Literatura Judaica III- Judeus assimilados

Gentio é um termo latino utilizado para designar qualquer não-judeu. Idiomas gentios, então, são todos os idiomas que não estão associados diretamente com o povo judeu- ou seja, todos os idiomas do mundo, à exceção do Hebraico, Ídiche e Ladino.

O assimilacionismo é uma corrente de pensamento cultural presente dentro do judaísmo que floresceu durante o século XIX, e que buscava integrar os judeus na sociedade gentia- a religião não deveria ser uma barreira.

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Nossas apostas para o Nobel 2010- Parte II

Continuando com nossas conversas sobre o Nobel, cujo resultado sai amanhã, (quinta-feira, 7 de Outubro) temos agora nossas apostas. Um breve comentário de cada sobre o que espera e, em seguida, listas: as apostas do Tiago e as minhas, e a do Ladbrokes- uma casa de apostas bastante tradicional, na qual todo ano a imprensa busca os ‘favoritos’ do Nobel.

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Nossas apostas para o Nobel 2010- Parte I

Mais uma vez eu e o Tiago discutimos a respeito do Prêmio Nobel de Literatura, que será entregue na próxima quinta-feira, dia 7 de Outubro. Tal qual no ano passado, será um post divido em três partes: nessa primeira discorremos a respeito de nossas expectativas sobre o tipo de autor e os motivos da Academia Sueca; num segundo momento listaremos os autores que achamos passíveis de serem escolhidos; por fim, após o resultado, discutiremos o laureado.

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Literatura Judaica (parte I)

Essa noite, assim que surgirem as três primeiras estrelas no céu, inicia-se o dia 15 de Tishrei no calendário judaico, que corresponde à festividade do Sukot, ou festa das Cabanas- que relembra os 40 anos vividos no deserto, após o êxodo do Egito. Alguns dias atrás tivemos o Yom Kipur e, pouco antes, o Rosh Hoshaná.

O calendário judaico é um tanto quanto complexo, talvez por estarmos mais acostumados ao calendário gregoriano, que é solar. Mas tudo no judaísmo é complexo: a própria questão do ‘ser judeu’ é bastante complicada, já que alguém que é judeu para uma denominação (denominações são os ‘grupos’ dentro do judaísmo, como os Ortodoxos, os Reformistas, os Chassidim e os Caraítas, entre outros) pode não o ser para outra. Leia mais

Imre Kertész: a voz do Holocausto

Se eu penso em uma novela, eu penso novamente em Auschwitz. O que quer que eu pense, eu penso sempre em Auschwitz. Mesmo que eu aparentemente fale de algo totalmente diferente, é sobre Auschwitz que estou falando. Eu sou um meio para o espírito de Auschwitz. Auschwitz fala através de mim. Todo o resto me parece estúpido, comparado a isso.

Essa citação é de Imre Kertész, escritor judeu húngaro nascido em 1929 e escolhido para o Nobel de literatura de 2002. Sua obra mais conhecida é ‘Sorstalanság‘ (‘Sem destino’) (1975), em que a experiência de um jovem judeu húngaro em Auschwitz. A obra é considerada uma das mais poderosas narrativas sobre o holocausto.

Esse livro também é o primeiro de uma trilogia, composta ainda por ‘A kudarc‘ (‘O fiasco’) (1988)- no qual vê sua primeira obra recusada pela editora e seu ser esmagado pelo regime comunista- e ‘Kaddis a meg nem született gyermekért‘ (‘Kadish para uma criança não nascida’) (1990)- o Kadish é a oração judaica pelos mortos, que no caso é feito para o filho que ele decidiu nunca deixar nascer, devido ao peso do passado.

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Karel Čapek

A palavra ‘robô’ é de uso corrente hoje em dia, mas obviamente é um termo relativamente novo, já que designa uma maravilha tecnológica que apenas agora começa a parecer próxima da existência sempre imaginada por fãs e autores de ficção científica.

E a primeira vez que foi usada foi na literatura. Criada por Josef Čapek, foi seu irmão, o escritor Karel Čapek, o responsável pela popularização da palavra- inicialmente em sua peça R.U.R.- também um dos marcos fundamentais da ficção-científica.

Apesar de pouco conhecido por aqui o escritor checo foi certamente uma das figuras literárias mais importantes do século XX. Entre os escritores influenciados por ele estão Ray Bradbury, Salman Rushdie, Brian Aldiss, Dan Simmons e Isaac Asimov. Junto com Huxley e Orwell foi um dos expoentes da ficção especulativa.

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Sob o signo da opressão

herta-muller-b2301Há algum tempo eu e o Tiago escrevemos uma série de posts a respeito do prêmio Nobel. Nela, além de comentarmos sobre o prêmio em si, mencionamos que a escolha da Academia Sueca pela romena-alemã Herta Müller causou não só surpresa, mas também certa decepção.

Ainda não lera nada dela além de um conto e de alguns poemas. Eis que ‘O Compromisso’ – traduzido no Brasil por Lya Luft- mudou um pouco essa opinião.

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A morte do ‘Primeiro Homem’

camusNo último dia 4 completaram-se 50 anos da morte do escritor franco-argelino Albert Camus. Foi em 4 de Janeiro de 1960, exatamente às 13h55 que um acidente de carro fez com que ‘O Primeiro Homem’ ficasse incompleto: Camus escrevia seu bildungsroman quando morreu. Um tanto quanto irônico, creio.

Foi uma grande perda: não só um dos maiores escritores do século XX, considerado herdeiro da tradição de Dostoiévisky e Kafka; mas também um filósofo e humanista importante, o ‘pai’ do absurdo. Mesmo Sartre- antigo amigo com quem teve um desentendimento por conta de ‘O Homem Revoltado’- reconhecia que o pensamento e o peso de Camus eram ímpares.

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Os irresponsáveis de Vila-Matas

drpasavento_gdeDesaparecer, suicidar-se, deixar de escrever. Essa tríade de ‘pulsões negativas’ é intimamente associada à obra do catalão Enrique Vila-Matas: publicados no Brasil, ‘Suicídios Exemplares’ e ‘Bartleby e Companhia’ são exemplos dos dois últimos. Em breve a Cosac-Naify lançará ‘Doutor Passavento’, que fecha a tríade. Mas, obviamente, Vila-Matas não teria o renome que tem se sua obra se resumisse a esses três temas. Na verdade, parte de seu reconhecimento deve-se a um quarto aspecto, a irresponsabilidade.

É ao redor da irresponsabilidade, mesmo que vista de ângulos ligeiramente diferentes, que se desenvolvem ‘Breve historia de la literatura portatil’ e ‘Hijos sin hijos’, ambos ainda sem tradução brasileira, mas disponíveis em português em edição lusitana).

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Enfermidade + Literatura= Literatura

enfermidadeAlgum tempo atrás o Tiago escreveu um artigo para o Meia, chamado ‘Literatura em tempos de gripe‘, em que ele discutia o papel da doença na literatura. Já àquela época eu tive a idéia- um tanto pretenciosa talvez- que estou colocando aqui de modo simplificado: o papel da literatura não apenas na doença, mas como doença.

Literatura terminal

Em ‘La velocidad de las cosas’ Rodrigo Fresán menciona várias vezes uma doença que matou todos os escritores e, depois disso, foi para os leitores, de modo que o simples ato de se abrir um livro acabou sendo abandonado por ser perigoso. Apenas a auto-ajuda foi poupada.

Acredito que essa doença seja a própria literatura. Um tanto exagerada nesse caso, por força de questões narrativas. Mas seu capaz de citar mais de um exemplo em que a literatura poderia facilmente constar como causa mortis, no atestado de óbito.

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Avraham Sutzkever

avrahamEm junho de 1941 tropas do II Reich invadiram a Polônia. Àquele tempo a cidade de Vilna- hoje na Lituânia- chamava-se Wilno e pertencia ao país invadido. Como em todos os outros lugares invadidos a mando de Adolf Hitler, lá os judeus foram severamente perseguidos- para serem mortos ou enviados para campos de concentração e guetos. Um jovem judeu que habitava essa cidade escondeu-se por algum tempo dentro de uma lareira, mas acabou sendo preso. Mais tarde fugiu do gueto para o qual foi enviado, e alistou-se como partisan para lutar contra os alemães.

Poderia ser a história de um filme qualquer, ou só mais uma anedota sobre o Holocausto. Mas acontece que esse jovem judeu havia publicado seu primeiro poema em 1934, e fora parte do grupo dos “Jovens de Wilno”- artistas e escritores iniciadores do modernismo polonês. Mas Avraham Sutzkever- esse é o nome do poeta sobre o qual tudo isso se trata- não escreve em polonês: é um dos maiores nomes da poesia ídiche do século XX. Leia mais

O expresso Terra do Nunca-País das Maravilhas-Pepperland

Captain Hook‘Uma espécie de Sherlock Holmes infantil com “a inteligência de um rapaz de 18 anos, ou um homem de 40 ou um sábio de 300, não necessariamente nessa ordem!!!'”
É assim que Peter Hook, seu criador, define Jim Young- um menino de 6 anos de idade que descobre, nó sótão de sua casa em Londres, a cronocicleta: uma máquina do tempo em forma de bicicleta construída por Maximiliam Max. Com ela, Young persegue Cagliostro Nostradamus Smith, o gênio do mal e ex-sócio de Maximiliam Max que, querendo a bicicleta especial de seu ex-sócio e enlouquecido por seu sobrenome infinitamente comum, sequestrou Raven e Lucy, respectivamente mãe e irmã do herói.
Em um dos primeiros livros da série, Jim Young and the Wonderland-Neverland-Pepperland Express, descobrimos que Cagliostro é doentiamente apaixonado por Alice Liddell, a inspiradora da Alice de Carroll. Ela, é claro, apaixona-se por Jim. E morre: acuada pelo vilão atira-se em um poço que acredita ser uma passagem para outra dimensão, porém é apenas um poço bastante fundo. Leia mais