Arte do Glasnost- parte 2

em 4 de setembro de 2010

Na primeira parte desse post, eu falei sobre como a queda do comunismo- e o afrouxamento da censura que veio de brinde- possibilitou que uma nova arte surgisse, sendo uma de suas facetas mais expressivas o Necrorrealismo de Kotelnikov e Yufit.

Por outro lado, o advento do Glasnost também foi a causa de certa desestruturação no mundo das artes. A arte soviética não-conformista, ou seja, aquela arte que não era favorável ao regime e não seguia os princípios ditados pelo realismo soviético e que, via de regra, era exibida, apresentada e publicada de modo clandestino perdeu sua razão de ser. Não se pode ser contra um sistema que não existe, não se pode fazer ‘arte não oficial’ se não existe mais o conceito de arte oficial.

Um caso interessante é o do teatro. Com a queda da URSS as primeiras reações foram eufóricas, sobreveio a ideia de que a quinta arte voltaria a ter o status pré-revolucionário: desde de meados do século XIX e até a Revolução de Outubro que o teatro era, na Rússia, o que o cinema Hollywoodiano é hoje no ocidente.

Os ânimos porém logo se apaziguaram, quando se percebeu que a falta de um governo socialista faria, pois um campo outrora vastamente subsidiado agora precisaria andar com suas próprias pernas, obter seu próprio lucro. E isso em um cenário de desestruturação política e fragilidade econômica.

Aliando isso a uma divisão de ideais artísticos, em que alguns desejavam ser fiéis aos velhos padrões soviéticos e outros- previamente não conformistas, que agora podiam agir às claras- buscavam renovar o teatro russo, muitos teatros fecharam, inclusive o Teatro de Arte de Moscou (onde nasceu o ‘Sistema de Método’ stanislavskiano).

Muitos só sobreviveram por terem caído nas graças dos ‘novos russos’, homens de negócios que aproveitaram o fim da URSS para lucrarem- muitos deles associados com o crime organizado. Eram obrigados, porém, a agradarem ao público, muitas vezes abandonando seus padrões para tornarem-se meramente comerciais.

Atualmente o teatro russo vem recuperando um pouco de seu fôlego, apesar de dificilmente poder-se dizer que está em um bom período. Coexistem montagens mais realista, como as montagens de Tchekov, grande sucesso entre turistas, e coisas mais experimentais, bastante distante do realismo que domina os palcos americanos.

Um dos nomes de destaque é Ivan Viripaev, dramaturgo, ator, diretor e cineasta siberiano, inovador tanto em seus textos quanto em suas montagens. Viripaev é um nome bastante badalado em países como a França e a Inglaterra- que vem cada dia mais olhando para os países do antigo bloco soviético- e em breve deve receber alguma montagem no Brasil. Existe um filme baseado em uma de suas peças, ‘Oxygen’, de 2009.

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