Tarântula (Thierry Jonquet)

em 13 de janeiro de 2012

Confesso que não gosto dos filmes de Pedro Almodóvar. Assisti uma quantidade razoável deles, como Tudo sobre minha mãe, Má educação, Ata-me, Volver  e Abraços partidos. O cineasta espanhol, para mim, é demasiado exagerado, de certa forma demasiado sentimental.

Natural, portanto, que eu não tenha assistido seu último filme, A pele que habito – apesar de tudo indicar fugir à regra de suas obras anteriores, especialmente pelo fato de ter algo de policial. Mas não é de Almodóvar que pretendo falar aqui, e sim do livro que inspirou esse último filme, Tarântula, do francês Thierry Jonquet.

Tudo isso certamente soma para que eu, desde o início, não tenha grandes esperanças a respeito do livro. Mas ganhei de presente com uma garantia de que eu gostaria, e resolvi me arriscar. O máximo que poderia acontecer era eu não concordar com a Kika (que me deu o presente, e já o leu e resenhou de maneira excelente).

Devo começar dizendo que o enredo é um tanto surpreendente. Até por não ser um só, mas três que convergem de maneira chocante: Lafargue é um cirurgião plástico cruel, que trata sua jovem esposa (amante?)  como uma espécie de escrava sexual,  e cuja filha, Ève, está internada em uma instituição psiquiátrica; paralelamente surge Alex, um assaltante desesperado e em fuga; e, na parte mais perturbada de todas, seguimos um jovem que acaba preso e é torturado de modo pouco convencional.

Apesar da narrativa ser extremamente habilidosa – com especial ênfase para os capítulos que se focam no jovem torturado, em que o autor utiliza a incomum segunda pessoa, buscando aproximar o leitor da agonia da vítima – acho que Jonquet torna algumas revelações óbvias muito antes de realmente entregá-las ao leitor, fazendo com que a surpresa se torne menor. Não que isso estrague o livro, pois a tensão e a crueza continuam lá, o tempo todo, e o desfecho ainda consegue ser um tanto inesperado.

No fim das contas, a Kika estava certa. Apesar de tudo, eu gostei do livro – não o considero nenhuma obra prima, nem entrou para a lista das melhores coisas que eu já li, mas é uma leitura bastante envolvente e que tem lá seu peso. Fiquei até tentado a conferir o filme de Almodóvar.

 Tarântula

de Thierry Jonquet,

tradução de André Telles.

160 páginas.

R$ 29,90

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4 comentários para “Tarântula (Thierry Jonquet)

  1. Eu também não gosto dos filmes do Almodovar mas considero esse último dele o melhor (não para a construção dele como cineasta, mas pra mim, que não gosto dele). E vai por mim, o filme é 10 vezes melhor que o livro, mais gostoso de se assistir e mais intrigante, muito muito bonito mesmo

  2. Não fique tentado a assistir o filme! O que o livro ganha em descrições sutis e envolvimento do leitor com os personagens, o filme perde por perder essa essência da história.

    Decerto, é marca registrada de Almodóvar trabalhar assim, de forma tão escrachada, tão deselegante. Na minha opinião ele escolheu o livro errado para adaptar e é uma pena.

    Pra mim, o único mérito dele foi a escolha do ator que faz o Vincent, a aparência dele cai como um luva.

    • É que ele se inspirou menos nesse livro e mais num filme clássico da década de 1960, conhecido em inglês como “Eyes Without a Face”. Filme de terror francês se não me engano.

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