Crítica: O Amor é Estranho

Algo óbvio: a parcela LGBT da população é vergonhosamente mal representada no cinema, especialmente em Hollywood. Homens gays e pessoas trans frequentemente cumprem a função de alívio cômico como meras caricaturas ridículas; lésbicas e mulheres bi aparecem em uma quantidade desconfortável de vezes como pouco mais que fantasias masculinas; homens bi são basicamente inexistentes; etc.

Algo menos óbvio: talvez por uma compreensível indignação com o problema, a grande maioria dos filmes que tenta ativamente lutar contra esses estereótipos tem como foco a orientação sexual dos personagens. Algo quase inexistente são filmes em que a multitude da sexualidade humana é representada como algo corriqueiro, apenas um detalhe em tramas que não lidam diretamente com isso. Leia mais

Crítica: As Duas Faces de Janeiro

Os romances de Patricia Highsmith já foram adaptados diversas vezes para o cinema, as instâncias mais notáveis sendo provavelmente Pacto Sinistro e O Talentoso Ripley. As Duas Faces de Janeiro é a estreia na direção de Hossein Amini, o roteirista de Drive, e ele trata o material com clara reverência a uma tradição: o filme é positivamente old school, com um ritmo deliberado e um tratamento discreto de sexualidade e violência. Tudo é tão “clássico” que o déficit de atenção do espectador médio do século XXI, acostumado com uma sensibilidade muito mais frenética e sensacionalista, é capaz de nem registrar a obra como um thriller.

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Crítica – Mommy

Xavier Dolan ganhou notoriedade quando, em 2009, com apenas 20 anos, seu longa de estreia foi escolhido para representar o Canadá no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Eu Matei a Minha Mãe era um filme semiautobiográfico que trazia o próprio Dolan como protagonista e retratava a conturbada relação entre uma mãe e seu filho homossexual.

Falho em diversos aspectos, o longa já trazia elementos que se tornariam marcantes na filmografia do jovem, mas prolífico cineasta: a autobiografia e a autoexposição, o lugar incômodo entre documentário e ficção e a forte influência da Nouvelle Vague e diretores como Luis Buñuel. Leia mais

Crítica: Nova Dubai

Não sou de escrever críticas de cinema. Esse é um fato. Não sou especialista nem entendo alguns especialistas. O fato é que gosto de ver filmes e sempre procuro assistir àqueles que mais me deixem intrigado de algum modo. Ou ainda fascinado. Um dos filmes mais recentes brasileiros que vi, Nova Dubai (2014), média-metragem de Gustavo Vinagre, é desses que estimula a gente a falar de cinema e tentar explicar por que gosta ou não gosta de algo.

Trata-se de um filme ainda em processo de estreias. Por aqui, foi exibido no Mix Brasil deste ano, do qual conseguiu uma menção honrosa, e também na Semana de Realizadores do Rio e na Janela Internacional do Recife. O mesmo no Festival de Turim deste ano, tudo em questão de um mês. É uma produção de um jovem cineasta que, desde seu curta Filme para Poeta Cego, não recebe tanta atenção, acredito eu. Algo injusto, considerando que ele não parece fazer mais do mesmo. Nova Dubai se mostra realmente que precisa ser entendido, não simplesmente registrado como mais uma estreia do ano. Leia mais

Crítica: Boyhood

Ser artista é, de alguma forma, crescer aos olhos do público. Ao longo de uma carreira é possível identificar altos e baixos e o inevitável amadurecimento que vem tanto da experiência pessoal quanto da intimidade com a linguagem e a técnica. Em Boyhood, o que Linklater decide fazer é condensar essa experiência de forma radical: ao retratar o crescimento de um garoto acompanhando-o ano a ano, o que ele fez, mais do que o retrato de uma vida, foi um retrato dele mesmo como cineasta.

Linklater começou sua carreira com o simpático Slacker, de 1991, seguido por Jovens Loucos e Rebeldes e Antes do Amanhecer. O longa que dá início a trilogia já comprovava o talento do diretor para o cotidiano, o olhar terno sobre as relações e o interesse profundo no que parece banal. Ao longo dos 18 anos seguintes, junto com Ethan Hawke e Julie Delpy, a história seria expandida e os personagens ganhariam corpo, nuance e amadurecimento nas telas. É um projeto interessante, com graus de sucesso variáveis: Jesse cresce maravilhosamente ao longo dos anos, a Celine de Antes da Meia Noite não é a mesma mulher dos anteriores, nem sequer uma versão mais velha delas.

Boyhood é como o próximo passo. O filme foi chamado de revolucionário e inédito, mas inscreve-se de forma bastante coerente e esperada na cinematografia de Linklater.

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Crítica: ‘Interestelar’ – mania de grandeza

É inegável que Christopher Nolan, com a trilogia Batman e A Origem, recuperou um pouco da grandeza do Cinema perdida desde o crepúsculo da Era de Ouro, tempo que das produções de tamanho inconcebível como …E O Vento Levou (1939), Ben-Hur (1959) e Cleópatra (1963). Certamente ele não é o único megalomaníaco bem-sucedido dos tempos atuais (alô, James Cameron!), mas seu estilo de filmar (em 70mm), o tamanho de suas produções, a constelação de seus casts e seu alto apelo de público têm resultado em verdadeiros filmes-eventos.

Hoje, Nolan é um dos poucos realizadores que consegue sempre nos garantir uma experiência cinematográfica; para tanto, não tem pudores de se valer do robusto orçamento da Warner, da mais alta tecnologia de pesquisa e filmagem e em fazer seu público desembolsar um pouco mais para acompanhar seus projetos nas salas mais caras do circuito, especialmente em XD e Imax. Leia mais

Crítica: Força Maior

 por Lidyanne Aquino

Em Força Maior, vencedor do prêmio Un Certain Regard em Cannes, dirigido por Ruben Östlund, o cenário é perfeito para contar uma história tranquila. Ebba (Lisa Loven Kongsli) e Tomas (Johannes Kuhnke) aproveitam as férias para viajar com os filhos pequenos, Vera (Clara Wettergren) e Harry (Vincent Wettergren), aos Alpes franceses. Com sequências que se repetem na primeira parte do longa, esse cenário de serenidade parece até um pouco entediante: todo dia eles acordam, passam o tempo esquiando e depois dormem. Até o dia em que, durante o almoço, uma rápida avalanche pega a família de surpresa. Então observamos como um acontecimento corriqueiro e aparentemente inofensivo pode desencadear uma série de infortúnios.

Tudo parece sob controle no início da avalanche, tanto que as pessoas já deixam o celular a postos para registrar o fenômeno. A cenografia é digna de nota – em poucos segundos a neve toma conta da tela e só ouvimos os gritos de Ebba solicitando ajuda para proteger os dois filhos. Todos saem ilesos, mas o desconforto passa a ser evidente depois dessa passagem. Ebba acusa Tomas por ter resgatado o próprio celular e sair correndo ao invés de ajudar a família. Tomas insiste que não correu, mas tem dificuldades em se justificar quando a esposa aponta sua falha. O que poderia ser um mero incidente acaba por desfazer o cenário da família perfeita com as férias dos sonhos. Qualquer circunstância se transforma em motivo para discussão, seja durante um jantar ou um casual encontro entre amigos. Os filhos não entendem, mas os pais também não se dão o trabalho de explicar. Leia mais

As modas e bodas do Hades

Lá estava a vasculhar e eis que vejo que Antonioni tinha vontade de fazer um filme em terras tupiniquins. Mês retrasado – fazer comentários sobre as coisas no calor do momento em que surgem e a capacidade de atualização andam lentas, algo que talvez se adeque a este texto – vi um artigo de Orlando Senna comentando sobre um projeto irrealizado de Antonioni em Brasília. No texto, Orlando fica sonhando com o projeto de Antonioni, Monica Vitti andando a esmo pelo palácio do planalto, comenta de como Welles faria a fita do Monsieur Verdoux, que no final caiu nas mãos de Chaplin. E eu penso: e não é que é? Os filmes que ficam na gaveta nos deixam às vezes mais horas imaginando do que vendo os filmes que saíram dela. Leia mais

Mostra de SP: Dia 12

Dia 12: C’est fini.

It’s over. Es ist vorbei. Vi dois brasileiros, dois russos, cinco franceses, dois argentinos, dois suecos, um chinês, um italiano, um turco, um georgiano etc, mas a coisa mais diferente, de longe, foi americana. A seguir, tentarei articular a experiência de assistir a Os Convidados (Ken Jacobs, 2014), minha última sessão da Mostra e algo que eu só recomendaria para os espectadores mais aventureiros. É algo que os teóricos classificariam como acinema; não tem nada parecido com uma narrativa aqui, tampouco um “tema” propriamente dito. Ou melhor, o tema é o próprio cinema e suas possibilidades.

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Mostra de SP: Jauja (Lisandro Alonso)

Dia 11: Há algo de podre no reino da Patagônia.

Estamos chegando ao fim dessa epopéia. Se teve alguma coisa para conectar tudo que eu vi nessa Mostra, talvez sejam as forças da natureza. Nuvens, avalanches, desertos, rios, mares e animais foram apropriados de diversas formas para explorar os mais variados temas. O filme a que assisti hoje manteve esse padrão, com uma forte presença de cavalos, desertos e cachorros, mas eu não faço a mínima ideia do que ele está explorando.

Jauja (Lisandro Alonso, 2014) é um filme estranho. Alguns nomes de diretores que pipocaram aleatoriamente na minha cabeça durante a sessão: Ford. Kurosawa. Tarkovski. Herzog. Não que o estilo do filme se assemelhe muito ao de algum desses, mas os elementos básicos provavelmente devem sua existência à influência de pelo menos alguns deles: trata-se de uma espécie de western revisionista com uma fotografia obsessivamente composta que envolve um homem lutando contra a amplitude implacável de um cenário natural.

Viggo Mortensen é um engenheiro militar dinamarquês chamado Gunnar Dinesen, que está na Patagônia do século XIX supervisionando a construção de trincheiras (ou algo assim). Ele é tratado como Capitão, usa um uniforme de cavalaria e por algum motivo trouxe sua filha de 14 anos, o que obviamente não vai acabar bem. Quando primeiro o vemos, Gunnar está em um acampamento no litoral, acompanhado de Pittaluga, um Tenente local cujas intenções são meio duvidosas. Pittaluga se refere à população indígena da Argentina como “cabeças de coco,” e oferece a opinião de que deveriam ser todos exterminados.

Eventualmente, a filha de Gunnar foge com um jovem soldado chamado Corto, e nosso herói parte em uma aventura para resgatá-la, mas a presença de um desertor que virou bandido no deserto surge para complicar as coisas. Considerando os elementos básicos da trama, o filme pode ser definido como uma releitura minimalista de Rastros de Ódio, mas, na prática, é um filme sobre Viggo Mortensen se movendo pelo deserto, às vezes a cavalo, às vezes a pé. Pela maior parte, trata-se de uma trama de aventura que, fora a abordagem estilizada e a falta de incidentes, é até bem linear e convencional.

Sobre essa estilização: Jauja foi todo filmado no formato 4:3 (também conhecido como academy ratio); ou seja, a tela é praticamente quadrada. Não só isso, mas as bordas são arredondadas e as cores são tratadas de uma forma que lembra aqueles filmes antigos em Technicolor de três fitas. As composições são milimetricamente precisas: elementos em primeiro plano são equilibrados com coisas minúsculas lá no fundo, tudo emoldurado pela paisagem característica dos desertos da Patagônia em planos que desesperadamente querem parecer pinturas. É o tipo do filme onde cabeças nunca são cortadas pela borda superior da tela e os olhos dos atores coincidem com a linha do horizonte sempre que possível.

Esses elementos dão ao filme um clima levemente onírico que vai se intensificando conforme a trama avança, culminando em um encontro surreal em uma caverna, onde passado e presente se encontram e o espectador fica coçando a cabeça tentando entender o que tudo isso está dizendo. Provavelmente algo sobre a perda da inocência? Eu não sei. A boa vontade que eu teria em refletir sobre essa cena foi por água abaixo a partir do momento em que o Alonso, ao invés de terminar o filme aí, decidiu incluir o Epílogo Mais Desnecessário De Todos Os Tempos, basicamente defenestrando tudo que aconteceu até então, ao mesmo tempo em que tenta reconfigurar simbolismos vagos envolvendo cachorros e um soldadinho de madeira.

O jeito que filmes terminam é muito importante para mim. Não que eu os assista só para saber como acabam, mas um bom final pode concretizar os temas de uma forma relevante, fazendo você refletir sobre tudo que veio antes, e/ou criar um momento impressionante que reverbera por um bom tempo depois que o filme terminou. Jauja até tenta fazer isso, mas falha espetacularmente.

**1/2 – Garanhão Puro Sangue

 

Mostra de SP: Dia 10

Dia 10: Pombos e abelhas.

 

A fadiga cinematográfica está começando a se instalar. Depois de um tempo vendo filmes todo dia, às vezes vários seguidos, o cérebro começa a pregar peças. Eu realmente vi um soldado do século XVII entrando a cavalo em um bar e mandando todas as mulheres saírem ou só sonhei? Eu estou realmente há quatro horas no CineSesc ou eu já voltei para casa e estou alucinando tudo isso?

Enfim, talvez seja por esse cansaço mental que eu não tenha conseguido achar tanta graça em As Maravilhas (Alice Rohrwacher, 2014), vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes (é tipo um segundo colocado, para aqueles que não são obcecados com esse tipo de coisa). Não me entendam mal, o filme é bom e merece ser visto no cinema, nem que seja só pela fotografia granulada e saturada que o faz parecer ter sido filmado nos anos 70, e por momentos simples como duas meninas fazendo questão de pisar em todas as poças do caminho ao voltar para casa.

É a história de uma família de apicultores que vive em uma fazenda na Itália, composta de um pai alemão perpetuamente mal humorado que resiste a mudanças ao ponto de parecer fazer questão de manter a família na pobreza (a modernidade interferindo em estilos de vida tradicionais é um tema importante), uma mãe italiana que já está perdendo a paciência com ele, e quatro filhas. A história é narrada pelo ponto de vista de Gelsomina, a filha mais velha, cuja entrada na adolescência começa a despertar anseios que sua vida atual provavelmente não será capaz de suprir.

Enquanto se concentra em contar uma história de maturação naturalista, o filme é ótimo; as cenas que se limitam a observar a vida da família têm uma atentividade admirável a detalhes da rotina na fazenda que, aliados à fotografia, me lembraram A Árvore dos Tamancos, um dos meus filmes italianos preferidos. Contudo, complicações surgem na forma de um menino alemão adotado pelo patriarca (é óbvio que ele ressente o fato de só ter filhas) e uma equipe de TV que alista as famílias locais em um concurso para celebrar os produtos das fazendas, premiando a família mais “tradicional.”

Esses elementos criam subtramas que não se encaixam muito bem no resto; ironicamente, os momentos mais “banais” aqui são os mais interessantes. Apesar de tudo convergir em uma cena tensa no final do segundo ato, o terceiro não consegue manter esse ímpeto de forma satisfatória, esticando as coisas desnecessariamente e caminhando para um final inquietante que, apesar de tematicamente relevante, não me pareceu merecido.

*** – favos 

Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência (Roy Andersson, 2014) é mais um filme que eu provavelmente teria incluído em minha programação só pelo título; o fato de trata-se da terceira parte da trilogia do Andersson sobre a condição humana tornou-o obrigatório. A primeira parte da trilogia, Canções do Segundo Andar, é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. Quando ele foi lançado em 2000, não havia nada parecido: trata-se de uma obra surreal e melancólica com um estilo idiossincrático sem precedentes.

Andersson levou sete anos para fazer a segunda parte, Vocês, os Vivos. Apesar de consideravelmente inferior, o filme ainda trazia alguns momentos transcedentais, especialmente uma cena envolvendo um trem, o único momento no longa onde a câmera se move. Após mais sete anos, Um Pombo… completa a trilogia com o mesmo domínio formal, mas os sinais de desgaste da fórmula que já eram aparentes em Vocês, Os Vivos estão aqui bem mais evidentes.

Os três filmes alternam vinhetas, cada uma delas filmada inteiramente em um único plano-sequência estático, onde situaçõs tragicômicas são dramatizadas por atores em maquiagens cadavéricas. Essas vinhetas apresentam alguns personagens recorrentes que ocasionalmente se cruzam, mas não há uma narrativa propriamente dita; causa e consequência são reduzidos a um mínimo e não há catarse ou pay-offs.

Um Pombo… tem seus momentos (os mais marcantes envolvem a história invadindo o presente; ver primeiro parágrafo), mas o Andersson meio que força a barra com os temas, especialmente perto do final, onde examinações da crueldade do ser humano chegam perigosamente perto de se tornarem sermões. Enfim, agora que ele completou sua tese, o que virá a seguir é uma incógnita. Caso o ritmo atual seja mantido, daqui a sete anos a gente descobre.

*** – praça da Sé

 

Mostra de SP: Dia 9.1

Dia 9: De Paris a Havana

Ou “o dia em que Laurent Cantet me informou do resultado das eleições.” Infelizmente, isso foi a coisa mais interessante que aconteceu durante todo o período que passei dentro do Reserva Cultural para as duas sessões aqui registradas. Se este texto ficou consideravelmente menor do que o resto, não é porque eu repentinamente adquiri uma capacidade de síntese que até então não possuía, é porque eu realmente não tenho muito a dizer sobre esses filmes.

Minha Amiga Victoria (Jean-Paul Civeyrac, 2014) sofre daquele problema comum em adaptações literárias muito dependentes de internalizações: temos que ser constantemente informados do que os personagens estão sentindo e pensando através de voice-overs, ao ponto em que é difícil justificar a existência de uma versão cinematográfica da história. Não é um caso de “o livro é melhor,” é um caso de “por que eu estou assistindo a tudo isso, quando poderia estar lendo?”

Voice-overs incessantes não seriam terrivelmente problemáticos caso a história envolvesse elementos criativos, mas aparentemente a graça do texto original (que não li) está nas descrições. Trata-se de um drama dolorosamente convencional sobre a moça do título, uma mulher negra que vive em Paris e se envolve romanticamente com alguns homens durante sua vida. Tensões raciais são levemente exploradas, uma ou outra tragédia previsivelmente acontece, e eu fico olhando no relógio a cada cinco minutos. Medíocre.

** – vickies

Mais estimulante, mas não por uma ampla margem, Retorno a Ítaca (Laurent Cantet, 2014) se passa praticamente todo em um único cenário, um telhado em Cuba onde velhos amigos se reúnem e conversam em cenas longas narradas quase inteiramente em tempo real. A reunião foi incitada pela volta de um deles da Espanha, e no começo eles se limitam a relembrar os velhos tempos de forma animada e bem-humorada, olhando para o passado com uma nostalgia contagiante.

Todavia, antigos ressentimentos logo começam a rastejar para a superfície, hipocrisias são jogadas na cara e revelações perto do final complicam ainda mais a situação. A perda do idealismo da juventude e as dificuldades enfrentadas no país são exploradas de forma bastante didática e artificial, mas as boas atuações fazem com que seja suficientemente agradável passar o tempo com esses personagens. É um filme feito especialmente para pessoas que gostam de balançar a cabeça em aprovação perante ilustrações óbvias de coisas que elas já estão carecas de saber.

**1/2 – balanços de cabeça