Harry Potter nos cinemas – Parte 2

em 18 de novembro de 2010

Continuando o artigo sobre as adaptações de Harry Potter para os cinemas, chegamos agora ao terceiro filme – Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Como dito anteriormente, a saga teve a primeira mudança de diretor neste filme. Quem assumiu o cargo foi o mexicano Alfonso Cuarón, no lugar de Chris Columbus.

Alfonso já havia trabalhado antes para a indústria hollywoodiana, pela Warner Brothers e Century Fox, mas até então seu maior sucesso vinha do cinema mexicano, com o drama Y tu Mamá También. Na minha opinião, Alfonso trás na sua direção, um filme muito mais maduro e sombrio do que os dois primeiros, sem deixar de perder a alma adolescente da história. Se antes, Chris Columbus tinha uma forte preocupação em ser fiel ao livro, Cuarón mostra um trabalho mais ousado.

Em entrevista retirada do site http://conteudo.potterish.com, Cuarón fala sobre como foi sua relação estética com J.K. Rowling: “Eu fiquei feliz que desde o começo do projeto tive um ótimo conselho de J.K.Rowling: “Seja fiel ao espírito dos livros, não seja literal”… Existe muita coisa que perdemos porque não tivemos tempo. Então, nós decidimos nos manter neste tema do ritual de passagem.”

Sobre a diferença entre o Prisioneiro de Azkaban e os outros dois filmes da serie, Cuarón disse que “Aqui Harry é muito mais pessoal. Ele está dando seus primeiros passos aos anos da adolescência. Harry percebe que estes monstros… não vivem dentro de armários ou debaixo da cama, eles vivem dentro de si. E o que ele percebe agora é que o jeito para lutar com estes monstros também está dentro de si.”

Já o quinto filme – Harry Potter e o Cálice de Fogo – contaria com outro diretor, o aclamado Mike Newell, que já dirigiu sucessos como “Quatro Casamentos e um Funeral”, “O Sorriso de Monalisa” e “O Homem da Máscara de Ferro”. Outra grande mudança na equipe foi a Trilha Sonora, que foi realizada por Patrick Doyle, além de faixas da banda “As Esquisitonas”, que aparecem durante a cena do Baile de Inverno.

Mike Newell, em 2007, ainda trabalharia com outra obra que começou na literatura e passou para os cinemas – O Amor nos Tempos de Cólera, que teve Fernanda Montenegro no elenco. Mas, para o próprio diretor, trabalhar com a obra de Gael Garcia Marquez teve infinitamente menos pressão do que o filme de Harry Potter.

Em entrevista dada à Revista Empire, o diretor falou sobre seu trabalho e dos colegas que ocuparam o cargo nos outros filmes:

“Esse filme é completamente, radicalmente diferente! Além disso é diferente de qualquer coisa que eu já tenha feito anteriormente, o que foi a idéia disso por trás disso tudo. Realmente, a única limitação é o que você pode imaginar, o que é extraordinário.

Os dois primeiros filmes são brilhantes em seu estilo e muito gratificantes. Mas não há nenhum desafio “adulto”. Alfonso colocou algumas coisas desse tipo e eu levei adiante. A verdade que você conta para uma criança de 11 anos é diferente da que você conta para uma de 15 anos.”

Para o La Vanguardia, o diretor falou também de suas semelhanças com Cuarón, e o que pretendia mudar para Harry Potter e o Cálice de Fogo

“Eu queria continuar o processo de crescimento de Harry que Cuarón havia iniciado. Não queria voltar à infância luminosa que Chris Columbus tinha pintado, por mais que me tenha encantado.

Mas o que eu tinha mais claro era que queria fazer um “thriller”. Um filme como “Intriga Internacional”, em que no começo da história o herói não sabe absolutamente nada além de que estão acontecendo coisas estranhas. O público, por outro lado, sabe que por trás desses fatos há uma inteligência superior que está manipulando o protagonista, neste caso Harry. Ele está sendo manipulado desde o início pelos vilões. Sempre vi claramente que um “thriller” daria um ritmo interessante ao filme.

Então os produtores me disseram: “Um dos motivos pelos quais você nos interessou é porque sabe fazer comédia. Pode conseguir que a história também seja divertida?” Então lhes falei de minha experiência escolar na Inglaterra, e de como eu via que ali havia um enorme potencial para a comédia, porque a escola é uma instituição anárquica. Expliquei que não era preciso tratar Hogwarts tão a sério como tinham feito. A escola é o lugar onde se misturam todas as loucuras.”

O quinto livro da série, Harry Potter e a Ordem da Fênix, foi dirigido por David Yates, que também dirigiu o Enigma do Príncipe e o tão esperado Relíquias da Morte, mas esse é um assunto para a próxima resenha.

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