pixuAntes de mais nada, eu preciso admitir uma coisa: apesar de admirar muito o trabalho deles, não sou a pessoa mais familiarizada do mundo com o trabalho dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá- autores da revista ‘10 pãezinhos’, entre outros.

Ainda assim nesse último sábado fui até a Itiban Comic Shop para o lançamento do ‘Pixu’ e do ‘The Umbrella Academy’. Os dois irmãos estavam lá para o um bate-papo com os fãs e uma sessão de autógrafos.

Os dois paulistas já ganharam vários prêmios, entre eles o Jabuti- pela sua adapção de ‘O Alienista’ para os quadrinhos- e o Eisner Awards- por ‘5′ (em conjunto com Becky Cloonan, Vasilis Lolos e Rafael Grampá), como melhor antologia.

Foram extremamente solicitos ao responder as perguntas, além de bastante humildes. Falaram sobre suas influências, sobre como é a vida de quadrinista e muito mais. E falaram sobre os lançamentos do dia, claro.

‘The Umbrella Academy’ conta com os desenhos de Bá e a história de Gerrard Way- vocalista do My Chemical Romance. A princípio, parece um quadrinho de super-heróis, com grande potencial de agradar fãs de clássicos- e de cativar novos.

Já ‘Pixu’ é uma empreitada dos dois irmãos junto com Cloonan e Lolos, com quem trabalharam em ‘5′. Grampá ficou de fora para que terminasse o que está fazendo no momento. É um quadrinho de horror. Coisa que, a princípio, pareceu-me um tanto suspeita, confesso: gosto do gênero, mas é muito fácil que se torne algo ingênuo e seja, no fim, apenas engraçado. O que não é- ou não deveria ser- o objetivo.

Mas… Durante a conversa várias citações dos autores ao fato de que as personagens eram ‘tristes e feitas para morrer’ e de que o terror estava no que não é mostrado, me convenceram a comprá-lo. E não me arrependo. Ao contrário: há muito tempo que eu não me sentia perturbado assim por um quadrinho.

As ilustrações são bastante bonitas, alternando quadrinhos mais ‘poluídos’ com outros ligeiramente minimalistas, dependendo da necessidade. Preto, branco e cinza usados de modo excelente, além do efeito estético ajudam a criar a atmosfera opressiva, kafkiana, da coisa toda.

Mas, além de eu não ser a melhor pessoa para falar sobre os desenhos, acredito que o grande destaque seja a história: apenas sete personagens que se entrelaçam de modo sutil, mas perturbado, sob uma atmosfera de constante ameaça. Pedofilia, obsessões, ciúmes doentio e remorso juntam-se a algo sobrenatural que nunca aparece, afogando a todos numa rede de loucura.

Mesmo não sendo um grande consumidor de quadrinhos, posso dizer que é uma das coisas mais interessantes que já li nessa mídia. E que ‘Pixu’ mostra bem o porquê de Bá e Moon- junto com os outros autores e Grampá- terem alcançado o que alcançaram.

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