Verão Infinito #11 – Semana 11

por Felippe Cordeiro e Simone Volbrecht

Anteriormente no Verão Infinito… todas as semanas.

A derradeira semana do Verão Infinito não é para os fortes, não é para os adiantados, tampouco para os atrasados. Não é para ninguém. Confuso? Não. Como bem apontou a Camila von Holdefer1 na Semana 7: “O que significa, hoje, iniciar uma leitura coletiva de um livro com fama de difícil, uma leitura coletiva que não usa a autoironia como escudo contra a insegurança? Uma leitura coletiva que não finge tédio e não aponta o que há de cínico no romance?”

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  1. Resenha da Camila está em seu blog

O chorão de palestra

Como nunca é demais citar Vanessa Barbara, abro esta coluna com um parágrafo escrito por ela: Leia mais

As malas voltam pesadas

A festa em Paraty tem um momento exato, um milisegundo, após a mesa na tenda dos autores e os autógrafos: a compra de livros. Aqueles que não adquiriram seus exemplares antes da semana regada a literatura na cidade fluminense, por puro receio de carregarem um peso excessivo, podem comprar na livraria parceira os exemplares dos autores que participam do evento e estão com as mãos tremendo, com a mais pueril ansiedade, para dar um visto na folha de rosto. Mera brincadeira, há autores que preenchem toda a folha de rosto com dedicatórias, agradecimentos, etc.

Claro que o que foi evitado na ida irá pesar (cof, cof) na volta.

Portanto para encerrar nossa cobertura sobre a Flip 2013, e começar a contagem regressiva de 13 meses – em 2014 a festa será em agosto por causa da Copa do Mundo –, pedimos para alguns dos amigos e agregados hospedados na Casa Posfácio falarem sobre dois livros que adquiraram por lá e por quê.

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Uma Vida no Cinema – Nelson Pereira dos Santos

Nelson Pereira dos Santos é um cineasta marco do cinema brasileiro. Ainda que atualmente seus filmes se resumam a documentários um pouco preguiçosos, sua carreira contém alguns dos momentos mais fortes da produção nacional.

Talvez o cineasta mais literário do país, Nelson Pereira dos Santos adaptou A Missa do Galo, A Terceira Margem do Rio, Tenda dos Milagres, O Alienista, Memórias de Hans Staden (com o maravilhoso título de “Como Era Gostoso Meu Francês”), Vidas Secas e Memórias do Cárcere, filmes que provavelmente o levaram à Flip. Leia mais

Eduardo Coutinho na FLIP

Fumar e filmar são parecidos.

Foi na minha primeira semana no Rio de Janeiro que encontrei Eduardo Coutinho. Àquele tempo fazia pouco que me apresentaram seu Cabra Marcado para Morrer (1985), hoje reconhecido como obra máxima dos documentários brasileiros, iniciado na década de 60 como um longa de ficção, interrompido pelo Golpe Militar e finalizado duas décadas depois, com a reabertura política. Leia mais

“Nós estamos sempre presos numa espécie de falso pensamento” entrevista com John Jeremiah Sullivan

Recebi Pulphead, traduzido por Chico Mattoso e Daniel Pellizzari (coincidência, ou não, ambos autores da Coleção Amores Expressos), em casa por indicação da Diana e da Clara que trabalham na Companhia das Letras. Não sei ao certo se Luiz Schwarcz treina todos seus funcionários a criarem uma espécie de influência sobre as pessoas ou a estudarem em minúcias o perfil de cada leitor. Também não precisaram realizar esforços homéricos, a quarta capa – e as diversas resenhas que li – avisavam que o autor daquele livro de ensaios era comparado a Tom Wolfe e David Foster Wallace.

Àquela altura, John Jeremiah Sullivan era um desconhecido para mim e ele ainda não estava confirmado a vir às ruas de Paraty praticar caminhada com obstáculos no centro histórico. Todavia, ao confirmarem sua presença, atropelei algumas teclas no meu MacBook e agendei uma entrevista com o ensaísta na primeira data disponível, por e-mail. Leia mais

Como é que eu vim parar aqui?

Adoro a pergunta-título. Ela vale para quase tudo na vida: um pensamento, um sonho, uma amizade, um encontro, um livro. De vez em quando, ela surge com o simples “estar em algum lugar”: Eu estou nessa cama (pelo menos é a minha, ufa), mas não lembro como cheguei nela… Ah, amnésia pós-anestesia: tá explicado. (Espero não ter usado o celular dopado novamente!) Leia mais

Sobre a possibilidade de redenção

Minha impressão geral é a de que a Flip só começa de fato quando um pernambucano entra em cena. Não nego que o TOC, meu parceiro de todos os dias, me pedia para reconhecer algum elemento de ligação entre o primeiro evento da Flip 2012, que comentei por aqui, e aquele que comento neste texto: se 2012 rendeu a coluna Moves like Lenine, a respeito do excelente show de abertura do meu conterrâneo (2013 teve Gilberto Gil provocando polêmica por falar abobrinhas), nada mais justo do que procurar um elemento pernambucano na mesa 3, intitulada “Formas da derrota”, a primeira a que assisti nessa 11ª Flip. Leia mais

Uma prosa entre Lydia Davis e John Banville

Há cinco anos faço entrevistas com escritores, e entre o terceiro e quinto ano exercendo esse papel notei o quanto é difícil realizar um quiz de perguntas e respostas, ainda mais quando o tema é o mesmo: literatura. Se é com brasileiro existem as questões financeiras de ser escritor no Brasil ou como é publicar seu livro, inspiração e prêmios. Leia mais

“O poeta protesta com festa”

A Flip começou esta manhã de sábado num tom fanfarrão. E não poderia ser diferente: a Mesa 11, com o tema “Maus Hábitos”, reuniu os “poetas marginais” Zuca Sardan e Nicolas Behr, mediados pelo não menos fanfarrão e não menos poeta Chico Alvim. A amizade entre os três permitiu a levada descontraída do bate-papo e rendeu risadas de todos os lados. Leia mais

“Eu me interesso por todo tipo de coisa”, entrevista com Lydia Davis

por Marina Araújo

Lydia Davis teve seu primeiro livro lançado no Brasil este ano e está na Flip, onde participou de uma mesa sobre tradução e hoje fará parte da mesa 14, em que discutirá os limites da prosa com John Banville.

Pela manhã da ensolarada quinta-feira de Paraty, Davis, que carrega nos gestos e tom de voz baixo a delicadeza de sua escrita, conversou com o Posfácio sobre sua esta atenção preciosa aos diversos pedacinhos do mundo: de lagartas e moscas a crises conjugais e existenciais. Leia mais

“Não entende Kafka quem não o leva ao pé da letra”, afirma Roberto Calasso em mesa

Em um pequeno ensaio, David Foster Wallace garante que o autor de Na Colônia Penal é hilário, mas poucas pessoas conseguem penetrar nessa camada de suas histórias devido à inércia da ironia fácil. A sensação que ficou após a mesa 7, realizada ontem em Paraty com as participações do italiano Roberto Calasso e da professora de filosofia da PUC-SP Jeanne-Marie Gagnebin, é quase certeira: ler Kafka é querer e precisar ler Kafka mais de uma vez.

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