Mostra de SP: Dia 5.1

em 27 de outubro de 2014

Há boatos de que chego atrasada em todas as cabines. Nego. Como nego que toda Mostra eu chegue atrasada em algum filme por pura lerdeza e acabe vendo sentada no chão. Nego até a morte.

Tudo Que Amamos Profundamente – Desde o início do filme algo está errado. É possível sentir o cheiro nas falas, nas atuações, na fotografia e na música de que algo não vai bem na história apresentada. É apenas o primeiro longa de Max Currie, mas ele manipula o espectador como um mestre: quando o pecado dos personagens é revelado, já estamos tomados demais por eles para julgar.

É um filme sobre acreditar naquilo que queremos acreditar e sobre as mentiras contadas para seguir em frente. Com atuações precisas e excelentes e uma fotografia linda, o filme é uma das boas produções que têm chegado recentemente da Nova Zelândia.

As Maravilhas – O prêmio do Grande Júri de Cannes é quase uma novata: antes de As Maravilhas, Alice Rohrwacher fez apenas um longa, o interessante Corpo Celeste. Em ambos o foco é uma garota adolescente, a descoberta de si mesma e de seu lugar no mundo.

Rohrwacher é lírica, íntima, delicada até o extremo da delicadeza. Seu filme é belo, sutil, feminino e sensual, mas da sensualidade própria de sua protagonista de 14 anos. Em um ano em que muitos dos premiados parecem estar no lugar do extremo distanciamento intelectual, a diretora oferece uma obra calorosa, amável e intensa em sua despretensão.

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