Crítica: Força Maior

em 6 de novembro de 2014

Informações

  • Título: Força Maior (Force Majeure)
  • Diretor: Ruben Östlund
  • Roteiro: Ruben Östlund
  • País: Suécia
  • Ano: 2014
  • Elenco: Johannes Kuhnke Lisa Loven Kongsli Clara Wettergren Vincent Wettergren

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 por Lidyanne Aquino

Em Força Maior, vencedor do prêmio Un Certain Regard em Cannes, dirigido por Ruben Östlund, o cenário é perfeito para contar uma história tranquila. Ebba (Lisa Loven Kongsli) e Tomas (Johannes Kuhnke) aproveitam as férias para viajar com os filhos pequenos, Vera (Clara Wettergren) e Harry (Vincent Wettergren), aos Alpes franceses. Com sequências que se repetem na primeira parte do longa, esse cenário de serenidade parece até um pouco entediante: todo dia eles acordam, passam o tempo esquiando e depois dormem. Até o dia em que, durante o almoço, uma rápida avalanche pega a família de surpresa. Então observamos como um acontecimento corriqueiro e aparentemente inofensivo pode desencadear uma série de infortúnios.

Tudo parece sob controle no início da avalanche, tanto que as pessoas já deixam o celular a postos para registrar o fenômeno. A cenografia é digna de nota – em poucos segundos a neve toma conta da tela e só ouvimos os gritos de Ebba solicitando ajuda para proteger os dois filhos. Todos saem ilesos, mas o desconforto passa a ser evidente depois dessa passagem. Ebba acusa Tomas por ter resgatado o próprio celular e sair correndo ao invés de ajudar a família. Tomas insiste que não correu, mas tem dificuldades em se justificar quando a esposa aponta sua falha. O que poderia ser um mero incidente acaba por desfazer o cenário da família perfeita com as férias dos sonhos. Qualquer circunstância se transforma em motivo para discussão, seja durante um jantar ou um casual encontro entre amigos. Os filhos não entendem, mas os pais também não se dão o trabalho de explicar.

É interessante notar como algumas passagens se repetem, reforçando não só a impressão de tédio já citada, mas também provocando uma sensação de desconforto em quem assiste. Östlund faz, sempre com um tom macabro, várias tomadas da estação durante a noite, entrecortada pela nevasca, e também do hotel, sempre visto à distância. Da metade para o fim, o uso de As Quatro Estações, de Vivaldi, aparece na trilha como um prelúdio de catástrofe, como se nos desse um indício de que em breve algo ruim vai acontecer. As discussões costumam ocorrer no corredor do hotel ou na presença de outros casais, um fato que acaba acentuando o constrangimento de Tomas, que segue recusando sua covardia até o fim, e a fúria de Ebba, que cresce conforme o longa caminha para o desfecho.

Na parte final, Força Maior perde sua intensidade com sequências que certamente faziam sentido na cabeça do diretor, mas que não parecem tão essenciais ao conjunto da obra. Ainda assim, não tira o valor da obra como um todo – o diretor segue sua tradição de narrar tragédias, conduz bem os atores – que chama atenção até pela desenvoltura das crianças – e nos deixa com um leve incômodo sobre nossa incapacidade de encarar dificuldades cotidianas.

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