A idéia das colunas no Meia Palavra surgiu há algum tempo, dois ou três meses eu acho, e desde então estive pensando com meus botões sobre o que escrever. Não conseguia pensar em nada que me desse aquela sensação quase aflitiva que é preciso para expressar-se. Levando em conta que sou fascinado por História e tenho a literatura como um prolífico canal para compreender alguns nuances e reviravoltas na História, pensei que seria legal se eu pudesse juntar as duas coisas numa coluna, e foi assim que nasceu essa coluna: Histórias e Estórias (tomei a liberdade de usar esse vocábulo já não mais em uso, e, se preciso, invoco Guimarães Rosa em minha defesa).

O formato não foi fácil definir, pensei em me deter por meses a fio (já que ela é mensal) sobre uma obra para dela extrair e discutir importantes informações e visões acerca de uma realidade histórica específica; mas isso poderia ficar maçante e os posts muito distantes no tempo. Pensei também em “dissecar” determinados eventos históricos trazendo a literatura como ajudante, mas isso também geraria posts por demais grandes e a literatura ficaria muito a segundo plano. Por isso, lembrando-me de uma sugestão feita nesse sentido há algum tempo atrás no fórum (não lembro em que tópico, por isso se você sugeriu quero que saiba que lhe sou grato), resolvi adotar um formato um pouco diferente, que me permitisse mesclar as duas partes em uma dosagem parecida: essa coluna visa ser uma espécie de “Saiba mais” para eventos históricos, sugerindo e discutindo obras literárias que permitam uma compreensão histórica a partir de outro prisma.

Porém, para realizar tal intento, cabem nessa primeira coluna algumas discussões deveras pertinentes. Primeiramente é preciso ressaltar que as sugestões feitas aqui assumem além do tom pessoal (afinal é a minha coluna) o cuidado de alertar aos incautos que os livros indicados e discutidos não são a expressão fiel da realidade histórica como ela ocorreu, visto essa ser sempre uma construção e reconstrução pautadas em condições subjetivas e historicamente mutáveis. As sugestões que aqui serão feitas servem ao propósito de proporcionar ao leitor uma visão diferente do que comumente se encontra nos livros didáticos e historiográficos, visto que me baseio na concepção de que a Literatura NÃO é História.

As obras literárias que indicarei servem como leitura adicional (ou seja, não substituem leituras de materiais historiográficos e outras possíveis fontes) para perceber outros nuances acerca dos processos históricos, elas são frutos de sujeitos históricos que escreveram com alguma propriedade sobre o assunto, in loco ou tendo um arcabouço de pesquisas e discussões que lhes desse especial fôlego para tal.

A Literatura é um prolífico meio de expressão através do qual podem ser percebidas mudanças de mentalidade, posições filosóficas, políticas, classistas, morais, religiosas e éticas que representam parte importante da realidade e que, devido ao seu conteúdo, apresentação e idéias, contribuem para uma compreensão mais abrangente sobre uma época através de seus mais variados e complexos aspectos.

Ao indicá-las, farei também as ressalvas e procurarei apontar informações importantes sobre o autor e a representatividade daquela obra e do caudal de desdobramentos históricos dos quais ela é fruto e influência.

Creio ser essa premissa uma forma instigante e fecunda de construir uma maior aproximação entre esses dois campos que apesar de sua especificidade, tem muito a contribuir para ambas as partes. Pretendo não ser tão sisudo como aparentemente fui nessa primeira coluna, quero sim é que os que se dignarem a ler meus textos possam encontrar na História alimento e fôlego para transcenderem e compreenderem de forma mais premente e crítica sua própria realidade e suas próprias leituras. Se tal intento for minimamente alcançado, já me darei por satisfeito.

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