“Escrever juvenis é um prazer que não encontro nos outros” – entrevista com Andréa del Fuego

Ela é considerada um dos nomes femininos mais importantes da prosa brasileira contemporânea. Nascida em São Paulo, no ano de 1975, Andréa Fátima dos Santos, mais conhecida como Andréa del Fuego – alter ego adquirido ainda nos anos 90 quando a mesma trabalhava escrevendo crônicas e respondendo dúvidas sexuais de leitores da revista da Rádio 89 FM –, tem seis livros publicados e participações em inúmeras antologias literárias.

Ganhou notoriedade e prestígio internacional como escritora ao lançar seu primeiro romance, intitulado Os Malaquias (2010), laureado, no ano seguinte, com o Prêmio José Saramago, em Portugal. O romance foi inspirado num trágico incidente envolvendo seus bisavós, que morreram eletrocutados por um raio. Desde então a crítica rendeu-se aos seus pés e seu livro foi ganhando sucessivas traduções no exterior.

Recentemente, publicou pela editora Companhia das Letras, seu aguardado segundo romance, As miniaturas, no qual o realismo mágico novamente aparece, porém, dessa vez, configurando-se em um cenário urbano, especificadamente, num prédio, local onde se ornamenta toda a engenharia da trama.

Em entrevista exclusiva para o Posfácio, Andréa del Fuego fala sobre o novo livro, a ascensão adquirida com o primeiro romance, como é escrever também para o público infantojuvenil, os primeiros passos como escritora e a sua principal influência literária feminina: Leia mais

“Como uma pessoa pode ser chamada de diretor se não sabe dirigir atores?” – entrevista com Bruno Barreto

São poucos os diretores que entraram no universo do Cinema pela porta da frente, Bruno Barreto foi um deles: filho do casal de produtores Lucy e Luis Carlos Barreto, aos 21 anos Bruno dirigiu Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), recorde de bilheteria nacional até Tropa de Elite 2 (2010). Desde então, teve a oportunidade de adaptar Nelson Rodrigues, em O Beijo no Asfalto (1981), novamente Jorge Amado, em Gabriela, Cravo e Canela (1983), unindo Marcello Mastroianni e Sônia Braga, e assim ir moldando sua identidade, marcada pelo cosmopolitismo que mistura EUA e Brasil, os dois países em que divide sua vida.

Atingiu o ápice com uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com O Que é Isso, Companheiro? (1997). Agora, em seu 19° trabalho, com um empurrãozinho de sua mãe, aceitou contar a história do turbulento amor entre a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares e a poeta americana Elizabeth Bishop, em Flores Raras, que estreou no Brasil em 16 de agosto. Leia mais

“Não foi a raça que construiu o racismo, foi o racismo que construiu a raça” – entrevista com Mia Couto

Não é exagero dizer que Mia Couto é o escritor mais importante de Moçambique na atualidade. Além de ser o mais traduzido do país africano, e também um de seus cidadãos mais conhecidos internacionalmente, Mia contribuiu até mesmo para escrever a letra do hino adotado pelo país no período posterior à Guerra de Independência – trágico período de combate civil que se estendeu por 16 anos até acabar com um acordo de paz, assinado em 1992.

Por coincidência, também em 1992 foi publicado o primeiro romance de Mia Couto, Terra Sonâmbula, que só não é um clássico contemporâneo da literatura africana porque o paradoxo da frase não permite. A narrativa combina um universo onírico riquíssimo, recheado de elementos provenientes da tradição oral africana, e um relato da guerra que então o país enfrentava. Leia mais

José, por Pilar

O sotaque espanhol da jornalista Pilar del Río entrega aqui e ali, na forma de uma ou outra palavra na língua de Camões, o resultado de uma convivência de 22 anos com o escritor português José Saramago, falecido em junho de 2010. Presidenta da fundação criada em 2007 e que leva o nome do escritor e marido, Pilar tem consciência da responsabilidade que carrega ao guardar o legado do até agora único Nobel de Literatura da língua portuguesa, láurea concedida em 1998.

Aos 63 anos, dona de uma voz suave mas que ganha em firmeza ao defender a obra e as ideias de Saramago, Pilar minimiza qualquer influência que possa ter tido no ato de criação do companheiro, mas, como afirma o conterrâneo Valter Hugo Mãe no prefácio de José e Pilar: Conversas inéditas, “o grande mestre não estaria nunca completo nesta sua dimensão mais pessoal sem a companhia de Pilar del Río, tão distinta quanto já complementar do escritor”. O livro é resultado da compilação das entrevistas feitas pelo cineasta português Miguel Gonçalves Mendes durante o tempo que passou com o casal para a realização do documentário José e Pilar (2010). Leia mais

“Se vem, vem; se não vem, não vem”, entrevista com Horacio Castellanos Moya

Escritores descontentes porque seus livros “não foram bem compreendidos” constituem um fenômeno comum, geralmente associado a uma série de características negativas: imaturidade, insegurança, mediocridade. O escritor hondurenho Horacio Castellanos Moya não faz parte deste grupo. Mas, se o fizesse, seria um caso muito particular: ele teria razão.

Em 1997, Moya publicou Asco, seu terceiro livro, por uma pequena editora de El Salvador, país no qual viveu entre os 4 e o 23 anos de idade (até 1979, quando o cenário político conturbado motivou-o a se autoexilar no Canadá). Com pouco menos de cem páginas, o romance surgiu como um mero exercício de linguagem, no qual o autor buscou simular o estilo adotado pelo escritor austríaco Thomas Benhard em O Náufrago. Leia mais

Digam a Satã que o recado foi entendido

ENTREVISTA EXPRESSA

A coleção Amores Expressos, projeto que levou escritores para diversas cidades do mundo, está no mercado editorial desde 2008 e teve, até o momento em que digito estas linhas, nove livros lançados dos 17 planejados. Tive a oportunidade de ler 7 deles – apenas J.P. Cuenca e Paulo Scott ficaram de fora da minha lista.

Pouco mais de 180 páginas me separaram de entrevistar Pellizzari, vulgo Mojo, o autor de Digam a Satã que o recado foi entendido. Esbarrei com ele durante a Flip duas ou três vezes, mas não tinha embasamento sobre seu último trabalho. Recebi meu exemplar pouco depois da nossa última microconversa e esperei até a viagem a São Paulo para folheá-lo até mais da metade sem piscar. Leia mais

“Nós estamos sempre presos numa espécie de falso pensamento” entrevista com John Jeremiah Sullivan

Recebi Pulphead, traduzido por Chico Mattoso e Daniel Pellizzari (coincidência, ou não, ambos autores da Coleção Amores Expressos), em casa por indicação da Diana e da Clara que trabalham na Companhia das Letras. Não sei ao certo se Luiz Schwarcz treina todos seus funcionários a criarem uma espécie de influência sobre as pessoas ou a estudarem em minúcias o perfil de cada leitor. Também não precisaram realizar esforços homéricos, a quarta capa – e as diversas resenhas que li – avisavam que o autor daquele livro de ensaios era comparado a Tom Wolfe e David Foster Wallace.

Àquela altura, John Jeremiah Sullivan era um desconhecido para mim e ele ainda não estava confirmado a vir às ruas de Paraty praticar caminhada com obstáculos no centro histórico. Todavia, ao confirmarem sua presença, atropelei algumas teclas no meu MacBook e agendei uma entrevista com o ensaísta na primeira data disponível, por e-mail. Leia mais

“Eu me interesso por todo tipo de coisa”, entrevista com Lydia Davis

por Marina Araújo

Lydia Davis teve seu primeiro livro lançado no Brasil este ano e está na Flip, onde participou de uma mesa sobre tradução e hoje fará parte da mesa 14, em que discutirá os limites da prosa com John Banville.

Pela manhã da ensolarada quinta-feira de Paraty, Davis, que carrega nos gestos e tom de voz baixo a delicadeza de sua escrita, conversou com o Posfácio sobre sua esta atenção preciosa aos diversos pedacinhos do mundo: de lagartas e moscas a crises conjugais e existenciais. Leia mais

“Escrevo sem programar o que vou fazer”, entrevista com Agustín Fernández Mallo

Agustín Fernández Mallo é um escritor espanhol, formado em Física, com diversos livros de poesia publicados, nos quais busca estabelecer um diálogo entre arte e ciência. Nocilla Dream, primeiro livro do Nocilla Project, foi lançado no Brasil em março pela Companhia das Letras. Você pode conferir um trecho aqui ou ler a resenha.

O escritor conversou um pouco com o pessoal do Posfácio sobre seu livro proibido (El hacedor remake), mas aclamado por crítica e público, sobre Borges, sobre Afterpop e outros assuntos interessantes. Confira abaixo:

1. Vamos começar com um pouco de polêmica: por que seu livro El hacedor remake (homenagem a Borges) foi proibido? Há uma chance remota de conseguirmos uma tradução aqui para o Brasil, sem ser pirata?

AFM: Não, não existe. É um livro que do ponto de vista estético está garantido – teve excelente acolhida entre o público e a crítica – , mas do ponto de vista legal quem tem o poder é a pessoa que possui os direitos autorais da obra original, sua viúva. É uma pena que ela não tenha entendido. Meu livro não faz outra coisa que aplicar o método que Borges inventou para sua literatura e para a tradição. Nesse livro encontra-se o que creio ser até o momento minha melhor narrativa, “Mutaciones”. Leia mais

“Difícil colocar em palavras a felicidade” – Entrevista com Alejandro Zambra

O chileno Alejandro Zambra tem sido apontado como um dos grandes nomes da nova geração de escritores de língua espanhola e, a depender da recepção que Bonsai, o primeiro de seus romances, teve por aqui, não serão os brasileiros a discordar. Logo que foi lançado no Brasil, em maio deste ano, o livro atraiu a atenção geral do meio literário, com avaliações que penderam largamente para o campo positivo (confira as resenhas da Taize, da Anica e do Palazo). Mesmo o pequeno tamanho – não mais de 100 páginas na edição produzida pela Cosac Naify – se converteu em motivo de admiração. Nas palavras da Taize: “Bonsai é uma prova de que tamanho não caracteriza qualidade, que uma história breve pode ser tão reveladora, encantadora e complexa quanto um romance de 500 páginas”. Leia mais

“Às vezes é preciso se afastar para poder deixar de olhar, como diria Voltaire, ‘a ponta do proprio nariz'” – Entrevista com Juan Pablo Villalobos

Juan Pablo Villalobos

Juan Pablo Villalobos nasceu em 1973, em Guadalajara, México, e atualmente mora no Brasil. É autor de contos, crônicas de viagem e crítica literária e de cinema. Festa no covil é seu primeiro romance. Editado originalmente na Espanha, já foi traduzido na Alemanha, Reino Unido, Holanda e França, e tem lançamento previsto em mais sete países, incluindo Itália, EUA, Israel e Turquia. A edição britânica foi selecionada pelo jornal The Guardian entre os cinco finalistas do First Book Award. Juan topou responder às perguntas do Meia Palavra, confira!

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Entrevista com André Diniz

André Diniz é roteirista e ilustrador. Nasceu no Rio de Janeiro em 1975, mas adotou São Paulo como residência. Segundo as palavras dele próprio: “Sempre adorei aqui, sou um carioca fajuto”. André é atualmente um dos quadrinistas de maior prestígio no Brasil, vencedor de diversos prêmios, dentre estes o HQMIX e Ângelo Agostini, o quadrinista possui algumas obras ligadas a história do Brasil, como Morro da Favela e Quilombo Orum Aiê.. Além disso já produziu Zines, possuiu sua própria editora e publicou por grandes editoras brasileiras. Com a simpatia habitual, e uma trajetória que se confunde com a evolução dos quadrinhos no país, André nos cedeu uma entrevista fantástica. Leia mais