Livros para o Dia das Crianças

em 12 de outubro de 2010

No Brasil o Dia 12 de Outubro é o Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do país. Também é comemorado o Dia da Leitura Nacional. Entretanto todos conhecem esse dia como o das Crianças. Além de feriado é uma data para presentear os filhos, sobrinhos e afilhados com presentes. E nesse dia presenteamos seus leitores com livros para ler nesse dia.

Tiago: Peter Pan, de J. M. Barrie: Um livro que precisa, sobretudo, ser relido hoje. Poucas obras tiveram sua leitura tão invertida como a de Peter Pan, que se tornou uma espécie de fantasia bucólica de uma infância inocente que não quer terminar. Frésan (que está também em algum lugar dessa lista) soube explorar o sintoma dessa nossa visão doentia da infância, exibindo-a como tragédia. Mais o livro de Barrie possui nele mesmo uma outra chave, a chave da coragem. É contra a infância que esse livro escreve: a infância como idade segura do homem, oferecida pela família, pela lei de um Pai (é o Capitão Gancho que quebra os relógios, é ele que não quer ver o tempo passar – e é ele quem é vítima desse não-tempo que ele pretende criar: a morte). Peter Pan lembra que a aventura nunca pode ser aventura segura: ela é também relação direta com a morte, mas é relação de se colocar a sua frente e não em perseguição paranóica em direção a ela. Por isso, ele é capaz de dizer, quase maravilhado, no momento mesmo de perigo: “A morte… Não será essa a maior aventura de todas?”. É por olhá-la de frente é que Peter Pan não cede a morte, não torna sua vida vitimada por ela.

Pips: O Apanhador no Campo de Centeio de J.D. Salinger: Ao crescer não percebemos as pequenas coisas que nos fizeram tão felizes na infância, às vezes se tem alguma idéia, mas, no geral, são apenas reminiscências. O ironico é ver Holden Caufield crescer mesmo sem tê-lo conhecido antes. Ele divaga sobre a vida, sobre sentimentos e sua relação com as pessoas de sua idade e as adultas. Nesse ponto é interessante citar que a criança aqui é Phoebe, a esperta irmã do protagonista, que tem uma visão que mescla amadurecimento precoce e inocência. O carinho dela com o irmão soa como se ela fosse mais velha, pois aconselha e vê que ele não está feliz. Outra mensagem importante quanto a infância nesse clássico é a vontade de Holden ser “um apanhador no campo de centeio” para impedir que as crianças caíam enquanto brincam, ou seja, não quer que elas parem de brincar e cresçam.

Izze: Roverandom de J.R.R. Tolkien é principalmente conhecido pela trilogia O Senhor dos Anéis e todas as suas histórias sobre a Terra Média. Mas há um livrinho de sua autoria que é bem diferente de sua grande criação, tanto na ambientação quanto na forma de narrar. Esse é Roverandom, a história de um cachorrinho chamado Rover que, ao enfurecer um feiticeiro, é transformado em brinquedo. Procurando voltar ao normal, o cãozinho de brinquedo viaja à lua e ao fundo do mar para encontrar outros feiticeiros que possam desfazer sua maldição. No céu e na água, vive aventuras com dois outros cachorros que vivem nesses lugares, ambos também chamados Rover. Imagine seu avô sentado na cadeira de balanço, você sentado aos seus pés e ele lhe contando uma fábola divertida e gostosa de ouvir. É o que Tolkien faz em Roverandom. Parece que o escritor está contando a história somente para você, o que pode ser o maior privilégio do mundo. E a história de Rover é simplesmente um amor. Não posso deixar de falar da origem desse livro, que surgiu de uma história que Tolkien contou a um de seus filhos para consolá-lo pela perda de… seu cachorrino de brinquedo. Uma ótima fantasia para encantar qualquer criança.

Luciano: Os Jardins de Kensington– O filho perturbado de uma estrela de rock abortada pelo seu desejo de superar os Beatles- seus maiores rivais- tornou-se um escritor de livros infantis. Não de quaisquer livros infantis, mas da série Jimmy Yang- prestes a tornar-se um filme. Enquanto tortura o futuro ator que protagonizara o herói mirim nos filmes, o autor recorda a história de J. M. Barrie, o bizarro autor de Peter Pan. Misturando realidade, ficção e uma terceira coisa sem um nome definido, o argentino Fresán cria uma fábula genial sobre a infância, a memória e a recusa- a recusa de tornar-se adulto e a recusa de se permanecer criança.

Anica: O Estranho Caso do Cachorro Morto de Mark Haddon: Um garoto decide bancar uma de Sherlock Holmes e investigar o assassinato do cachorro da vizinha. Você pensa que vem aí um livro inocente e bobinho para crianças, mas coloque nessa história o fato de que o garoto é o narrador e que bem, ele sofre de síndrome de asperger (um tipo de autismo). Christopher descreve as situações nas quais se envolve, incluindo aí observações sobre as pessoas a seu redor. Com isso, Mark Haddon faz um livro único, daqueles capazes de emocionar sem pieguice e ser engraçado ao nos fazer ver da forma mais clara e simples como somos (às vezes) patéticos em nossa suposta complexidade.

Liv: O Pequeno Príncipe: O livro favorito de todas as candidatas ao Miss Universo. Encantador e sutil, nele conhecemos o princepezinho, que simboliza o amor e a ternura que exite em todos nós. Ele vive em um pequeno planeta, onde existia uma flor. E então, começamos juntos com ele, uma jornada cativante de sabedoria, amor à natureza, carinho e sonhos. Criando um livro incrível, Saint Exupéry, emociona crianças, adultos e misses.

Lucas: O Mágico de Oz de Lyman Frank Baum – No Kansas um ciclone levanta a casa de Dorothy, levando-a junto com Totó, seu fiel cachorrinho para um mundo fantástico onde a figura de maior poder é o Grande e Terrível Oz. Ao “aterrisar”, a casa de Dorothy caiu em cima da Bruxa Malvada do Leste, libertando os Munchkins da escravidão que a nefasta feiticeira os impunha. Contando com a ajuda e a gratidão dos Munchkins, Dorothy parte rumo a Cidade de Esmeralda, para buscar a ajuda de Oz para voltar para o Kansas. Nessa jornada ela e Totó encontram um simpático Espantalho que quer um cérebro, um Homem de Lata que deseja um coração e um Leão covarde que almeja um pouco de coragem. Mas como eles vão chegar ao longínquo reino de Oz? Por um estrada de Tijolos Amarelos, onde vivem aventuras em campos de Papoulas Venenosas e na Cidade de Porcelana, enfrentam macacos alados, árvores briguentas, ratos silvestes, ferozes Kalidahs, estranhos Cabeças-de-Martelo e por aí vai. Lyman Frank Baum traz uma fábula sobre os desafios cotidianos e a necessidade de percebermos como nossos medos e fraquezas muitas vezes podem ser vencidos com perseverança e com uma ajudinha que está dentro de nós mesmos. Um livro despretensioso, leve e divertido.

Kika: O Livro do Cemitério de Neil Gaiman: Neil Gaiman é conhecido pela série de quadrinhos Gaiman, bem como por suas obras que viraram filme, Stardust e Coraline, mas a história de Nin é perfeita para o Dia das Crianças. Para começar, seu protagonista se chama Ninguém. O bebê perde sua família e é adotado pelos moradores do cemitério. E é a aventura de uma vida entre os mortos, os semi-mortos e os imortais que o Livro do Cemitério aborda. Nin tem um mentor, Silas, e pais amorosos, ainda que morto e, por ter a liberdade do cemitério, compartilha com eles algumas de suas qualidades (como atravessar as pedras das tumbas). A sutileza de Gaiman ao tratar do sobrenatural, e a maneira como ele lida com os desafios infantis, valem cada página do livro, seja você criança, ou alguém mais crescidinho.

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4 comentários para “Livros para o Dia das Crianças

  1. Liv tem razao, um livro que tem que ser lido nao so pelas crianças, mas tambem pelos adultos…Ganhei ele de presente, e achei a historia o maximo…Em 30 minutos voce consegue le ele…
    Bjs & Qjs

  2. Pingback: Meia Palavra » Blog Archive » Restrospectiva Meia Palavra

  3. Eu já sugeri Roverandom para pessoas com filhos, acho um livro maravilhoso para crianças e fiquei muito feliz com a sugestão dele aqui. O Pequeno Príncipe, na minha opinião, faz mais sentido quando somos adultos do que crianças, mas é um lindo livro.

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