivamente Adeus à Maria, Mundo de Pedra e Por favor, todos para o gás), em que relata suas experiências no campo de concentração de Auschwitz- porém de modo ficcionalizado. Foi, aliás, o primeiro a fazer relatos do tipo e serviu de inspiração para que o húngaro Imre Kertész começasse a escrever. Escrevia também poemas, publicados na imprensa clandestina polonesa durante a guerra. Durante o regime comunista da Polônia ele passou a escrever para o regime, e sua obra perdeu força. Suicidou-se em 1951.

Tadeusz Różewicz – Outro rebento da guerra. Não foi para campos, porém. Poeta, escritor e dramaturgo, lutou na resistência polonesa ao lado de seu irmão, Janusz Różewicz- também poeta. Janusz, porém, não sobreviveu à guerra, tendo sido aprisionado e executado pela Gestapo. Isso marcou profundamente a obra de Tadeusz, que é marcada por um intenso niilismo. Além de sua obra poética, destacam-se as peças Kartoteka (algo como A coleção de cartas) e Białe małżeństwo (Casamento Branco).

Stanisław Ignacy WitkiewiczUm dos mais importantes dramaturgos poloneses, influenciou todo o teatro Europeu do século XX. Porém, nunca foi publicado em língua portuguesa- e a única montagem de uma de suas peças no Brasil foi Matka (Mãe), que aconteceu nos anos 70 e em foi em francês. Além de peças, escreveu também romances, entre os quais se destaca Pożegnanie jesieni (Adeus ao Outono).

Michał WitkowskiJornalista e romancista contemporâneo. Considerado por muitos um dos melhores- se não o melhor- estetas da atual geração da literatura polonesa. Além disso é considerado bastante ousado em seus temas, por tratar do submundo homossexual- algo que ainda hoje costuma ser voluntariamente ignorado na Polônia. Sua novela Lubiewo (Do amor) é extremamente explícita e causou certo alvoroço.

Hanna Krall- Judia, sobreviveu à guerra por ter sido escondida por uma família polonesa- sorte que sua família não compartilhou. É jornalista e uma das principais figuras do jornalismo literário (ou literatura fato, como é mais comumente chamada na polônia)- um dos gêneros mais prolíficos no país, junto com a poesia e o drama. Suas obras retratam, via de regra, as relações entre poloneses, alemães e judeus durante e depois da guerra. Ela, inclusive, tem uma história que se passa no Rio de Janeiro.

Essa é uma pequena lista de autores que são importantes e que ainda não foram publicados por aqui. Existem inúmeros outros, mas esses são apenas alguns exemplos baseados não tanto na importância da obra, quanto em minhas preferências pessoais.

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Um comentário para “Traduções por vir: Literatura Polonesa

  1. Após muitos anos de procura, sem saber a quem procurava, localizei o autor dum conto lido aos 7 anos. O conto é ‘Bontzye, O Silencioso’, e seu autor, Isaac Loeb Peretz. Nada sei sobre o autor, além de ser judeu polaco. A propósito do gentílico, um paranaense com ascendência polaca escreveu, em defesa do uso da palavra, por circunstâncias históricas tida como pejorativa. Realmente, na região donde provenho, usava-se mais a palavra polaco,a, do que polonês,a. Sou do litoral norte gaúcho, de predominância lusa e com presença de descendentes de polacos, alemães, italianos, japoneses, espanhóis e árabes. Ali, a palavra polaco é usada também como apelido, para designar um indivíduo loiro. Nesse caso, também se usa a palavra alemão.

    Lembro de diversas famílias de origem polaca, e minha memória não registra qualquer incidente como os registrados pelo paranaense citado, que foi agredido verbal e fisicamente. Havia até uma professora, cujo marido era conhecido como José Polaco, e não havia reclamação por parte deles ou de suas filhas, minhas coleguinhas nos dois primeiros anos de escola. Penso que é necessário que nós, brasileiros, provenientes de tantas partes do planeta, devemos expressar com a máxima honestidade, nossos pensamentos e sentimentos, aproveitando o momento histórico. Temos pouca experiência democrática, o que acarreta pouco debate livre de ideias. Façamos isso, pois, exorcizando os fantasmas de tantos preconceitos, alimentados pela ignorância e por quem nisso se sustenta.

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