Literatura Judaica IV- Literatura Hebraica

em 29 de outubro de 2010

O hebraico é o idioma judaico por excelência, já que foi o idioma dos judeus na antiguidade, originou o ídiche e o ladino e é o idioma de Israel. É também o idioma da literatura judaica mais antiga e da mais jovem, ao mesmo tempo.

Apesar da aparente contradição, é fácil explicar. A Torah (o Pentateuco) é o registro literário mais antigo nesse idioma- e o registro literário judaico mais antigo. Por século foi nisso que consistiu a produção em hebraico: textos religiosos e místicos. Alguns contos folclóricos também foram colocados no papel. O grosso da produção literária- romances, novelas, poesia-, porém, foi na maior parte do tempo em ídiche.

Foi no século XVIII que Moses Mendelssohn iniciou o período moderno da literatura em hebraico, apesar de ser mais um filósofo do que um escritor de ficção. Leon Gordon, poeta; e Mendele Mocher Sforim, novelista que também escrevia em ídiche, foram outros nomes importantes.

Os três autores citados fizeram parte de um movimento denominado Haskalah, ou ‘iluminismo judeu’, período em que judeus da Europa decidiram ampliar a cultura de seu povo, voltando-se tanto para estudos seculares e para a integração com os gentios, quanto para estudos sobre seu próprio povo e dos idiomas judaicos- notadamente o ídiche e o hebraico (o ladino é um caso a parte, a ser discutido no futuro).

A Haskalah, no entanto, fortaleceleu um judaísmo secular, em que os judeus passaram a indentificar-se muito mais como nação do que como unidade religiosa e isso foi a semente do sionismo- que mais tarde culminaria com a criação do estado de Israel, já no século XX. Mesmo dentre os religosos, surgiram coisas com o movimento Reformista, corrente do judaísmo que despreza a observância de normas que sejam meramente ritualísticas ou que se oponham à moral e à ética do homem moderno.

Com o crescimento do Sionismo o idioma hebraico ganhou força e inúmeros autores surgiram- dos quais talvez Ahad Ha’am tenha sido um dos mais importantes. Junto com ele temos Bialik e Tchernichovsky. Ao mesmo tempo acontecia a primeira Aliyah- onda de imigração de judeus para a Palestina.

No entanto, até a Primeira Guerra Mundial, o centro da literatura hebraica ainda era a Europa Oriental. Foi apenas com a segunda Aliyah que a Palestina voltou a ser o centro de publicações da literatura hebraica, com autores como S.Y. Agnon, Moshe Smilansky, Yosef Haim Brenner, David Shimoni e Jacob Fichman. Essa era uma geração ainda bastante ligada à suas raízes européias.

Em seguida surgem escritores que, mesmo escrevendo a respeito de outras partes do mundo, centram sua literatura em Israel- e consideram a Aliyah como a cura para os males da diáspora. Uri Zvi Greenberg e Shlonsky foram os expoentes dessa geração.

S. Yizhar, Moshe Shamir, Hanoch Bartov, Haim Gouri, Benjamin Tammuz e Aharon Megged são parte de uma outra leva, que surgiu nos anos circundando a Guerra de Independência de Israel. São profundamente nacionalistas, e alguns chegaram a negar o judaísmo dos judeus que não foram para Israel.

Em seguida começa a geração dos grandes escritores israelenses que estão vivos hoje: Amos Óz, A. B. Yehoshua, David Grossman, Natan Yonatan, Yoran Kaniuk. Ao invés de simplesmente exaltarem o estado Israel ou o fato de ‘ser judeu’, esses escritores adotam uma postura crítica- com seu país, com a guerra (que muitos dos escritores anteriores consideravam como justa) e com o mundo. Constituem, talvez, a geração mais universalista de escritores de língua hebraica.

E existem ainda os escritores jovens, que começaram a escrever há pouco tempo. À exemplo da literatura de outros países de cultura diversa da americana e da européia, essa geração vem ocidentalizando-se, sem, no entanto, deixar de buscar sua própria identidade como Israelense. A inauguração de uma literatura policial em hebraico, com autores como Batya Gur e Shulamit Lapid, é uma demonstração disso. Existem ainda outros autores que podem ser usados para ilustrar, como Anton Shammas, um árabe-cristão nascido em israel e que escreve em hebraico, Itamar Levy e Yoel Hoffman, expoentes do pós-modernismo.

É com autores como esses que a literatura israelense deve prosseguir nos próximos anos. Um fato crucial é que agora não apenas existem novos escritores surgindo, mas existem editoras em Israel para lançá-los.

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