A obra-prima ignorada (Honoré de Balzac)

em 2 de julho de 2012

Informações

  • Autor: Honoré de Balzac
  • Tradutor: Dorothée de Bruchard e Rejane Janowitzer
  • Editora: LP&M Editores
  • Páginas: 64
  • Ano de Lançamento: 2012
  • Preço Sugerido: R$ 5,00

Conhecido até hoje por ser um dos principais autores realistas franceses, Honoré de Balzac (1799-1850) publicou romances muito lidos atualmente, dentre eles A mulher de trinta anos, Eugènie Grandet, As ilusões perdidas e O pai Goriot, referências de sempre para se falar da literatura do século XIX. Apesar de ser famoso por sua obra romanesca, também escreveu textos dramáticos, ensaios de temática moral e contos, como os dois integrantes de A obra-prima ignorada, pequeno volume lançado pela editora L&PM em sua coleção 64 Páginas. O primeiro deles se chama justamente “A obra-prima ignorada” e o segundo “Um episódio durante o Terror”. Pessoalmente, já adianto que não sou grande leitor de românticos e realistas franceses, porém digo mesmo assim que acredito que esses dois contos de Balzac são interessantes para um leitor de primeira viagem.

No primeiro conto temos uma experiência envolvendo o jovem artista Nicolas Poussin, personagem de nome idêntico ao de um pintor do Classicismo francês do século XVII. Em um momento de ousadia, ele acaba conhecendo o também artista Porbus e seu velho mestre Frenhofer. Após um diálogo entre os dois últimos sobre a qualidade de um trabalho de Porbus, este e Poussin descobrem mais a respeito do velho mestre e de como ele aprendeu técnicas de pintura que supostamente fariam jus à “natureza” em sua essência. Uma obra sua, retrato de sua idealizada Catherine Lescault, seria o exemplo máximo dessa técnica superior e que faria com que ninguém a ele se igualasse. Nesse conto o mito da obra-prima total e definitiva é um dos alvos de Balzac, muito afim ao repúdio realista da “arte pela arte”. 

Já no segundo conto o que lemos de início é uma história nebulosa, em que temos algumas personagens na França da época do Terror, ou seja, dos julgamentos e das decapitações em massa feitas por Robbespierre na Revolução Francesa. Primeiro apenas há uma mulher em fuga pelas ruas de Paris, amedrontada por um homem suspeito que a persegue. Ao entrar em uma loja buscando ajuda, um casal tenta ajudá-la para depois mudar de ideia também repudiando-a por sua posição aristocrática agora evidente. O perseguidor em seguida vai para outro local onde encontra duas freiras que resistem a admitir sua presença. Elas preferem ficar reclusas com medo de serem julgadas por estarem ligadas ao clero e procuram evitar que o estranho homem descubra que elas escondem um padre. Este acaba por se revelar após notar que o desconhecido é confiável e pode se aliar a eles de modo inusitado em um período revolucionário em que eclesiásticos e monarquistas corriam perigo.

Apesar de ter certa relação com o romance naturalista que viria a surgir na França, percebe-se que a ficção balzaquiana pode ser bem diversa do retrato de costumes burgueses ou da prosa de estudo científico positivista chegando a trabalhar com temas históricos. Nessa abordagem da história francesa, fato e ficção se misturam, porém a verossimilhança persiste. É claro, sabemos por notas de tradução que as personagens de “Um episódio durante o Terror” são todas ficcionais, presentes inclusive em outras obras de seu autor, mas se lêssemos sem as notas provavelmente seguiríamos com nosso “pacto” ficcional estabelecido no início da leitura.

É possível notar que tudo parece bem verdadeiro segundo a visão dos acontecimentos sugerida pelo escritor, ainda que tudo não deixe de ser invenção em partes. Prefiro não estragar a leitura destacando aqui a conclusão de cada um dos contos para exemplificar o que disse acima. Será notável para o leitor o fato de que Balzac através desses dois contos nos fornece uma ficção histórica diferente daquela do Romantismo. A preocupação aqui parece não ser nos lembrar do passado como um ideal, mas sim revelar seus aspectos na sociedade burguesa do século XIX.

5 comentários para “A obra-prima ignorada (Honoré de Balzac)

  1. Já li sobre esse conto/novela ‘A obra-prima ignorada’ em algum livro e não consigo me lembrar, parece que foi no ‘Aventuras no Marxismo’, do Berman, mas não tenho certeza. Você por acaso não sabe onde, Daniel? Pela minha sanidade? hehe

    Odeio ‘quase’ saber algo…XD

    • haha pior que não sei, Lucas! É um conto até que famoso do Balzac, então é bem possível que você já tenha lido sobre ele mesmo.

      Foi mal por não te ajudar aí!

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