Orlando (Virginia Woolf)

em 25 de janeiro de 2012

Virginia Woolf gostava de mulheres e o grande amor de sua vida foi Vita Sackville-West,  também escritora, mas não tão famosa quanto ela. Vita era uma mulher muito moderna para a época, viveu muitos casos de amor, gostava de viagens e tinha uma desenvoltura natural para lidar com a sua vida e todos os seus desejos. Virginia Woolf, por outro lado, era mais contida, porém, sempre soube muito bem o que queria em relação aos relacionamentos que teve. Isso, talvez, explique seu amor por Leonard Woolf, que ficou imortalizado na sua carta suicida: “ninguém poderia ter sido mais felizes do que fomos”. Ou seja: não há por que acharmos que Virginia Woolf amou menos Leonard, ou Vita, ou outras e outros, ela sabia separar, quantificar e retribuir os amores que teve.

Escrevo sobre Vita porque o livro Orlando foi um presente que Virginia ofereceu a ela. Orlando é Vita, e pode representar a revolução do ser humano e também a necessidade de adequação social, pois é a história de uma pessoa que vive mais de 200 anos, não é vampiro ou coisa assim, é apenas um indivíduo evoluindo e moldando-se de acordo com o ambiente em que vive de uma forma muito natural.

Muitos críticos analisam Orlando como um exemplo de pensamento feminista, outros atribuem que o livro também pode ser analisado como um romance histórico. É feminista por lidar com o fato de Orlando só se tornar maduro quando passa a ser mulher, aos 30 anos; é histórico porque inicia-se no século XVI e termina no início do século XX, e traz muitas referências sociais, culturais e políticas.

A história de Orlando começa a ser contada quando ele tem 16 anos e é um homem, não demora muito tempo e ele conhece uma mulher que o deixará muito abalado emocionalmente por toda a sua vida, o nome dela é Sacha e eles vivem uma história de amor com temperos shakesperianos. A partir deste ponto, a história ganha elementos fantásticos, como o fato de Orlando dormir por muito tempo e acordar naturalmente, como se o “dormir” fosse a sua melhor forma de amadurecimento perante os diversos acontecimentos ingratos de sua vida.

O romance acontece como se a narradora, Virginia Woolf, estivesse escrevendo a biografia de Orlando, isso faz do texto mais leve e livre, pois ela conta a história, dá sua opinião, oferece informações sobre teorias literárias e também brinca com a possibilidade da biografia ser levada a sério ou não. Impossível não levar à sério, pois toda a obra woolfiana tem como característica a modernidade, que também pode ser vista no filme homônimo dirigido por Sally Potter em 1992. Vale à pena o livro, vale à pena o filme, vale à pena todas as produções literárias de Virginia Woolf, seu diário e as tantas biografias lançadas até hoje, pois através dela podemos compreender melhor as pequenas (grandes) questões do nosso cotidiano, que muitos críticos chamam de ausência de enredo, mas que transformam as nossas vidas quando menos percebemos.

Sobre a autora: Francine Ramos trabalha com tecnologia educacional, está no último ano de Letras e mantém o blog Livro & Café. Mora em Sorocaba, interior de São Paulo. Prefere o inverno, gosta de ler, escrever, rock e uísque com bastante gelo.

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