Preciso começar a resenha confessando que sou um tanto quanto alheio ao universo sobre o qual esse livro do antropólogo canadense Grant McCracken se destina. Pior ainda: sou avesso às vicissitudes do capitalismo avançado, que pariu toda esse mundo de corporações, CEOs e outras siglas do gênero. Livros sobre o assunto me parecem, via de regra, um misto estranho entre auto-ajuda e marketing.

Escrito, porém, por um antropólogo e com a coisa da cultura estampada na capa… Chief Culture Officer me pareceu um tanto quanto curioso. O que diabos essas corporações tem a ver com cultura? Em princípio, nada. Mas o argumento de McCracken é que deveriam.

Claro que, se formos entrar na discussão sobre o que é cultura, poderíamos encher páginas e mais páginas, escrever bibliotecas inteiras. Mas aqui ele usa como ‘cultura’ aquilo que está no campo do cotidiano, entre o senso comum e a arte. Algo bastante amplo, é verdade.

Através de exemplos bem construídos e de um trabalho de pesquisa que me pareceu bem estruturado, McCracken tenta convencer de que o mundo corporativo precisa ter especialistas em cultura- os Chief Culture Officers- para saber orientar-se em um mundo em que os consumidores são cada vez mais poderosos e cujos gostos mudam cada vez mais rapidamente, além de oferecer os pressupostos que tal profissional deveria seguir.

A linguagem é simples e acessível e mesmo quem não sabe nada de antropologia e nem sobre o mundo corporativo não terá dificuldades. Definitivamente não é meu tipo de livro, sequer é um livro que me diz alguma coisa- mesmo na parte da antropologia, que me interessa, McCracken vai por caminhos contrários aos meus (o que era de se esperar, afinal ele defende e se alia a toda a coisa corporativa). Mas é uma idéia curiosa, bem justificada e estruturada de maneira simples e inteligente. Talvez para alguém mais interessado nesses assuntos do que eu, seja um grande livro.

Chief Culture Officer

de Grant McCracken

Tradução de Ricardo Giassetti e Roberta Bronzatto
256 páginas
R$ 56,00

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