Crítica: ‘Em Transe’, a falha da psicanálise

em 3 de maio de 2013

Informações

  • Título: Em Transa (Trance)
  • Diretor: Danny Boyle
  • Roteiro: Joe Ahearne e John Hodge
  • País: Reino Unido
  • Ano: 2013
  • Elenco: James McAvoy (Simon), Vincent Cassel (Franck), Rosario Dawson (Elizabeth), Danny Sapani (Nate), Matt Cross (Dominic), Wahab Sheikh (Riz), Mark Poltimore (Francis Lemaitre), Tuppence Middleton (mulher ruiva do carro vermelho).

Danny Boyle é um diretor competente. Seus últimos longas, embora não sejam considerados excelentes, têm seu estilo e personalidade. São produções de qualidade, ainda que muita gente possa não gostar. Os dois últimos filmes para cinema concorreram ao Oscar – sendo que Quem Quer Ser Um Milionário venceu na categoria de melhor filme.

A mais nova película do cineasta, Em Transe, é uma mistura de thriller de ação com mistério psicanalítico. O protagonista Simon, vivido pelo sempre ótimo James McAvoy, é um viciado em quadros e jogos de cartas. O primeiro vício lhe deu um emprego, de leiloeiro. O segundo, uma dívida. Para conseguir pagá-la, ele recorre ao charmoso bandido Franck.

No meio do ato, Simon sofre uma amnésia e, quando acorda no hospital, a pintura em questão havia sumido. Para poder recuperá-la, Franck decide submeter Simon a um tratamento de hipnose com a Dra. Elizabeth, que logo nas primeiras sessões descobre a encrenca na qual se havia metido.

Entrando cada vez mais na mente de Simon, a médica começa a descobrir segredos da gangue, e a realidade começa a se confundir com as experiências psíquicas. Em momentos que remetem a filmes como A Origem e Amnésia – ambos do diretor Christopher Nolan –, mas sem jamais conseguir atingir clímax ou intensidade parecidos, Boyle mergulha sem muito sucesso em um mundo de imaginação, fantasia e desejo.

Uma confusão de cenas que jogam o espectador de um lado a outro sem chegar a lugar algum, tensão quase inexistente e diálogos um tanto constrangedores marcam os dois primeiros terços da produção. Felizmente – para nós e para Boyle – o terceiro ato recupera o fôlego e consegue esclarecer todos os pontos que haviam ficado soltos durante a primeira hora de projeção. Confuso, o roteiro de Joe Ahearne e John Hodge só se faz entender nos minutos finais, o que não necessariamente melhora a trama. É um filme de ação disfarçado terrivelmente de drama.

As atuações tampouco são notáveis, ainda que McAvoy mostre seu talento sempre que o personagem permite – pouco. O que é surpreendente, já que o enredo deveria levar o espectador a sentir a intensidade e fatalidade na vida daquelas pessoas, e até mesmo raiva por algumas delas. Mas nem isso. A única coisa que Boyle arranca da plateia é uma exclamação de alívio, por ter conseguido sair do cinema com a sensação de que entendemos algo.

Um comentário para “Crítica: ‘Em Transe’, a falha da psicanálise

  1. Olá, María.
    Sua frase final é uma síntese brilhante do que é esse filme, infelizmente.
    Confesso que roí as unhas durante todo a obra – chegando no final quase como o personagem de McAvoy depois da tortura -, mas não necessariamente porque estava tenso, mas sim, talvez, porque estava me sentindo burro e certamente incomodado com a falta de entendimento.
    Gosto de Boyle. Tenho muita simpatia por Quem Quer Ser Um Milionário? , mas esse filme realmente é de uma construção de roteiro tão pretensiosa e excessivamente complicada que me cansou.
    À parte de umas boas cenas – como a revelação final sendo feito dentro de um carro que andava pela rodovia, numa alusão aos “caminhos da mente” -, o resto é verdadeiramente uma ação transvestida de drama.
    Além de elogiar McAvoy, contudo, também acho que deveria elogiar Vincent Cassel, que é sem dúvidas um ótimo ator.
    Quanto a menina, pensaria em 208504 outras atrizes naquele papel.

    Abraços!

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