Nicholas Sparks é um escritor contemporâneo, tipicamente americano, carregado de valores trazidos pelos puritanos ainda na colonização dos EUA. A propaganda feita do escritor é aquela imagem que o americano tende sempre a valorizar, sólidos valores familiares, belos filhos e esposa muito amados pelo pai de família, e valores religiosos marcantes em sua personalidade. Porém, não podemos criticá-lo por isso, pode ser que não seja apenas marketing, já que o autor vive na sociedade que cultiva essa herança dos ingleses.

Podemos acreditar na imagem de Nicholas, por meio de suas obras, “Querido John”, por exemplo, trás traços religiosos gritantes na obra, além de virtude e bondade, temas abordados nas obras do escritor que sempre fazem um grande sucesso.Sparks faz algo muito importante na literatura, faz com que o leitor conheça doenças não muito debatidas como o autismo em “Querido John” e mal de Alzheimer em “The Notebook”, o câncer também está presentes em muitas de suas obras. Seus livros tratam do amor introduzido em um contexto real, por exemplo, a Guerra no Iraque em uma de suas obras e em “The Notebook” a Segunda Guerra Mundial.

Muitas obras de Sparks são adaptadas para o cinema, assim como os livros os filmes são bem vistos pelo público. Uma das adaptações cinematográficas é o filme “Diário de uma Paixão”, inspirado na obra “The Notebook”.

O cenário em que se passa a história vivida por Noah e Allie em “Diário de uma paixão” (chamaremos assim, pois, falaremos da versão cinematográfica) é o Sul dos EUA, mais precisamente Carolina do Sul, na década de 40.

As filmagens ocorreram em cenários reais, algo fantástico, pois o laboratório de arte transformou ruas, casas, cinemas, etc,, em cenários perfeitos dos anos 40, criando uma fotografia impressionante.

Além do cenário encantador e real o figurino é perfeito. Vemos que tudo foi trabalhado nos mínimos detalhes, chegamos a ficar com dúvidas de que se o filme tivesse sido gravado na década de 40 seria tão fabuloso.

Vejamos qual é a história que habita esse universo tão mágico dos anos 40. Ela inicia-se com um barco, um homem, o pôr do sol, pássaros que voam até uma janela onde se encontra uma senhora. O dia amanhece e um senhor começa a narrar para a senhora, que apareceu na janela na noite passada, a história de um jovem casal que se conheceram no passado, dia 6 de junho de 1940.

Noah e Allie se conhecem por meio de amigos em comum, em uma noite no parque de diversões. Noah se encanta por Allie, que estava passando férias na cidade, que não o corresponde. Mas o jovem é ousado, assim como o amor deve sempre ser, pois amar é uma ousadia. Assim, Noah desperta a paixão em Allie, que aparentemente parece ser uma jovem cheia de atitude. No entanto, Noah descobre uma garota de 17 anos, frágil e comandada pelos deveres impostos pelos pais. O rapaz mostra a emoção existencial que todos buscamos para a jovem que quando indagada do que fazia para se divertir excita em responder.

A cena em que Noah desafia Allie a deitar no meio da rua é a primeira de muitas em que ele a faz sorrir. A jovem era reprimida, com frases do tipo “não se deve fazer isso e aquilo” e Noah a mostra que tudo é possível.

Até aqui percebemos quebras de paradigmas, mas até então são paradigmas interiores, existem também os sociais, as diferenças entre o casal: a garota rica da cidade que vai para a faculdade e o garoto humilde do interior, entre outras diferenças impostas socialmente. Noah chega a ser agredido (psicologicamente) pela família de Allie – esse bombardeio é sutilmente comparado a inquisição espanhola.

A paixão que todos rotulavam de “amor de verão” se intensificou. Porém, a noite que eles tentam ter a primeira “noite de amor” é frustrada pela inexperiência de Allie, que não consegue ir até o fim, e é também marcada pela separação do casal, não por vontade deles, mas sim pela dos pais de Allie.

A jovem volta para a cidade e Noah a escreve durante um ano 365 cartas não respondidas, pois a mãe de Allie extraviava-as. E o casal sofria pelo silêncio de ambos, sem saber o verdadeiro motivo.

Nesse período os EUA declara estado de Guerra e como uma fuga dos próprios sentimentos Noah se alista como soldado e Allie como enfermeira. Porém, o destino não contribui para o reencontro. Allie conhece um soldado e tornam-se noivos. Ele era o homem perfeito “para os pais de Allie”, mas para ela?

Noah volta da Guerra sem o amigo e ganha de presente de seu pai a casa dos seus sonhos (local onde Noah e Allie quase tiveram a primeira noite de amor). O ex-soldado teve que reformar a casa e se refugiou na construção obsessivamente, após ver Allie, por acaso, com o noivo, e sem deixar-se ser visto.

O apaixonado Noah acreditava que a casa que eles tiveram a última noite juntos poderia trazer aquele momento interrompido novamente para ser prosseguido. De fato, ele tinha razão, Allie ao ver no jornal a foto de Noah em frente à casa larga tudo, inclusive o noivo, para voltar aonde tinha deixado seu coração, junto de Noah. Sete anos depois do último encontro eles reiniciam o que haviam deixado inacabado, uma vida de amor e paixão.

Este é um filme que mostra o amor em todas suas faces, o amor que faz sorrir, que faz chorar, que dá prazer e que acima de tudo te dá um companheiro. O senhor que citamos inicialmente é Noah e a senhora é Allie, que tem Alzheimer. Antes de ela ser totalmente tomada pela doença escreveu o “Diário de uma Paixão”, para que seu marido lesse para ela todos os dias.

Em síntese, observamos durante o filme que Noah conseguiu despertar a vontade própria em Allie, a verdadeira personalidade da jovem-mulher e foi isso que a conquistou desde a primeira vez que ele a fez sorrir. Isso é amar.

Sobre o autor: Aline Vaz é de Curitiba, formada em Letras – Português/Inglês  e escreve no blog http://culturaesquizofrenica.blogspot.com/

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