1 – Primeiro, nasça na família certa. Você precisa ter dinheiro para ser crítico. Se sua família tem dinheiro, as chances de ela fazer parte do círculo intelectual vigente é maior.

2 – Seja homem. Porque todo mundo respeita as opiniões de um homem.

3 – Viva no Rio de Janeiro ou em São Paulo, os grandes centros intelectuais do país. Pode até dar certo se você é gaúcho, mas vai ter que se mudar para um desses lugares em algum momento da vida.

4 – Encontre um mentor. Alguém velho, que anseia por ser reconhecido pelos jovens que hoje só pensam na internet. Essa é a pessoa que tem contatos em jornais e revistas e poderá encher o saco de editores até eles aceitarem um texto seu, porque “ah, foi fulano quem indicou”.

5 – Todo mundo sabe que editores de jornais e revistas são preguiçosos e não pesquisam a relevância do cidadão. É só conseguir acertar 75% das vírgulas.

6 – Continue sendo homem. Nada de pensar em ser mulher no meio do caminho. Ninguém leva mulher a sério.

7 – Pesquise o mercado editorial. Quem trabalha em editoras? Quem escreve sobre literatura? Quem são os autores? Após a pesquisa, adicione todos massivamente na rede social mais próxima.

8 – Não se preocupe, as pessoas vão te aceitar.

9 – Apareça em eventos literários. Se coloque ao lado dos autores. Faça parecer que você faz parte desse meio. Todo mundo gosta de um crítico com laços de amizades com os autores proeminentes.

10 – Tire fotos desses autores. Poste. Você é amigo de todos. Ou pelo menos precisa parecer que é amigo de todos.

11 – Não se preocupe, todo mundo vai acreditar. Ninguém vai contestar suas amizades literárias, porque o mercado literário odeia escândalos.

12 – Puxe assuntos íntimos com essas pessoas. Faça parecer que vocês são realmente íntimos.

13 – Não se preocupe, você será respondido. As pessoas desse meio são educadas, não vão te deixar no vácuo.

14 – Defenda com unhas e dentes a literatura. Lembrando sempre que YA não é literatura, fantasia não é literatura, ficção científica não é literatura, best-sellers não são literatura.

15 – Se você se equivocar em alguma opinião, respire fundo e faça parecer que você estava falando de outra coisa. Você nunca está errado.

16 – Em caso de óbito de um autor, escreva sobre ele. Não espere 5 minutos. Você precisa falar sobre como a obra dele te marcou na infância, mesmo que você tenha começado a ler só na semana passada. Se você teve contato com esse autor uma vez na vida, pode dizer que vocês tinham uma amizade próxima. Não perca essa oportunidade de aparecer.

17 – Se envolva em tretas virtuais defendendo a literatura contra esse povo da internet que se vende por dinheiro. Tudo bem se você começou escrevendo para a internet, ninguém vai te chamar de incoerente.

18 – Flerte com todo mundo, mas dê preferência para quem tem um livro publicado e/ou contrato de publicação. Autores adoram um ego massageado, então massageie. Massageie bem. Isso também vale para pessoas que trabalham em veículos de comunicação. Vai facilitar para você conseguir ser publicado lá. Puxar o saco é fundamental.

19 – Elogie sempre. Você não vai conseguir nada falando mal da obra de um autor. A não ser que ele seja o Paulo Coelho, e todo mundo sabe que Paulo Coelho não é literatura.

20 – Não gaste seu tempo lendo livros. Só faça parecer que você leu – e gostou.