Eu sou amigo do Júlio César! Sim, estou falando do Júlio César o Imperador Romano. Infelizmente não usei uma máquina do tempo, tampouco sou o personagem da célebre canção do genial Raul Seixas “Eu Nasci a 10.000 Anos Atrás”, e não sou louco. Pelo menos não mais que a maioria  das pessoas. Eu me tornei amigo do famoso Imperador Romano pela prosa deliciosa do inglês Conn Iggulden.

Uma das vertentes literárias que mais me chamam a atenção é a chamada “Romance Histórico”. Se você acompanha esse blog, tem grandes chances de saber o que vem a ser o tal de Romance Histórico, mas se você ainda não sabe vamos lá: Chama-se Romance Histórico livros que utilizam fatos, personagens ou até mesmo locais reais, descritos e narrados com diálogos, ações, personagens e situações criadas pelo autor.

Assim, podemos ler o Rei Arthur conversando com seus amigos da Távola Redonda ou, como nesse caso, acompanhar os diálogos e pensamentos do próprio Júlio César. Os fãs do gênero podem estar se perguntando: “Ei, mas o Bernard Cornwell é O Cara nisso! Esse tal Iggulden é bom mesmo?”.  Para quem ainda tem dúvidas, basta ler a capa das 4 edições da Editora Record:

“Uma história brilhante, com personagens vivos, ação e ritmo fantásticos! Eu queria tê-la escrito.” Bernard Cornwell

Analisando os 4 volumes de O Imperador como um todo, temos um história familiar, contada de forma que nos sentimos amigos dos personagens. Mesmo sabendo que certo personagem morreu muito antes de alguns fatos narrados com sua presença ou quando sabemos que certa batalha não ocorreu exatamente daquele forma, os livros se mantém. O carisma do personagem principal, qualidade tão decantada por historiadores ao longo dos séculos, transborda em cada página.

A narração das batalhas é um show à parte. Desde a quase obsessiva atenção dada aos suprimentos e acampamentos, até a visão estratégica de terreno, tropas e táticas adotadas e alteradas ao longo da mesma batalha está descrito de forma tão realista que o leitor pode sentir o suor e o medo dos envolvidos. Mas tão vívido quanto as batalhas são os costumes, a cultura, o pensamento romano, que ganham vida linha após linha.

A Quadrilogia está dividida da seguinte forma:

Volume I – Os Portões de Roma: Neste primeiro volume, somos levados para uma pequena propriedade nos arredores de Roma. Dois meninos levados, espertos e com uma centelha do que se tornarão quando adultos, nos são apresentados: Júlio e Marco.

Uma amizade que é o cerne do que será o núcleo de tudo o que está por vir. O treinamento físico e mental a que são submetidos aceleram o coração, causam raiva, alegria e culmina com uma sensação de familiaridade, de proximidade com os garotos, algo que só as boas histórias conseguem criar. Conhecemos ainda personagens que, acredite, você ficará triste ao descobrir terem sido apenas inventados pelo autor.

E não, não revelarei quais são. O próprio autor se encarrega disso no fim do livro, na denominada “Nota Histórica”. Aliás, lê-las será um prazer, e um drama, todo especial. Cada livro possui a sua, onde o autor revela, para aqueles que não conheciam, as diferenças entre sua história e o que ocorreu no mundo real.

Volume II – A Morte dos Reis: Aqui já temos Júlio César e Marcus Brutus partindo para viver o que aprenderam na teoria. Vemos a característica mais acentuada do Júlio César histórico desabrochando: seu charme, seu magnetismo pessoal. A forma como sai de uma situação desesperadora, cai em outra tão ruim quanto e consegue se reerguer triunfante, levando pessoas a seguirem-no de forma tão absoluta quanto natural. É de fazer qualquer político morrer de inveja!

O título do livro merece uma consideração à parte, pois faz referência a um dos pontos mais sensíveis para os antigos romanos. O sistema politico com um Senado sendo o pilar de vários outros cargos menores sempre foi motivo de orgulho e, no outro extremo, um Rei era considerado então um sistema de bárbaros, de povos atrasados. Temos uma aula de política romana que pode, sem muitos adendos, ser aplicada aos nossos dias.

Volume III – Campo de Espadas: Como o próprio nome indica, esse volume tem uma grande quantidade de batalhas. E quão imersiva, perfeita e real são essas batalhas! A conquista da Gália e a chegada à Britânia conseguem trazer o leitor para dentro de uma Legião Romana. A revelação de que soldados romanos eram mais construtores que guerreiros pode surpreender os mais desavisados, mas com certeza é um dos fatos que levaram as Legiões a servirem de modelo bélico até nossos dias.

Outro tema que o leitor perceberá estar enredado é o tipo de conquista imposta pelos romanos. Mais do que matar-pilhar-destruir, os romanos traziam benesses aos povos conquistados. O próprio Júlio César explica por que a chegada de Roma é boa, sua consternação com a resistência encontrada, o que só ajuda a formar o personagem, que foi um dos maiores generais da história.

Volume IV – Os Deuses da Guerra: É o final épico que a saga merece. Você provavelmente sabe como o Imperador Júlio César morreu. Neste último volume, viajamos para a Grécia e o Egito. Cleópatra está presente, e com ela a conquista militar e politica do antigo reino do Egito. Personagens históricos têm suas vidas desnudadas de forma eletrizante, o leitor entra no clímax quase sem perceber.

O autor avisa nas Notas Históricas que a morte de Júlio César não termina quando seu corpo é esfaqueado, todos os personagens envolvidos no fato histórico tiveram mortes violentas, dando margem a um possível 5º volume.

Se você gosta da cultura romana O Imperador é uma aula, exaustivamente pesquisada pelo autor, deliciosamente exposta e que acompanha o emaranhado politico que culmina no maior Império Ocidental de todos os tempos.

Não tenha dúvida, meu amigo Júlio César não é lembrado e feito personagem de obras tão divertidas quanto essa saga à toa.

Sobre o autor: Por incrível que pareça Ramalokion não é seu nome de batismo. Foi registrado Rubens São Lourenço Neto, formou-se em Direito (de um jeito errado), é bancário por obrigação (por escolha seria Playboy Milionário Alter Ego de Super Herói). É um eterno apaixonado por Ler e beber Cerveja.

Saiba mais sobre essa e outras obras no site do Grupo Editorial Record