“Amor, de novo” (Doris Lessing)

em 10 de dezembro de 2011

Autora de uma obra extensa e variada, que passa por diferentes temáticas, como o feminismo, política, questões raciais, ficção espacial e erotismo, Doris Lessing ganhou diversos prêmios durante sua carreira. Alguns a se citar foram o Somerset Maugham (1954), o Mondello (1987), o Príncipe de Astúrias (2001) e, em 2007, o Prêmio Nobel de Literatura, se tornando a oitava mulher a receber a premiação. Naquele ano, a Academia qualificou a autora como sendo “uma escritora épica da experiência feminina que com ceticismo, paixão e poder visionário submeteu uma civilização dividida ao escrutínio”.

Por isso, “Amor, de novo”, é o título que integra a Coleção Prêmio Nobel, da Companhia das Letras. A narrativa gira em torno da personagem Sarah, de 65 anos, que redescobre o sentimento de amor por outros homens em uma fase da vida em que acreditava que isso não mais seria possível. Além disso, ela também percebe a volta de sua sexualidade. No livro, somos apresentados ao universo teatral. Sarah está preparando uma peça histórica sobre Julie-Varion, mulher que viveu nas florestas do sul da França de maneira nada convencional, e é nesse cenário que a personagem passa a se sentir atraída por dois homens que participam da peça como ator e diretor, ambos décadas mais novos que Sarah.

“Sarah, que durante anos jamais pensara em se casar ou mesmo viver com um  homem, passaria agora a procurar um homem com quem pudesse partilhar aquele amor que carregava com ela como uma carga que tinha de depositar nos braços de alguém… Eus esquecidos brotavam como bolhas num líquido fervente, explodindo em palavras: Aqui estou—lembra-se de mim?” Doris Lessing mostra que as mudanças e sentimentos fortes não estão restritas somente a uma fase da vida, como na adolescência ou infância, mas que seguem durante toda a vida. Aqui, Sarah se depara com sentimentos e situações que exigem dela uma busca por tudo aquilo que ela viveu, como mostra o trecho. O espaço interior se torna o local para que ela encontre formas de se redescobrir e agir, afinal, um amor vivido na adolescência não é igual a um amor vivido aos 65 anos de idade, mas um pode buscar raízes no outro: o sentimento é o mesmo, embora tratado em diferentes momentos da vida. E, mesmo nessa fase, ela se encontrará em momentos de amor desenfreado e imaturo.

Doris Lessing não tem medo de escrever usando grandes cargas de sentimento. “Amor, de novo”, como o próprio título sugere, vai questionar, de todas as formas possíveis, o amor. Por exemplo, Sarah é uma personagem que vai viver as sensações da descoberta amorosa, as dores que essas relações podem causar, o jogo de status e sedução entre duas pessoas, e, além de tudo isso, a relação entre sexo e amor, que dependem uma da outra nesse romance.

Com tudo isso, “Amor, de novo”, é uma leitura que sensibiliza o leitor. A cada página, somos apresentados ao belo mundo do teatro, exterior, e, ao mesmo tempo, às dúvidas e descobertas de Sarah. A narrativa é complexa e, muitas vezes, borbulha em sentimentos enquanto os personagens transitam pela narrativa. Mais do que isso, o livro também mostra uma visão sobre a velhice que, ainda hoje, não tem muito espaço e é criticado por muitos, sendo assim mais uma das importantes questões que Lessing consegue levantar através da sua escrita.

Título original: Love, Again

Tradução: José Rubens Siqueira

Páginas: 440
Preço: R$59,00

Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Companhia das Letras

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