Wysława Szymborska (02/07/1923 – 01/02/2012)

A Polônia, apesar de todas as vicissitudes históricas e de uma auto-imagem nacional um tanto confusa, foi o berço de grandes personagens históricas. Lá nasceram Chopin, Madame Curie, João Paulo II. Czesław Miłosz também é outro polonês de peso. Ontem, juntou-se a esse verdadeiro panteão a poeta Wysława Szymborska: aos 88 anos, a vencedora do Nobel de Literatura de 1996 faleceu depois de uma longa doença – tendo, inclusive, sido operada no ultimo mês de novembro. Segundo o secretário de Szymborska, porém, a poeta morreu em sua casa em Cracóvia, de forma tranquila.

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O Monte do Mau Conselho (Amós Oz)

Liev Tolstoy abre seu ‘Anna Karenina’ de um dos modos mais memoráveis de todos os tempos: ‘Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma a seu próprio modo’. Pelo menos três das incontáveis facetas que a infelicidade assume foram retratadas por Amós Oz, em seu livro O Monte do Mau Conselho, recém-lançado no Brasil pela Companhia das Letras – inclusive com direito a vinda do autor ao país.

O foco do livro é Israel antes de ser Israel, ou seja, os anos finais do Mandato Britânico na Palestina. Certamente foi uma época tensa, em que as esperanças se dividiam. Ao mesmo tempo em que a partida dos ingleses significaria a possível concretização do sonho de um estado nacional judaico, isso também criaria um vácuo no poder – que seria disputado não apenas pelos judeus e palestinos, mas por todos os países vizinhos.

São três histórias, a respeito de três famílias. Infelizes, sem dúvida: difícil ser feliz nesse contexto. Cada uma delas, porém, é constituída de modo diferente e reage de maneira diferente ao impasse – no qual são, apesar de tudo, impotentes. Leia mais

Eu servi o Rei da Inglaterra (Bohumil Hrabal)

Chega a ser impressionante a quantidade de coisas que o tcheco Bohumil Hrabal consegue abordar em um livro curto como Eu servi o rei da Inglaterra. Em pouco mais de 200 páginas Hrabal dá voz a Ditie, que reconta praticamente toda sua vida, impregnando-lhe um tom reflexivo e poético.

Ditie fala do seu começo de carreira como ajudante de garçom no Hotel Praga Dourada, de sua admiração por um grupo de clientes habituais e que, aparentemente, eram bastante ricos. Justamente essa admiração e o desejo de imitá-los é que o leva à sua primeira experiência sexual, no bordel Paraíso- onde o dinheiro que conseguiu amealhar vendendo salsichas na estação e com as gorjetas do restaurante do hotel unem-se a sua natureza gentil e um pouco ingênua, e o tornam mui bem quisto pelas profissionais de lá, a despeito de sua baixa estatura.

Ditie, porém, acaba por deixar o Praga Dourada, e, indicado por um bem sucedido vendedor de balanças, vai para o Tichota. Lá ele aprende a ser um garçom melhor, e cria ambições maiores. Acaba não dando certo nesse emprego e por fim, acaba trabalhando no Hotel Paris.

Lá um velho chefe dos garçons se afeiçoa a ele e passa a lhe ensinar muitas coisas- sobre a vida e a profissão. É capaz de adivinhar a nacionalidade e o pedido dos clientes, sem sequer falar com eles. Quando Ditie lhe pergunta a origem dessa sabedoria, ele simplesmente responde ‘Eu servi o Rei da Inglaterra.’

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Uma solidão ruidosa (Bohumil Hrabal)

Um dos muitos trabalhos que o autor de Uma solidão ruidosa, o tcheco Bohumil Hrabal, teve foi o de prensador de papel usado. Diferentemente do protagonista da novela, porém, esse não foi o único emprego de Hrabal durante a vida.

Na história, que se passa ainda antes do fim do comunismo na Tchecoslováquia, Haňt’a trabalha há 35 anos compactando papel velho com o auxílio de uma prensa mecânica. Durante todo esse tempo ele cumpriu esse trabalho com uma lentidão resignada, que lhe permitia vasculhar entre o material que deveria destruir e encontrar livros que a censura do regime decidira dar cabo. Foi assim que teve o que chama de sua educação inconsciente.

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E a história começa (Amós Oz)

Qual a parte mais difícil de escrever? Particularmente, eu acredito que seja começar. Sentar em frente à escrivaninha e ter de encarar a folha de papel (ou a tela) em branco, sem nenhum auxílio, sem nenhum material que possa ser consultado: apenas o você, suas idéias e o papel, esperando que algo surja.

Na maioria das vezes que escrevo- sejam contos, poemas, peças, ensaios ou até mesmo resenhas- as primeiras palavras são as mais difíceis. Não é difícil, aliás, explicar o motivo: muitas vezes é na primeira página, no primeiro parágrafo, na primeira frase que se ganha ou se perde um leitor. Um começo ruim pode botar todo um livro à perder.

Essa angústia, porém, não é particularidade minha: recentemente descobri que, entre as inúmeras pessoas com as quais eu a compartilho figura um de meus autores favoritos, Amós Oz. Ele afirma invejar, de certa forma, o pai- que escrevia livros acadêmicos e para quem a angústia de começãr não era tão grande (porém surge ai a angústia da falta de liberdade, mas isso é outro assim). E foi pensando nisso que escreveu E a história começa. Leia mais

Nossas apostas para o Nobel- II

imagesEste post é, na verdade, uma cópia de vários trechos de uma conversa travada entre mim e o Tiago. É o segundo texto, em que discutimos os nomes que achamos mais prováveis e fazemos nossas apostas. Ainda falta mais um, quando falaremos do laureado- que será revelado pela Academia Sueca no próximo dia 08.

Luciano R. M.

É difícil pensar em nomes para o Nobel. Tudo aquilo que já dissemos é certamente importante, mas ainda assim não sei qual a visibilidade de certos autores no cenário literário europeu. Escolhi, então, cinco autores que parecem-me plausíveis ao menos de uma indicação, e expliquei o porque disso.
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