Breves notas sobre a diversidade

Ufa. Deu.1

Achei que logo depois de dar, a vida compensaria todo o tempo em que a adiei. Não foi bem assim. 2 Leia mais

  1. Ao menos até a defesa do mestrado, não mexo mais na dissertação tão procrastinada, principal motivo para eu deixar livros pela metade e escrever colunas mais curtinhas (o que inclui esta), aquele texto que só me permitia ficar cinco minutinhos na internet e do qual adaptei um pedacinho para transformar em uma coluna.
  2. Deu um sono. E com ele veio um desânimo. E com este veio aquele desesperozinho de que esse brinquedo não quisesse mais funcionar, desacostumado que estava de que dessem corda nele.

Pela metade

Um livro que eu gostaria de indicar para todo mundo – mesmo para quem viu o filme inspirado nele e o detestou – é Cloud Atlas, de David Mitchell. Não escondo de ninguém – alias, já falei a respeito disso numa ocasião anterior – o fervor quase religioso do meu amor por esse livro.

Adoraria que esta fosse uma coluna para avisar, em primeira mão, que a Companhia das Letras está prestes a lançar o romance no Brasil. Mas não é. Por enquanto, apenas os fãs de Infinite Jest, de David Foster Wallace (devidamente traduzido como Graça Infinita), estão autorizados a suspirarem de ansiedade pelo lançamento em poucas semanas. Quem é da turma do Mitchell, pode aguardar Cloud Atlas lendo Os mil outonos de Jacob de Zoet (que deve chegar às livrarias bem antes) ou apelar para a edição portuguesa, que descobri sem querer fuçando o Instagram dum amigo. Leia mais

Dormir junto ou andar de mãos dadas?

Pernas ou salsichasMuçarela de búfala ou ovo de cordonaHipster ou cobrador? A internet – em especial, a plataforma de blogging chamada Tumblr – é pródiga nessas divertidas polaridades.

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A Trindade do C

Quando a pauta do Jornal Rascunho de março de 2014 foi fechada e a cada um dos colaboradores resenhistas foi designada uma obra a ser analisada, recebi a informação de que escreveria sobre Reprodução, de Bernardo Carvalho. A situação – resenhar o último romance de um de seus autores favoritos – se assemelhava a uma anterior. E isto expus como preâmbulo à resenha.

Há um ano e meio, escrevi minha primeira resenha para o Rascunho: a obra sobre a qual falei era o último romance de Michael Cunningham, Ao anoitecer. Por ser um de meus autores favoritos, eu não ficaria satisfeito em tratar apenas do livro em questão: tinha de relacioná-lo aos quatro romances anteriores do autor. Leia mais

Ela pode escrever QUALQUER coisa

(Põe Tori Amos para tocar – “Pretty Good Year” – e começa a escrever.)

Julho já passou e a gente não se esqueceu: 2014 é O ano para ler mulheres. À hashtag #readwomen2014 uniu-se outra, mais recente (#kdmulheres), cujo fim é questionar (com dados concretos1) a quase ausência de mulheres nas mesas oficiais da Flip2, nas homenagens da mesmíssima festa, na Academia Brasileira de Letras, por exemplo. Todos comemoraram a notícia de que “mulheres leem mais e dominam prêmios”, o que talvez tenha ajudado a esconder o fato de apenas dois dos vinte indicados a melhor romance pelo prêmio Portugal Telecom de Literatura serem de escritoras3. Pode parecer tempestade em copo d’água, algo até meio passé, mas isso é só antes da gente descobrir que um “crítico” achou legal ser misógino ao “pensar” a poesia de Angélica Freitas. Leia mais

  1. Números! Todos nós adoramos porcentagens exatas, ainda que às vezes digamos que elas não significam nada.
  2. Chega dói descobrir que Elvira Vigna – uma das autoras sugeridas por Emanuela Siqueira em seu blog – nunca foi à festa porque… nunca foi convidada!
  3. Os números do prêmio São Paulo de Literatura são um pouco menos assustadores. Mas só um pouco: são apenas 4 mulheres entre os 20 finalistas. Bensimon, Barbara e Del Fuego continuam fora dessa outra disputa, mas há um livrinho muito do xexelento em AMBAS as listas. Vai entender…

Cinco minutinhos na internet

Não leva nem cinco minutos para ler uma coluna como esta. Não importa se demorei uma hora ou duas semanas para escrevê-la.

Que o tempo é relativo, Einstein já provou. Dizem que ele costumava brincar afirmando que um minuto ao lado de uma bela mulher passa muito mais rápido do que um minuto segurando uma panela quente.

A melhor tirinha do mundo – não importa se escrita pela Laerte – não demora mais do que trinta segundos para ser lida. Às vezes, você até lê e relê por uns cinco minutinhos, mas logo aparece um gif de gatinhos imperdível. Leia mais

Medi uma Flip em abraços

Na crônica “O legado de Kudno Mojesic” – presente no recém-lançado O louco de palestra, de Vanessa Barbara –, a escritora se dá o direito de medir um corso1 de forma inusitada. Leia mais

  1. Coletivo de “carro (em desfile)” que acabo de descobrir. Creio que engarrafamentos não deixam de ser uma (disfuncional) parada do orgulho automobilístico.

F for Flip

F…

…de Flashes.

Passou-se um ano. Aliás, mais do que um ano; a Copa do Mundo atrasou totalmente a agenda literária brasileira. Pois bem: passou-se um ano e aquela coluna imensa, dividida em três ou quatro partes, que eu prometi (a mim mesmo e em voz baixinha, justo pra não ser cobrado por ninguém) escrever a respeito da Flip de 2013 não saiu do papel.

Pior: não chegou a ele. Leia mais

Bola de clichê

Canto mentalmente uma música dos Mutantes por alguns minutos, antes de perceber que a letra está errada. Não, eles não cantam “Ando meio irritado, eu nem sinto meus pés no chão”. Preciso me lembrar disso.

Acho que tudo tem a ver com a dupla que protagonizou uma de minhas colunas, semanas atrás. Um daqueles caras se irrita com a leitura de um livro ruim (“Oh-oh-oh-oh-oooh! Oh-oh-oooh-oh-oh! Caught in a bad romance.”), enquanto o outro começa a gostar do enredo e tenta não ligar para os clichês (“ler um mau romance ajuda a valorizar os bons”).

(O bom de escrever sobre clichês é: esse tipo de texto já foi escrito tantas vezes por tantas pessoas que é um exemplo excelente do que é um clichê.)

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Making-of de um fracasso

Segundo o Rotten Tomatoes, O futuro – filme dirigido, roteirizado e protagonizado por Miranda July – não é exatamente um fracasso: 71% dos críticos não jogaram tomates podres na sala do cinema. Mas quem liga para o site, quando o único motivo para se ver um filme é o apreço de uma amiga pela diretora-roteirista-atriz-artista? Se mesmo aquela – Dindi, vocês devem conhecê-la – não gostou do último filme desta – Miranda, é provável que também a conheçam –, você tem o mesmo direito de não gostar dele, correto? Leia mais

Algumas notas sobre a felicidade

(Como já fiz algumas vezes, a coluna de hoje tem três partes que, ainda que tenham alguma relação entre si, podem ser lidas independentemente. A primeira é um resumo pessoal sobre as três últimas Copas, a segunda é um passeio insone por uma livraria imaginária, e a terceira é uma espécie de resenha do livro A vida do livreiro A.J. Fikry, de Gabrielle Zevin – esta, sim, talvez seja interessante ler depois das duas partes anteriores.) Leia mais

Um thriller para chamar de meu

Dispensando intermediárias (ou “Uma introdução”)

Gosto pessoal é difícil de expressar, né? Se me perguntam do que gosto num filme, nunca sei se devo falar na lata ou se devo fazer um preâmbulo a fim de me explicar para a pessoa – ela tem cara de quem tem paciência? Musicais do nada, portas1, gêmeos do mal, moças envoltas em mistério2: todos são bons exemplos de “na lata”.

michelle Leia mais

  1. Se você leu meu conto de Natal para o Posfácio (parte 1 e parte 2), sabe do que estou falando.
  2. E não falo daquelas moças misteriosas que claramente são mais um objeto de cena, nada além de um acessório para o protagonista, um truque do escritor/roteirista para mascarar sua falta de vontade em criar uma personagem feminina complexa e/ou verossímil e/ou interessante por si só.